O planeta agora encontrado tem três sóis, e é similar à Terra em termos de massa - mas está fora da zona habitável, sendo provavelmente mais quente do que Mercúrio. [Imagem: ESO/L. Calçada/N. Risinger]
Estrela mais próxima da Terra
Astrônomos localizaram um planeta com massa semelhante à da Terra em órbita de uma estrela do sistema de Alfa Centauri, na constelação do Centauro.
É o exoplaneta mais próximo da Terra já encontrado, e é também o mais leve encontrado em torno de uma estrela similar ao Sol.
O planeta agora encontrado é similar à Terra em termos de massa, mas está fora da zona habitável, sendo provavelmente mais quente do que Mercúrio.
A Alfa Centauri é uma das estrelas mais brilhantes do céu austral e é o sistema estelar mais próximo do nosso Sistema Solar - encontrando-se a apenas 4,3 anos-luz de distância.
Trata-se, na realidade, de uma estrela tripla, um sistema constituído por duas estrelas semelhantes ao Sol, em órbita muito próxima uma da outra, chamadas Alfa Centauri A e B, e uma outra estrela vermelha, mais distante e de luz mais fraca, conhecida como Proxima Centauri.
A Proxima Centauri encontra-se ligeiramente mais próxima da Terra do que as suas companheiras, por isso é formalmente a estrela mais próxima de nós.
Planeta com três sóis
O planeta agora descoberto possui uma massa um pouco maior que a da Terra - o método das velocidades radiais, usado na descoberta, permite estimar apenas a massa mínima de um planeta.
Alfa Centauri B é muito semelhante ao Sol, embora seja ligeiramente menor e menos brilhante.
A órbita da outra componente brilhante da estrela dupla, Alfa Centauri A, faz com que esta se mantenha centenas de vezes mais afastada, mas ainda assim esta estrela seria um objeto muito brilhante no céu do planeta.
Proxima Centauri aparece mais distante no céu.
Assim, o planeta possui três sóis, perdendo pouco para um planeta com quatro sóis cuja descoberta foi anunciada ontem.
O primeiro exoplaneta em órbita de uma estrela do tipo solar foi encontrado pela mesma equipe em 1995, e desde essa altura houve já mais de 800 descobertas confirmadas. No entanto, a maioria dos planetas são maiores que a Terra e muitos são tão grandes quanto Júpiter.
Não habitável
O desafio atual dos astrônomos é detectar um planeta com massa comparável à da Terra que orbite na zona habitável de uma outra estrela, que ainda não é o caso deste que acaba de ser encontrado.
O novo exoplaneta orbita a cerca de seis milhões de quilômetros de distância da estrela, muito mais perto do que Mercúrio se encontra do Sol no nosso Sistema Solar.
"Este é o primeiro planeta com massa semelhante à Terra encontrado em torno de uma estrela como o Sol. A sua órbita encontra-se muito próxima da estrela e por isso o planeta deve ser demasiado quente para poder ter vida tal como a conhecemos," acrescenta Stéphane Udry (Observatório de Genebra).
Contudo, este é apenas o primeiro planeta localizado neste sistema e, muito provavelmente, não é o único.
"Este resultado representa um enorme passo na detecção de um gêmeo da Terra, na vizinhança imediata do Sol. Estamos vivendo uma época entusiasmante," disse Xavier Dumusque (Observatório de Genebra, Suíça e Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, Portugal).
Vizinhança planetária
Desde o século XIX que os astrônomos especulam sobre a existência de planetas em órbita destes corpos celestes, os mais próximos de nós, que poderiam abrigar vida além do Sistema Solar.
No entanto, só agora os equipamentos de observação alcançaram a precisão suficiente para localizá-los.
"As nossas observações, que se estenderam ao longo de mais de quatro anos, obtidas com o instrumento HARPS, revelaram um sinal, minúsculo mas real, de um planeta que orbita Alfa Centauri B, a cada 3,2 dias," diz Xavier Dumusque. "É uma descoberta extraordinária, que levou a nossa técnica ao limite."
Método das velocidades radiais
A equipe descobriu o planeta ao detectar pequenos desvios no movimento da estrela Alfa Centauri B, criados pela atração gravitacional do planeta em órbita.
O efeito é minúsculo, fazendo com que a estrela se desloque para a frente e para trás não mais que 51 centímetros por segundo (1,8 km/hora), o que corresponde à velocidade de um bebê engatinhando. Esta é a precisão mais elevada já conseguida com este método.
