quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Europeus revelam robôs projetados para ir a Marte em 2015

Engenheiros da ESA (Agência Espacial Européia) revelaram com exclusividade à BBC dois veículos robóticos que estão sendo projetados para explorar a superfície de Marte em 2015.

Os veículos ainda em fase de testes, que receberam os nomes de Bruno e Bradley, têm seis rodas e são apontados como os mais robustos e mais fáceis de manobrar de sua categoria, informou o repórter da BBC News Pallab Ghosh.

De acordo com Chris Draper, gerente do projeto ExoMars da empresa aeroespacial britânica Astrium, a idéia é que o novo veículo robótico seja enviado a Marte e chegue a lugares aonde outros nunca conseguiram ir.

"Obviamente, os robôs americanos (que viajaram com as sondas Spirit e Opportunity) construídos pela Nasa tiveram grande sucesso --conseguiram viajar longas distâncias e ter uma vida útil mais longa que o planejado. Mas esperamos que, com nosso 'bebê', consigamos chegar ainda mais longe", afirmou.

Cada uma das seis rodas do veículo pode ser guiada separadamente. Ele pode ainda, diante de uma ladeira íngreme ou escorregadia, ancorar-se em cinco das seis "pernas" e avançar uma por uma, para superar obstáculos.

Navegação inteligente

Além disso, os protótipos possuem um sistema de navegação inteligente que lhes permite planejar sua própria rota --um mecanismo que pode se revelar crucial quando a máquina estiver se aproximando de uma situação perigosa, como um precipício.

Por causa da distância entre os dois planetas, uma ordem emitida da Terra pode levar até 20 minutos para chegar a Marte, o que impossibilita o envio de comandos instantâneos para mudar a direção do robô.

A ExoMars tem como missão principal procurar sinais de vida passada ou presente em Marte. Para tanto, terá de chegar a lugares que oferecem mais condição de vida e recolher material a até dois metros de profundidade no solo. As amostras serão analisadas por um laboratório a bordo.

Dotado da maior variedade de instrumentos científicos já transportada a Marte, o robô poderá submeter o material a um grande número de testes se houver indicação da existência de organismos.

Brasileiros descobrem que galáxias "aposentadas" se disfarçam de ativas

Galáxias que mostram serviço, mas que há muito tempo pararam de trabalhar, andam enganando astrônomos há mais de 25 anos, concluiu um grupo de brasileiros liderado pela francesa Grazyna Stasinska, do Observatório de Paris.

Uma galáxia que trabalha de verdade possui um suprimento grande de gás que pode ou se condensar, formando novas estrelas, ou espiralar, como água pelo ralo, para dentro dos buracos negros com massas milhões de vezes maiores que a do Sol que a maioria das galáxias têm em seus núcleos.

Os astrônomos são capazes de analisar a luz emitida pelo gás quente galáctico e distinguir as galáxias onde o gás é aquecido predominantemente por estrelas recém-nascidas.

Eles também conseguem distinguir algumas galáxias cujo gás interestelar é esquentado principalmente por um disco de gás ultraquente em volta do buraco negro central.

Asilo estelar

Existe um tipo duvidoso de galáxia, porém. Chamadas de Liners (sigla em inglês para regiões de emissão nuclear de baixa ionização), elas podem perfazer até metade das galáxias do Universo próximo. "Acredita-se que elas tenham um disco fraquinho", explica a astrônoma Thaisa Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que não participou do novo estudo. Este propõe uma nova explicação para a origem de parte das Liners.

De acordo com os pesquisadores, algumas Liners podem ser galáxias "aposentadas", que não têm mais gás para trabalhar e só têm estrelas velhas.

Que estrelas velhas, como as anãs brancas, aquecem o gás da galáxia de maneira muito semelhante à dos discos de buracos negros gigantes, já se sabe há mais de 25 anos.

O problema é que até agora não havia a quantidade de dados nem as ferramentas para analisar a luz das galáxias suficientes para testar a idéia.

"As galáxias aposentadas estavam no nosso nariz havia muito tempo, mas não as identificávamos", disse Roberto Cid Fernandes, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele é um dos autores do estudo, que será publicado em breve na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". "Achamos uma população [de galáxias] que esperávamos que existisse mas que estava esquecida", diz Fernandes.

Os pesquisadores usaram um programa de computador que Fernandes criou em 2005 para analisar imagens de mais de meio milhão de galáxias obtidas pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), um grande esforço de mapeamento do céu que usa um telescópio de 2,5 metros de diâmetro no sul dos EUA.

