quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Jipe da Nasa filma redemoinho em Marte



Seqüência de imagens recém-obtidas mostra avanço de coluna de poeira.
Esses chamados "dust devils" são comuns, mas as novas fotos são as melhores já obtidas.
As câmeras do veículo explorador Spirit, da Nasa, produziram um "filme" que mostra o avanço de um redemoinho de poeira sobre a superfície de Marte, informa a agência espacial americana.
Seqüência de imagens obtidas pelo jipe robótico Spirit mostra minifuração em Marte. (Foto: Nasa)
"Este é o melhor redemoinho avistado durante os três anos da missão do veículo de seis rodas que percorre a superfície marciana", disse a Nasa em comunicado.

Nas fotografias transmitidas para a Terra, a coluna de poeira, similar à de um tornado, mas de menores dimensões (fenômeno chamado em inglês de "dust devil"), pode ser vista claramente sobre a árida superfície do planeta.

O Spirit e seu veículo gêmeo Opportunity chegaram a Marte em janeiro de 2004 e desde então examinam, quase ininterruptamente, a superfície e a atmosfera marciana.

Grupo acha planeta extra-solar habitável


Mundo localizado a 20,4 anos-luz de distância pode abrigar vida.
Cientistas estimam que ele seja só um pouco maior que a Terra.
A busca finalmente terminou -- ou, nas palavras dos próprios cientistas, ela acaba de ficar mais interessante. Um grupo europeu de pesquisadores acaba de descobrir um planeta fora do Sistema Solar que é muito parecido com a Terra, com potenciais condições para abrigar vida.

Ele é um dos três planetas conhecidos que orbitam uma estrela chamada Gliese 581. Trata-se de uma estrela das mais comuns, de uma classe conhecida como anã vermelha -- menor e mais fria que o Sol. O planeta mais interno é provavelmente um gigante gasoso, com tamanho similar ao de Netuno, e completa uma órbita em torno da estrela a cada 5,4 dias terrestres. Ele foi descoberto dois anos atrás.

As novidades são os outros dois planetas, apresentados num artigo científico submetido ao periódico "Astronomy and Astrophysics" (que estava embargado até as 20h desta terça-feira). O mais externo completa uma volta a cada 84 dias e tem cerca de oito vezes a massa terrestre. Mas interessante mesmo é o planeta do meio. Ele possui "apenas" cinco vezes a massa da Terra (é o menor já detectado) e tem um ano que dura míseros 13 dias.

Embora ele esteja muito mais próximo de Gliese 581 do que a Terra do Sol, como sua estrela é muito menos brilhante, sua órbita cai na chamada Zona de Habitabilidade. É a região em que um planeta não fica nem muito quente, nem muito frio, e pode abrigar água em estado líquido -- principal característica essencial à vida.

O grupo liderado por Michel Mayor, do Observatório de Genebra, na Suíça, estima que a temperatura média nesse mundo fique entre 0 e 40 graus Celsius -- não muito diferente da Terra, cuja temperatura média é de 15 graus.

Concepção artística do planeta habitável ao redor de Gliese 581. (Foto: ESO)

Astrônomos acham planeta de gelo quente


Astro fica a 30 anos-luz da Terra e pode ter criado estado exótico da água por pressão.
Achado abre caminho para detecção de planetas só com oceanos.
Parece piada de astrônomo, mas pode ser a mais pura verdade: um planeta cujo principal componente é gelo. Quente. A uma temperatura de 300 graus Celsius, para ser mais exato.



A descoberta dessas propriedades planetárias para lá de exóticas foi anunciada por uma equipe internacional de astrônomos, incluindo cientistas da Suíça, de Israel e da Bélgica. Usando um telescópio do Observatório François-Xavier Bagnoud, na Suíça, eles observaram a passagem do planeta GJ436b diante de sua estrela-mãe e puderam estimar seu diâmetro.



O planeta já era conhecido dos pesquisadores desde 2004, mas havia sido originalmente detectado por outro método, que mede a influência gravitacional do planeta sobre sua estrela e, portanto, sua massa. Ao juntar o diâmetro do planeta -- cerca de 50 mil km -- com sua massa, próxima da de Netuno, os pesquisadores foram capazes de estimar suas estranhas propriedades.