Para isso, foi usado o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros, instalado no Observatório de La Silla, no Chile.
O HARPS mede a velocidade radial de uma estrela - a sua velocidade na direção da Terra, tanto em afastamento como em aproximação - com extraordinária precisão.
Um planeta que orbita uma estrela faz com que a estrela se desloque regularmente, aproximando-se e afastando-se de um observador na Terra. Devido ao efeito Doppler, esta variação da velocidade radial induz um deslocamento no espectro da estrela na direção dos maiores comprimentos de onda quando esta se afasta (chamado um desvio para o vermelho) ou na direção dos menores comprimentos de onda, quando a estrela se aproxima (desvio para o azul).
Este pequeníssimo desvio do espectro da estrela pode ser medido com um espectrógrafo de elevada precisão, como o HARPS, e usado para inferir a presença de um planeta.Fonte:Bibliografia:
An Earth-mass planet orbiting α Centauri B
Xavier Dumusque, Francesco Pepe, Christophe Lovis, Damien Ségransan, Johannes Sahlmann, Willy Benz, François Bouchy, Michel Mayor, Didier Queloz, Nuno Santos, Stéphane Udry
Nature Physics
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature11572
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Asilo de estrelas tem moradoras estranhamente jovens
Esta imagem colorida do aglomerado globular NGC 6362 foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Esta brilhante bola de estrelas antigas situa-se na constelação austral do Altar. [Imagem: ESO]
Asilo de estrelas
Esta é a melhor vista já obtida do aglomerado estelar globular NGC 6362, gerada pelo telescópio do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile, e pelo Telescópio Espacial Hubble, que fotografou a região central do objeto.
Aglomerados globulares são compostos por dezenas de milhares de estrelas muito antigas, embora alguns contenham algumas estrelas que parecem bastante novas.
Apesar disso, os aglomerados globulares encontram-se entre os objetos mais antigos do Universo, e o NGC 6362 não consegue esconder a sua idade.
As muitas estrelas amareladas já viveram a maior parte das suas vidas e tornaram-se estrelas gigantes vermelhas.
No entanto, os aglomerados globulares não são relíquias estáticas do passado - alguma atividade estelar bastante interessante ainda tem lugar nestas densas cidades estelares.
Vagabundas azuis
O NGC 6362 abriga muitas estrelas vagabundas azuis - estrelas velhas mas que, na realidade, parecem ser bastante jovens.
Todas as estrelas em um aglomerado formam-se a partir do mesmo material e aproximadamente ao mesmo tempo (tipicamente há cerca de 10 bilhões de anos, para a maioria dos aglomerados).
No entanto, as vagabundas azuis são mais azuis e luminosas - consequentemente com maior massa - do que seria de esperar depois de dez bilhões de anos de evolução estelar.
As estrelas azuis são quentes e consomem o seu combustível muito depressa, por isso, se estas estrelas se formaram há cerca de dez bilhões de anos, deveriam ter já desaparecido há muito tempo.
Como é que sobreviveram?
Os astrônomos procuram entender o segredo da aparência jovem das vagabundas azuis.
Atualmente, existem duas teorias para explicar este fenômeno: estrelas que colidem e se fundem, e transferência de matéria entre duas estrelas companheiras.
A ideia básica por trás destas duas teorias é que as estrelas não nasceram tão grandes como as vemos hoje, mas que receberam sim, uma injeção de material em determinado momento das suas vidas, o que lhes deu claramente uma "vida nova".
Aglomerado globular NGC 6362
Embora menos conhecido do que outros aglomerados globulares mais brilhantes, NGC 6362 é um objeto que suscita interesse na comunidade astronômica, e por isso tem sido bastante estudado ao longo dos anos.
Ele foi selecionado como um dos 160 campos estelares para o rastreio Pre-FLAMES - um rastreio preliminar feito entre 1999 e 2002, com o telescópio de 2,2 metros em La Silla, no intuito de encontrar estrelas adequadas a observações posteriores com o espectroscópio FLAMES do VLT. Esta imagem foi obtida de dados obtidos no âmbito deste rastreio.
A nova imagem mostra todo o aglomerado sob um rico fundo de estrelas da Via Láctea.
As partes centrais de NGC 6262 foram igualmente estudadas em detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble. A imagem do Hubble mostra uma região muito menor do céu, mas muito mais detalhada. As duas imagens - uma de grande angular e outra em zoom - complementam-se perfeitamente.