O software, chamado de "Starlight", analisou a luz de cada galáxia, separando a contribuição de suas estrelas por "faixa etária". "Se a galáxia tem gás para formar estrelas, ela possui estrelas muito jovens que produzem muita radiação ionizante que aquece o gás", explica Fernandes. A luz de uma galáxia cheia de estrelas jovens é muito diferente da luz de uma estrela com um buraco negro com um disco de gás quente.

"Uma galáxia pode ter estrelas velhas e jovens ao mesmo tempo, como a nossa. O Sol é uma estrela velha e temos estrelas jovens aqui por perto", explica Fernandes.

De acordo com Fernandes, as estrelas jovens ofuscam o brilho das estrelas velhas, que só podem ser vistas em uma galáxia onde só elas existem.

"O que o grupo do Cid descobriu foi que muitas das Liners são galáxias formadas predominantemente de estrelas velhas", explica Thaisa.

"Nessa população mais velha, há um tipo de estrela que pode dar origem a uma emissão parecida com a que é produzida quando o gás cai dentro do buraco negro do núcleo da galáxia." Isso faz parecer que a galáxia está em plena atividade, já que galáxias jovens e trabalhadoras lançam seu grande estoque de gás para dentro do seu também ativo buraco negro central.

Caso a caso

Apesar de a amostra do SDSS ser enorme se comparada com o conjunto de apenas 50 galáxias que os primeiros estudos sobre o tema analisaram, vale lembrar que o Universo possui algo em torno de 100 bilhões de galáxias.

Fernandes estima que o SDSS não registra pelo menos metade das galáxias "aposentadas", por sua luz ser fraca.

O astrônomo João Steiner, da Universidade de São Paulo, foi um dos primeiros a propor, em 1983, que alguns Liners fossem galáxias aquecidas pelos megaburacos negros em seus centros. Para Steiner a questão não está resolvida e cada caso é um caso. "As Liners não são uma população de galáxias heterogênea"; pode haver diversos fenômenos físicos produzindo essa mesma luz, diz.Fonte:Folha

Telescópio espacial faz mapa de buracos negros gigantes no Universo


Mapa do céu em raios gama divulgado por agência espacial; faixa brilhante no centro vem de emissões no plano da Via Láctea

Quem sente desconforto ao imaginar que o Universo é salpicado de megaburacos negros pode olhar a imagem à direita e entrar em pânico: boa parte dos pontos avermelhados no mapa são as adjacências de um desses monstros cósmicos.

O mapa, divulgado ontem, foi produzido pelo telescópio espacial Fermi, da Nasa. Ele mostra como é o Universo visto em raios gama, a radiação mais energética do espectro.
O Fermi (antes chamado Glast) foi lançado neste ano para investigar as fontes de raios gama existentes no cosmo. Os cientistas acreditam que essa radiação emane principalmente de núcleos de galáxias, habitados por buracos negros com massas milhões de vezes maiores que as do Sol.

O novo instrumento deve investigar, ainda, as misteriosas explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do Universo -provavelmente também ligados à atividade dos núcleos galácticos.

"Esses jatos têm muito a nos ensinar sobre aceleração de partículas", disse à Folha o físico brasiliense Eduardo do Couto e Silva, da Universidade de Stanford (EUA), vice-diretor do Centro de Operações Científicas do Glast/Fermi.

Segundo ele, o Fermi é tão bom que em quatro dias de operação conseguiu um mapa do céu em raios gama que seu antecessor, o Egret, levou um ano para fazer.

Outra vantagem do novo instrumento, diz, é poder observar uma mesma região do espaço repetidas vezes. "As fontes que emitem raios gama estão em constante mudança. Agora, poderemos ver como esses astros evoluem.

Objeto na Via Láctea pode explicar evolução dos magnetares


Astrônomos descobriram possível magnetar que emitiu 40 flashes de luz visíveis antes de desaparecer; objeto pode ser "elo perdido"

Cientistas espanhóis encontraram na Via Láctea um estranho objeto que poderia ser o "elo perdido" dos magnetares, um grupo de estrelas de nêutrons jovens com um campo magnético muito intenso.

O estudo, realizado por pesquisadores do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, analisa o comportamento "único" do objeto encontrado, que experimentou 40 erupções detectadas na categoria visível do espectro eletromagnético.
No espectro eletromagnético deles foram detectadas 40 erupções. A atividade durou apenas três dias e pôde ser observada a partir de vários observatórios astronômicos.