Gelo quente


O planeta GJ436b está a 30 anos-luz da Terra e gira em torno de uma anã vermelha, estrela bem menor e mais fria que o Sol. No entanto, ele está a uma distância muito mais próxima de sua estrela do que Mercúrio está do nosso Sol, o que significa que a temperatura de sua superfície é igual ou superior a 300 graus Celsius. Ao mesmo tempo, ele não é nem grande e rarefeito o suficiente para ser um gigante gasoso, como Júpiter, nem pequeno e compacto o suficiente para ser um planeta rochoso, como a Terra.

Os cientistas sugerem que, na atmosfera do planeta, a água apareceria na forma de vapor, por causa das altas temperaturas. Mas, conforme se desce para o interior do planeta, a pressão se tornaria tão grande que a água acabaria chegando ao estado sólido, mesmo com a temperatura alta. Esse "gelo quente" é um dos muitos estados possíveis da água sob alta pressão, lembrando a transformação do carbono em diamante nas mesmas condições.

Para a equipe, o achado também sugere que planetas-oceano -- formados inteiramente por água líquida -- são possíveis. Bastaria que um planeta com a mesma composição se colocasse numa posição mais amena e menos quente ao redor de sua estrela.
Concepção artística mostra como seria planeta de "gelo quente". (Imagem: Nasa/Divulgação).

Tecnologia faz astrônomo tirar olho do céu



Astronomia moderna não faz mais observação direta.
Telescópios enviam imagens diretamente para os computadores.
Geoff Marcy observou 85 estrelas diferentes na noite passada, mas ele realmente não viu nenhuma delas. O gigantesco telescópio Keck que ele usou, instalado no cume do vulcão havaiano Mauna Kea, manda imagens diretamente para uma câmera digital para serem analisadas por um computador.



"Não há locais para observação direta. De fato, nós não temos nenhum no telescópio Keck", disse Marcy, um professor de astronomia da Universidade da Califórnia em entrevista por telefone após uma noite de caçada de planetas. "Uma parte do romantismo da astronomia acabou", complementa ele.



Séculos atrás, Galileu Galilei fez desenhos de quatro das luas de Júpiter -- Io, Calisto, Europa e Ganimedes -- armado apenas com um pequeno e simples telescópio, assim como fez Giovanni Schiaparelli, que descobriu "canais" em Marte.



Marcy não precisa ficar com olho grudado na lente do telescópio e nem por isso seus métodos deixam de ser muito mais eficientes que os usados por seus predecessores.
"Nós varremos 85 estrelas em uma noite", disse Marcy. "Começamos às seis da tarde e terminamos às 4h30. Nunca paramos e nunca tiramos qualquer folga. O maior telescópio do mundo é tão precioso que você não vai querer desperdiçar um segundo (de observação)."



Ele, de fato, não está nem sentado perto do telescópio. O equipamento de oito andares de altura está a 45 minutos de carro longe do cientista, no cume de uma montanha de 4 mil metros de altitude. Tudo funciona graças a uma conexão de vídeo e áudio entre os dois.



O telescópio de 100 milhões de dólares coleta luz de estrelas e a envia direto para um espectrômetro que, como um prisma, separa a luz em suas ondas coloridas componentes.



"Elas vão para uma câmera digital, o espectro é gravado e eu volto para a universidade para obter todos os dados", disse Marcy. Com esse método, Marcy e sua equipe descobriram 28 planetas orbitando outras estrelas no ano passado. Eles são responsáveis por dois terços dos 236 exoplanetas (situados fora do Sistema Solar) conhecidos.



Mas, apesar de toda a precisão, às vezes o trabalho indireto pode ser frustrante. Uma nuvem pode destruir uma noite de observação marcada com meses de antecedência em meio à disputa pelo Keck por parte de outros cientistas ansiosos por utilizá-lo.