Esta brilhante bola de estrelas situa-se na constelação austral do Altar. Pode ser facilmente observada com um pequeno telescópio. Foi o primeiro aglomerado descoberto em 1826 pelo astrônomo escocês James Dunlop, que utilizou para o efeito um telescópio de 22 centímetros, na Austrália.Fonte:ESO
Asilo de estrelas
Esta é a melhor vista já obtida do aglomerado estelar globular NGC 6362, gerada pelo telescópio do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile, e pelo Telescópio Espacial Hubble, que fotografou a região central do objeto.
Aglomerados globulares são compostos por dezenas de milhares de estrelas muito antigas, embora alguns contenham algumas estrelas que parecem bastante novas.
Apesar disso, os aglomerados globulares encontram-se entre os objetos mais antigos do Universo, e o NGC 6362 não consegue esconder a sua idade.
As muitas estrelas amareladas já viveram a maior parte das suas vidas e tornaram-se estrelas gigantes vermelhas.
No entanto, os aglomerados globulares não são relíquias estáticas do passado - alguma atividade estelar bastante interessante ainda tem lugar nestas densas cidades estelares.
Vagabundas azuis
O NGC 6362 abriga muitas estrelas vagabundas azuis - estrelas velhas mas que, na realidade, parecem ser bastante jovens.
Todas as estrelas em um aglomerado formam-se a partir do mesmo material e aproximadamente ao mesmo tempo (tipicamente há cerca de 10 bilhões de anos, para a maioria dos aglomerados).
No entanto, as vagabundas azuis são mais azuis e luminosas - consequentemente com maior massa - do que seria de esperar depois de dez bilhões de anos de evolução estelar.
As estrelas azuis são quentes e consomem o seu combustível muito depressa, por isso, se estas estrelas se formaram há cerca de dez bilhões de anos, deveriam ter já desaparecido há muito tempo.
Como é que sobreviveram?
Os astrônomos procuram entender o segredo da aparência jovem das vagabundas azuis.
Atualmente, existem duas teorias para explicar este fenômeno: estrelas que colidem e se fundem, e transferência de matéria entre duas estrelas companheiras.
A ideia básica por trás destas duas teorias é que as estrelas não nasceram tão grandes como as vemos hoje, mas que receberam sim, uma injeção de material em determinado momento das suas vidas, o que lhes deu claramente uma "vida nova".
Aglomerado globular NGC 6362
Embora menos conhecido do que outros aglomerados globulares mais brilhantes, NGC 6362 é um objeto que suscita interesse na comunidade astronômica, e por isso tem sido bastante estudado ao longo dos anos.
Ele foi selecionado como um dos 160 campos estelares para o rastreio Pre-FLAMES - um rastreio preliminar feito entre 1999 e 2002, com o telescópio de 2,2 metros em La Silla, no intuito de encontrar estrelas adequadas a observações posteriores com o espectroscópio FLAMES do VLT. Esta imagem foi obtida de dados obtidos no âmbito deste rastreio.
A nova imagem mostra todo o aglomerado sob um rico fundo de estrelas da Via Láctea.
As partes centrais de NGC 6262 foram igualmente estudadas em detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble. A imagem do Hubble mostra uma região muito menor do céu, mas muito mais detalhada. As duas imagens - uma de grande angular e outra em zoom - complementam-se perfeitamente.
Esta brilhante bola de estrelas situa-se na constelação austral do Altar. Pode ser facilmente observada com um pequeno telescópio. Foi o primeiro aglomerado descoberto em 1826 pelo astrônomo escocês James Dunlop, que utilizou para o efeito um telescópio de 22 centímetros, na Austrália.Fonte:ESO
Maior imagem astronômica já feita tem 84 milhões de estrelas
Esta vista de campo largo da Via Láctea mostra o tamanho da nova imagem infravermelha do centro da Galáxia. Estes dados cobrem a região conhecida como o bojo da galáxia. A região coberta pelo novo catálogo está marcada com um retângulo.[Imagem: ESO/Nick Risinger]
Vista infravermelha
Utilizando uma imagem enorme, de vários gigapixels, feita pelo telescópio de rastreio infravermelho VISTA, uma equipe internacional de astrônomos criou um catálogo de mais de 84 milhões de estrelas situadas nas partes centrais da Via Láctea.
Esta base de dados gigantesca contém dez vezes mais estrelas que estudos anteriores e representa uma enorme passo na compreensão da nossa Galáxia. Embora o efeito não possa ser visto na imagem, o resultado do trabalho é um mapa navegável, em que os astrônomos podem fazer zooms e "navegar" entre as estrelas.