O pesquisador Alberto Castro Tirado afirma que os magnetares pertencem à categoria de estrelas de nêutrons ou pulsares (com massa original maior que a do Sol e fruto da explosão de uma supernova) e alguns se diferenciam por seu campo magnético.

Os magnetares objetos únicos, segundo Castro, com os campos magnéticos mais potentes do Universo, mas inativos durante décadas, daí que poucos sejam poucos conhecidos. Além disso, uma de suas erupções pode emitir tanta energia quanto o Sol ao longo de mil anos.

A família das estrelas de nêutrons está incompleta e, até agora, foi possível demonstrar que no extremo mais energético estão os magnetares, objetos jovens que, em alguns casos, são detectados por suas intensas e efêmeras emissões em raios gama.

No lado oposto, foram encontradas estrelas de nêutrons isoladas, objetos muito frágeis e velhos que emitem raios X com pouca intensidade, devendo existir milhões de magnetares mortos na galáxia.

Embora alguns cientistas já tenham apontado uma possível evolução dos magnetares para uma velhice tranqüila e débil, nunca havia sido detectado um objeto que pudesse se encaixar entre os dois estágios e provar assim esta evolução.

O comportamento do objeto encontrado confundiu em um primeiro momento os pesquisadores, já que as primeiras observações pareciam indicar que se tratava de uma explosão de raios gama produzida pela morte de uma estrela de uma galáxia distante.

No entanto, depois se comprovou que o objeto não só estava perto, na Via Láctea, mas também mostrava um comportamento diferente, afirmou o cientista.Fonte:Efe

Robô da Nasa parte para nova missão em Marte

Sonda Opportunity viajará dois anos até cratera Endeavour.
A agência espacial americana (Nasa) vai enviar sua sonda Opportunity em uma missão de dois anos para tentar chegar a uma cratera chamada Endeavour, em Marte.

Depois de alcançar a cratera Victoria, que tem quase um quilômetro de diâmetro, o robô terá de se mover cerca de 11 quilômetros para chegar até seu novo alvo, uma distância que vai dobrar o que a Opportunity já percorreu no planeta.

Segundo o repórter da BBC Stephen Jensen, a sonda já enviou ótimas imagens da cratera Victoria.
Durante o caminho até a Endeavour, a Opportunity vai continuar estudando as pedras da superfície de Marte, mas nos meses de inverno a sonda não poderá se mover, pois não há luz do Sol suficiente para gerar energia.

A sonda já coletou informações importantes a respeito da geologia do planeta, incluindo provas de que já existiu água em Marte.

Além das expectativas

A cratera Endeavour é muito maior do que qualquer outra investigação feita pelas sondas - tem 22 quilômetros de diâmetro - e vai ampliar os tipos de rochas estudadas.

As duas sondas de exploração de Marte, Opportunity e Spirit, chegaram em 2004 em uma missão que, inicialmente, deveria durar apenas três meses.

O desempenho dos dois robôs excedeu as expectativas de todos. No entanto, a Nasa admite que a nova missão da Endeavour será muito difícil.

"Podemos não chegar até lá, mas, cientificamente, é a coisa certa a fazer", disse Steve Squyres, da Universidade de Cornell, principal investigador para instrumentos científicos da Opportunity e da Spirit.
"A cratera é incrivelmente grande, comparada com tudo o que vimos antes."

A equipe da missão em Marte prevê que a Opportunity possa viajar cerca de 100 metros por dia, numa jornada que deve levar dois anos.

Imagens detalhadas do satélite Mars Reconaissance Orbiter vão ajudar a escolher a melhor rota para a sonda. E um novo programa recentemente carregado na Opportunity permitirá que o robô tome suas próprias decisões sobre como contornar rochas maiores que fiquem no caminho.

A sonda não terá de lidar com os problemas de movimentação já enfrentados pela Spirit, que teve um defeito em uma das rodas e agora se move apenas de marcha à ré.Fonte:G1

Sobe ao espaço com sucesso nave chinesa com três astronautas




Imagens da televisão estatal chinesa mostram momento da decolagem (Foto: AP/CCTV)

Lançamento marca terceira ida de tripulação da China ao espaço.
Missão Shenzhou 7 deve incluir primeira caminhada espacial do programa.
A China lançou com sucesso sua terceira -- e mais audaciosa -- missão tripulada. Depois de se tornar a terceira potência nacional a enviar gente ao espaço por seus próprios meios (depois de Rússia e EUA), os chineses agora pretendem realizar sua primeira caminhada espacial.