"Hoje à noite por exemplo, havia 15 a 20 estrelas que eu queria muito observar. O céu é um lugar bem grande e por isso eu tenho que ter certeza que o telescópio não vai perder tempo se movendo para muito longe."


A maior parte dos planejas descobertos até agora são gigantes gasosos como Júpiter, com condições difíceis de abrigar vida. Mas astrônomos esperam refinar seus métodos para que possam achar pequenos planetas rochosos cobertos de água líquida, como o nosso.


"A verdadeira questão que está na cabeça de todo mundo, seja alguém com seis anos ou com 96, é se há vida inteligente no Universo", disse Marcy. "Vamos apontar nosso telescópio para essas Terras esperando captar transmissões de espécies inteligentes que possam estar vivendo nelas."

Estudo acha estrela mais gorda do cosmo


Astro fica a 20 mil anos-luz de distância da Terra e tem 114 vezes a massa do nosso Sol.
Corpo celeste faz parte de sistema binário, girando em torno de outra estrela.
Cientistas liderados por Anthony Moffat, da Universidade de Montreal (Canadá), dizem ter achado a estrela mais gorda do cosmos - um monstro cósmico cuja massa é 114 vezes maior que a do Sol. O astro é só ligeiramente menor que o limite teórico para o tamanho de uma estrela, que fica em torno de 150 massas solares. A descoberta foi anunciada no encontro anual da Sociedade Astronômica Canadense.


Até hoje, a maior estrela conhecida equivalia a pouco mais de oitenta "Sóis". O astro "pesado" pelos astrônomos canadenses na verdade pertence a um sistema binário (no qual duas estrelas giram uma em torno da outra). Sua companheira também é obesa: 84 massas solares. Apelidado de A1, o casal estelar fica a 20 mil anos-luz da Terra.

Os dados foram obtidos com a ajuda de dois telescópios, o VLT, europeu, e o americano Telescópio Espacial Hubble. Para obter a medição, os pesquisadores mediram variações na luz das estrelas que acontecem quando ela é afetada pela gravidade. A força gravitacional de um astro dá uma boa medida de sua massa.


Estima-se que exista um limite para o tamanho de uma estrela porque, com massas muito grandes, as forças nucleares em seu interior começam a contrabalançar a gravidade. Enquanto a gravidade tende a manter a estrela coesa, algumas forças nucleares tendem a levar à separação do material estelar.
Estrela gorda com 114 massas solares está localizada em aglomerado estelar marcado em amarelo (Foto: Divulgação)

Estrela-cometa planta 'sementes' de vida


Astrônomos descobrem um novo e belo detalhe em um de seus astros favoritos.
Cauda de Mira fornece material para a formação de estrelas, planetas e até de vida.
Parece um cometa, mas não é. A estrela Mira, com sua longa cauda, pode ser chamada, na verdade, de "semeadora do Universo". Cruzando o espaço em velocidades supersônicas, ela deixa pedaços de si pelo caminho, verdadeiras "sementes" de novos sistemas estelares.



Uma favorita dos astrônomos há pelo menos 400 anos, ela só foi vista em toda sua magnitude agora, com o telescópio espacial Galaxy Evolution Explorer. Agora, nessa imagem divulgada pela Nasa, ela deixa claro porque foi batizada com o nome em latim para "Maravilhosa".

Imagem mostra a imensa cauda da estrela, parecida com um gigantesco cometa (Foto: Nasa)

A cauda da estrela chega a 13 anos-luz, cerca de 20 mil vezes a distância média entre Plutão e o Sol. Cientistas ficaram chocado ao observá-la. Nunca algo do tipo foi visto em torno de uma estrela -- principalmente em uma tão conhecida.



Segundo os astrônomos, a Mira é uma oportunidade única para estudar como estrelas como o nosso Sol morrem e geram novos sistemas solares. A cauda da estrela libera carbono, oxigênio e outros elementos químicos, essenciais para a formação de novas estrelas, novos planetas e até mesmo de vida.