O telescópio VISTA havia concluído recentemente um mapeamento de 200 mil galáxias.
"Ao observar em detalhe as miríades de estrelas que circundam o centro da Via Láctea, podemos aprender mais sobre a formação e evolução, não só da nossa galáxia, mas também das galáxias espirais de uma maneira geral," explica Roberto Saito (Pontificia Universidade Católica do Chile), autor principal deste estudo.
Bojo da galáxia
A maioria das galáxias espirais, incluindo a nossa galáxia, a Via Láctea, possuem uma grande concentração de estrelas velhas que rodeiam o centro, zona que os astrônomos chamam o bojo. Compreender a formação e evolução do bojo da Via Láctea é vital para compreender a galáxia como um todo. No entanto, obter observações detalhadas desta região não é tarefa fácil.
"Observar o bojo da Via Láctea é muito difícil porque este se encontra obscurecido por poeira," diz Dante Minniti, coautor do estudo. "Para espreitar no coração da galáxia, temos que observar no infravermelho, radiação que é menos afetada pela poeira."
A equipe de astrônomos utilizou dados do programa Variáveis VISTA na Via Láctea (VVV), um dos seis rastreios públicos levados a cabo pelo VISTA.
Maior imagem astronômica já feita
Os dados foram usados para criar uma imagem a cores monumental, de 54.000 por 40.500 pixels, o que corresponde a um total de 2 bilhões de pixels.
Esta é a maior imagem astronômica já feita.
A equipe utilizou estes dados para compilar o maior catálogo já compilado da concentração central de estrelas na Via Láctea.
A imagem cobre cerca de 315 graus quadrados no céu (um pouco menos de 1% de todo o céu).
Ela contém cerca de 137 milhões de objetos, 84 milhões dos quais foram confirmados como sendo estrelas.
Os demais objetos ou são tênues demais ou misturaram-se com os seus vizinhos ou foram afetados por outros efeitos, e por isso não foi possível fazer medições precisas.
Outros são ainda objetos distantes, como, por exemplo, outras galáxias.
Diagrama cor-magnitude
Para ajudar a analisar este enorme catálogo, é calculado o brilho de cada estrela em função da cor, para as cerca de 84 milhões de estrelas, de modo a criar um diagrama cor-magnitude.
Um diagrama cor-magnitude é um gráfico que mostra o brilho aparente de um conjunto de objetos em função das suas cores.
A cor é medida comparando o brilho dos objetos quando observados através de filtros diferentes. É um diagrama parecido a um diagrama de Hertzsprung-Russell (HR), com a diferença de que este último apresenta a luminosidade (ou magnitude absoluta) em vez do brilho aparente. No caso de um diagrama HR precisamos também de saber a distância até as estrelas.
Os diagramas cor-magnitude são ferramentas indispensáveis utilizadas pelos astrônomos para estudar as diferentes propriedades físicas das estrelas, tais como temperaturas, massas e idades.
Trânsito de exoplanetas
"Cada estrela ocupa um lugar particular no diagrama em cada momento da sua vida. Este lugar depende de quão brilhante e quente ela é. Uma vez que estes novos dados nos dão uma fotografia instantânea de todas as estrelas de uma só vez, conseguimos fazer um censo de todas as estrelas nesta zona da Via Láctea," explica Dante Minniti.
O novo diagrama cor-magnitude do bojo contém imensa informação sobre a estrutura e o conteúdo da Via Láctea. Um resultado interessante revelado por estes novos dados é a existência de um grande número de estrelas anãs vermelhas de fraca luminosidade.
Estas estrelas são boas candidatas à procura de pequenos exoplanetas na sua órbita, pelo método de trânsito.
O método de trânsito procura um pequeno decréscimo no brilho de uma estrela, que ocorre quando um planeta passa à sua frente, bloqueando uma da sua radiação.
O pequeno tamanho das estrelas anãs vermelhas, tipicamente de tipo espectral K e M, origina um decréscimo relativamente maior em brilho quando planetas de baixa massa passam à sua frente, tornando por isso mais fácil procurar planetas nas suas órbitas.Fonte:ESO-Notícia do dia 25102012
Vista infravermelha
Utilizando uma imagem enorme, de vários gigapixels, feita pelo telescópio de rastreio infravermelho VISTA, uma equipe internacional de astrônomos criou um catálogo de mais de 84 milhões de estrelas situadas nas partes centrais da Via Láctea.