"Este vai ser um enorme passo adiante para a tecnologia aeroespacial do nosso país. Vocês certamente serão capazes de cumprir esse papel sagrado e glorioso. A pátria e seu povo esperam seu retorno triunfante", declarou o presidente chinês Hu Jintao à equipe de astronautas, pouco antes da partida.
A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.

Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.

A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.

Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.

Abertura


Os chineses começam a se abrir um pouco mais com relação a seu programa espacial tripulado. Tanto que houve um encontro da tripulação com a imprensa, na noite desta quarta-feira (24).

"A missão Shenzhou 7 marca um avanço histórico no programa tripulado chinês. É uma grande honra para nós três voar nessa missão, e estamos totalmente preparados para o desafio", disse Zhai Zhigang à imprensa, segundo a agência chinesa Xinhua. "Fui incluído na fase final de treinamentos três vezes, durante as missões Shenzhou 5, 6 e 7", afirmou, comemorando sua escalação para o vôo de 2008.

A inédita caminhada espacial a ser promovida por um dos três tripulantes -- ponto alto da missão -- deve ser transmitida ao vivo pela televisão chinesa.

Caso tudo dê certo, o astronauta escolhido para andar no espaço passará 40 minutos fora da espaçonave. É uma oportunidade para a China testar seus trajes espaciais e sua mobilidade -- elementos essenciais para a futura construção de uma estação.
O traje chinês, assim como a espaçonave, é fortemente baseado em tecnologia russa. A Shenzhou é uma versão aprimorada da Soyuz, nave usada há décadas pelos russos em seu programa espacial. As principais diferenças estão no módulo de experimentos, que é maior e tem mais funcionalidades na Shenzhou do que na Soyuz.

A nave chinesa também tem mais painéis solares e, portanto, mais eletricidade que sua contraparte russa.



Passos seguros


A China iniciou seu projeto de vôo espacial tripulado em 1999. Após quatro missões-teste, sem tripulação humana, em 2003 partia a nave Shenzhou 5, com Yang Liwei -- o primeiro ser humano colocado no espaço pela China.

Uma segunda missão veio em 2005, quando os astronautas Fei Junlong e Nie Haisheng passaram cinco dias no espaço, a bordo da Shenzhou 6. O vôo confirmou a durabilidade e confiabilidade da espaçonave.

Agora, vem o primeiro vôo com a capacidade máxima a bordo -- três tripulantes -- e com uma caminhada espacial nos planos.
Na foto:Já com traje espacial, trio se dirige para a Shenzhou (Foto: AP/Xinhua)
e sem o traje espacial.Fonte:G1

Eta Carina - uma Estrela em Agonia


Eta Carina numa composição de imagens dos telescópios Chandra [raios X] e Hubble [óptico].Figura

Astrônomo brasileiro comenta notícia publicada na Nature, em 11 de setembro de 2008, sobre a morte anunciada da mais luminosa estrela da Via Láctea.

O astrônomo Natahn Smith da Universidade da California em Berkeley anuncia evidências de que a estrela luminosa azul eta Carina está já em processo de morte. O evento ocorrido em 1843, quando a estrela foi vista em pleno dia não foi uma erupção, mas a primeira de uma série de explosões nucleares que precedem a explosão final da estrela que acontecerá em breve ─ numa escala de décadas a séculos.

Até hoje se imaginava que grandes estrelas, com massa maior que 10 vezes a do Sol terminavam sua vida numa grande explosão, denominada de supernova ─ um único evento que libera a energia que o Sol emitirá ao longo toda sua vida de 10 bilhões de anos, ou seja, o equivalente a quarenta bilhões de magatons a cada segundo.

A novidade é que estrelas supermassivas como eta Carina parecem sofrer uma série de explosões nucleares preliminares, antes da explosão final. São como "ataques cardíacos" em que ocorre explosão nuclear parcial do núcleo. Numa oscilação instável, são criados pares de partículas e anti-partículas que detonam parcialmente o núcleo da estrela. No entanto, este volta a se recompor, mas instabilidades fazem o fenômeno acontecer repetidamente até que o núcleo central inteiro explode, brilhando mais que uma centena de galáxias como a nossa. São as chamadas explosões de hipernovas, como a 2006gy, observada em 2006. Nesse caso, antes da explosão final, a estrela havia passado dez anos antes por uma erupção como a que eta Carina teve há dois séculos atrás.