Estrela 'gêmea do Sol' bate recorde de planetas fora do Sistema Solar



Astrônomos americanos acharam quinto astro orbitando a estrela 55 Cancri.
A 41 anos-luz da Terra, corpo celeste tem chance de abrigar vida.
Pesquisadores americanos anunciaram a descoberta de um quinto planeta orbitando a estrela 55 Cancri, que é uma "gêmea" do nosso Sol a cerca de 41 anos-luz daqui. Com isso, a estrela bate o recorde de planetas extra-solares (fora do Sistema Solar) confirmados até hoje, informou a Nasa.
Concepção artística mostra o novo planeta (em primeiro plano) e três de seus companheiros no mesmo sistema estelar (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
O sistema estelar da 55 Cancri registra, por enquanto, apenas gigantes gasosos, nenhum deles menor que Netuno. Mas isso pode ser um resultado de um viés da técnica usada pela equipe, que foi liderada pela astrônoma Debra Fischer, da Universidade Estadual de San Francisco, nos Estados Unidos. É que o método dos pesquisadores usa como base um "bamboleio" na estrela-mãe, causado pela atração gravitacional sutil do planeta. Quanto maior o planeta, maior o bamboleio e, portanto, mais fácil fica detectá-lo.
Comparação entre o sistema extra-solar (em cima) e o nosso Sistema Solar; em azul, as órbitas dos planetas (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
O novo planeta tem a metade do tamanho de Saturno -- o equivalente, portanto, a 45 vezes a massa da nossa Terra -- e completa uma órbita ao redor de sua estrela a cada 260 dias. O melhor de tudo é que, como 55 Cancri é uma estrela um pouco menos luminosa que o Sol, o planeta está na chamada zona habitável, onde a água pode aparecer no estado líquido.



O que isso pode significar? Talvez condições favoráveis à vida, se não no próprio planeta, que afinal é gasoso, então em suas possíveis luas. É que todos os gigantes gasosos do nosso Sistema Solar possuem muitos satélites naturais formados por uma mistura de água, rocha e outros elementos.

Astrônomos descobrem novo tipo de estrelas anãs brancas


Astros encontrados possuem atmosferas de carbono.
Algo assim nunca tinha sido visto em estrelas do tipo.
Uma equipe internacional de astrônomos identificou estrelas anãs brancas com atmosferas de carbono, algo que nunca havia sido visto neste tipo de objeto celeste, o que pode dar lugar a uma nova categoria de astro.
Segundo um artigo publicado nesta quarta-feira (21) na revista científica britânica "Nature", astrônomos descobriram vários exemplares de estrelas anãs brancas, os núcleos remanescentes depois do desaparecimento de uma estrela comum, que mal apresentam rastros de hidrogênio ou de hélio.

As estrelas que chegam ao fim de seus dias como anãs brancas são as que não conseguiram entrar na fase de combustão seguinte, normalmente a do carbono. Desta forma, 99% delas são constituídas basicamente por carbono e oxigênio, elementos que são os resíduos da fase de fusão do hélio.

As estrelas anãs brancas são rodeadas por uma camada de hélio e, em 80% dos casos, também por uma de hidrogênio. Até o momento, todas as estrelas já descobertas deste tipo podiam ser classificadas em duas categorias: as que têm atmosferas ricas em hidrogênio ou em hélio, o que significa que as identificadas agora não se encaixam em nenhum dos dois grupos.



Dirigido por Patrick Dufour, do departamento de Astronomia da Universidade do Arizona, nos EUA, o relatório destaca que a descoberta não só enriquece o conhecimento sobre a formação de estrelas anãs brancas, como também causa implicações sobre as atuais teorias de evolução estelar.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Rússia planeja expedições para Vênus e Júpiter





Cientistas russos planejam enviar uma expedição para Vênus e Júpiter, depois da missão do satélite Phobos a Marte, anunciou nesta segunda-feira o chefe do Instituto de Pesquisas Espaciais da Academia de Ciências Russas, Lev Zeliong, durante um simpósio em Moscou.

Segundo a agência Ansa, em breve será realizada uma reunião para discutir os programas de exploração europeus e russos de Vênus, explicou Zeliong, acrescentando que o programa comum prevê a criação de uma estação espacial em Vênus.