Esta base de dados gigantesca contém dez vezes mais estrelas que estudos anteriores e representa uma enorme passo na compreensão da nossa Galáxia. Embora o efeito não possa ser visto na imagem, o resultado do trabalho é um mapa navegável, em que os astrônomos podem fazer zooms e "navegar" entre as estrelas.
O telescópio VISTA havia concluído recentemente um mapeamento de 200 mil galáxias.
"Ao observar em detalhe as miríades de estrelas que circundam o centro da Via Láctea, podemos aprender mais sobre a formação e evolução, não só da nossa galáxia, mas também das galáxias espirais de uma maneira geral," explica Roberto Saito (Pontificia Universidade Católica do Chile), autor principal deste estudo.
Bojo da galáxia
A maioria das galáxias espirais, incluindo a nossa galáxia, a Via Láctea, possuem uma grande concentração de estrelas velhas que rodeiam o centro, zona que os astrônomos chamam o bojo. Compreender a formação e evolução do bojo da Via Láctea é vital para compreender a galáxia como um todo. No entanto, obter observações detalhadas desta região não é tarefa fácil.
"Observar o bojo da Via Láctea é muito difícil porque este se encontra obscurecido por poeira," diz Dante Minniti, coautor do estudo. "Para espreitar no coração da galáxia, temos que observar no infravermelho, radiação que é menos afetada pela poeira."
A equipe de astrônomos utilizou dados do programa Variáveis VISTA na Via Láctea (VVV), um dos seis rastreios públicos levados a cabo pelo VISTA.
Maior imagem astronômica já feita
Os dados foram usados para criar uma imagem a cores monumental, de 54.000 por 40.500 pixels, o que corresponde a um total de 2 bilhões de pixels.
Esta é a maior imagem astronômica já feita.
A equipe utilizou estes dados para compilar o maior catálogo já compilado da concentração central de estrelas na Via Láctea.
A imagem cobre cerca de 315 graus quadrados no céu (um pouco menos de 1% de todo o céu).
Ela contém cerca de 137 milhões de objetos, 84 milhões dos quais foram confirmados como sendo estrelas.
Os demais objetos ou são tênues demais ou misturaram-se com os seus vizinhos ou foram afetados por outros efeitos, e por isso não foi possível fazer medições precisas.
Outros são ainda objetos distantes, como, por exemplo, outras galáxias.
Diagrama cor-magnitude
Para ajudar a analisar este enorme catálogo, é calculado o brilho de cada estrela em função da cor, para as cerca de 84 milhões de estrelas, de modo a criar um diagrama cor-magnitude.
Um diagrama cor-magnitude é um gráfico que mostra o brilho aparente de um conjunto de objetos em função das suas cores.
A cor é medida comparando o brilho dos objetos quando observados através de filtros diferentes. É um diagrama parecido a um diagrama de Hertzsprung-Russell (HR), com a diferença de que este último apresenta a luminosidade (ou magnitude absoluta) em vez do brilho aparente. No caso de um diagrama HR precisamos também de saber a distância até as estrelas.
Os diagramas cor-magnitude são ferramentas indispensáveis utilizadas pelos astrônomos para estudar as diferentes propriedades físicas das estrelas, tais como temperaturas, massas e idades.
Trânsito de exoplanetas
"Cada estrela ocupa um lugar particular no diagrama em cada momento da sua vida. Este lugar depende de quão brilhante e quente ela é. Uma vez que estes novos dados nos dão uma fotografia instantânea de todas as estrelas de uma só vez, conseguimos fazer um censo de todas as estrelas nesta zona da Via Láctea," explica Dante Minniti.
O novo diagrama cor-magnitude do bojo contém imensa informação sobre a estrutura e o conteúdo da Via Láctea. Um resultado interessante revelado por estes novos dados é a existência de um grande número de estrelas anãs vermelhas de fraca luminosidade.
Estas estrelas são boas candidatas à procura de pequenos exoplanetas na sua órbita, pelo método de trânsito.
O método de trânsito procura um pequeno decréscimo no brilho de uma estrela, que ocorre quando um planeta passa à sua frente, bloqueando uma da sua radiação.
O pequeno tamanho das estrelas anãs vermelhas, tipicamente de tipo espectral K e M, origina um decréscimo relativamente maior em brilho quando planetas de baixa massa passam à sua frente, tornando por isso mais fácil procurar planetas nas suas órbitas.Fonte:ESO-Notícia do dia 25102012
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