Até há pouco tempo, se imaginava que a grande erupção de eta Carina tivesse sido um fenômeno periférico, ocorrido próximo à superfície da estrela. Uma espécie de "doença de pele devido ao estágio senil da estrela". Mas os dados de N. Smith, obtidos com o telescópio Gemini Sul ─ localizado em Cerro Pachón, no Chile ─ mostram duas evidências de que se tratou de uma verdadeira explosão. Por um lado, Smith mediu a massa do Homúnculo ─ nebulosas ejetada pela estrela a 650 km/s ─ obtendo o valor de 12 massas solares, o que exigiria uma potência igual à de uma supernova comum. Por outro lado, ele encontrou bolsões de gás ejetados com velocidades de até 4000 km/s, que não podem ser emitidos por estrelas tão frias como eta Carina (15000 K). Smith mostra que esse gás não vem da estrela secundária ─ invisível e muito mais quente (37000K) ─ proposta em 1997 por Damineli, Conti e Lopes, pois sua composição química é a mesma da estrela principal, mais luminosa.

Quando ocorrerá a gigantesca explosão que destacará a Via Láctea dentre todas as outras do Universo local? Bem, eta Carina já exibiu duas outras grandes explosões, uma em 1890 e outra entre 500 e 1000 anos atrás. A próxima pode ser a derradeira e pode acontecer nas próximas décadas, séculos, ou no máximo, em um milênio!

Por :Augusto Damineli É chefe do departamento de astronomia do Instituto Astronômico, Geofísico e de Ciências Atmosféricas (IAG-USP), é o representante brasileiro da IAU para as comemorações do Ano Internacional da Astronomia

Estrelas supermassivas sinalizam buracos negros


Nuvens de gás orbitando buracos negros sobrevivem por tempo suficiente para formar estrelas

Pesquisadores relatam ter descoberto como um aglomerado de estrelas massivas no centro da Via Láctea, a poucos trilhões de quilômetros de um buraco negro supermassivo.

Esse grupo de estrelas ─ cerca de 100 delas, dispostas em um disco alongado ─ desafia teorias de formação de estrelas que prevêem sua formação quando nuvens de hidrogênio coalescem sob a ação de sua força gravitacional.

A gravidade nas proximidades de um buraco negro supermassivo ─ com milhões de vezes a massa do Sol ─ deveria ter estraçalhado essa nuvem como uma gota de tinta num batedor de ovos, antes que tivesse a oportunidade de formar estrelas.

Para tentar resolver esse mistério, pesquisadores da University of St. Andrew e da University of Edinburgh, ambas na Escócia, simularam o destino de uma nuvem de hidrogênio com 10.000 massas solares que, de repente, flutuou nas proximidades de um buraco negro. Verificou-se que, embora uma boa parte da nuvem tivesse sido ejetada (ver imagem), ondas de choque e outras turbulências teriam extinguido um décimo do seu momento angular interno, fazendo com que ela entrasse em órbita ao redor do buraco negro, durante um período suficiente para permitir a formação de estrelas.

Buraco negro envolvido por disco de gás hidrogênio (vermelho) em simulação que mostra como estrelas se formam em torno do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.Veja a figura

Resultados publicados na revista Science explicam porque todas as estrelas observadas são muito mais massivas que o Sol, enquanto que estrelas que se formam em outras regiões do espaço, normalmente têm tamanhos diferentes: a compressão pelo buraco negro aquece o gás e só uma grande massa de gás teria a gravidade necessária para vencer sua própria expansão e colapsar gerando uma estrela.

Pesquisadores não estão certos sobre o que fazer com essas estrelas, que acreditam ter cerca de seis milhões de anos. São muito jovens para terem se formado a grandes distâncias do buraco negro e espiralado em sua direção, comenta Ian Bonnell , autor do estudo e astrofísico de St. Andrews. “Elas realmente não deveriam estar lá, a menos que tivessem se formado nesse local”.

As descobertas coincidem com outras simulações indicando que grandes estrelas tendem a se formar em torno de buracos negros, muito embora haja divergências em relação aos detalhes, avalia Reinhard Genzel, diretor do Instituto Max Plank para Física Extraterrestre, em Garching, Alemanha.

O que as simulações ainda não explicam é a origem de cerca de 25 estrelas massivas distribuídas aleatoriamente ─ ainda mais para dentro do núcleo galáctico ─ que fornecem evidências importantes sobre o buraco negro da Via Láctea.

Suspeita-se que possam ser remanescentes de sistemas binários de estrelas que vagavam pelas proximidades do buraco negro e foram separadas violentamente, sendo uma delas ejetadas para fora da Via Láctea e a outra permanecendo em torno do buraco negro. “Por mais maluca que possa parecer, essa é a opção mais provável” conclui Genzel.Por Scientific American