A missão terá três partes. A Rússia construirá uma cápsula espacial de aterrissagem, que deverá "viver" na superfície de Vênus por mais de uma hora.

Além disso, a expedição contará com uma sonda que sobrevoará o planeta para estudar a atmosfera e com uma nave orbital, lançada para estudar o plasma espacial e as nuvens ao redor de Vênus.

O satélite interessa aos cientistas por causa da existência de espessas camadas de hélio sobre sua superfície: o objetivo da missão é coletar amostras de água para determinar eventuais formas de vida.

Uma expedição a Vênus está planejada para 2015 e 2025, enquanto uma nave espacial poderá ser enviada a Júpiter a partir de 2020, informaram os cientistas.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Vacê Sabia?

... que, em Marte, há uma cratera chamada Campos e outra Lins? Elas foram batizadas assim em homenagem a duas cidades brasileiras: Campos, no estado do Rio de Janeiro, e Lins, no Estado de São Paulo.

... que existe, na Lua, uma cratera com o nome de Santos Dumont?

... que há um asteróide chamado Mourão, uma homenagem ao astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão? E outro com o nome do astronauta brasileiro Marcos César Pontes?

O Pão de Acúcar de Marte



Acima, a cadeia de montanhas marciana conhecida como Columbia Hills
(foto: Mars Exploration Rover Mission, JPL, Nasa)

O Pão de Açúcar de Marte, destacado no círculo amarelo, é composto por basalto. Essa rocha é formada a partir da atividade vulcânica: quando a lava endurece, dá origem a ela. O basalto existe em Marte porque esse planeta tem grandes vulcões (o maior deles tem 25 mil metros de altura, três vezes mais que a montanha mais alta da Terra!). Outro detalhe sobre o basalto é que ele, assim como um sal-de-fruta, se degrada rapidamente na presença de água, formando os minerais que dão origem ao solo avermelhado de Marte. Ao contrário do Pão de Açúcar carioca, o marciano nunca viu água desde que se formou!

Rocha do planeta vermelho ganha nome de cartão-postal carioca
 Era mais um dia de trabalho para o robô Spirit em Marte. Enviado ao planeta vermelho para explorar a superfície marciana e coletar material para estudo, ele estava a caminho da cadeia de montanhas conhecida como Columbia Hills quando, com sua câmara frontal, captou a imagem de uma rocha. Feita de basalto, medindo cerca de 30 centímetros, coberta por uma camada espessa de poeira, ela lembrava, de certa forma, um cartão-postal: o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. O que não passou despercebido por um cientista, que propôs chamar a rocha assim, fazendo Marte ganhar o seu Pão de Açúcar!

Claro que o cientista em questão era brasileiro. Seu nome? Paulo Antônio de Souza Júnior. Nascido no Mato Grosso do Sul, mas vivendo hoje no Espírito Santo, ele é o único pesquisador do Brasil a fazer parte da missão da Nasa, a agência espacial americana, que levou os robôs Spirit (Espírito) e Opportunity (Oportunidade) ao planeta vermelho. No início de 2004, Paulo já havia transportado um pouco do nosso país até Marte, ao propor que uma música brasileira fosse usada para "acordar" o Spirit: ou seja, indicar a ele o início de um novo dia de atividade. Agora, repetiu a dose, chamando a rocha de Pão de Açúcar.

No entanto, se a idéia com a canção era fazer o robô "acordar bem disposto", como brinca Paulo, a finalidade de dar nomes às rochas é outra. "Batizamos as rochas porque isso nos ajuda a identificá-las durante o trabalho", explica o cientista. "Quando alguém fala em Pão de Açúcar, por exemplo, eu já sei de qual rocha se trata."

Em geral, as rochas são batizadas a partir da semelhança que têm com algo da Terra. Por exemplo: duas rochas marcianas foram chamadas de sushi e sashimi porque lembravam muito essas delícias da cozinha japonesa. Mas nomes também podem ser dados como forma de prestar uma homenagem, como ocorreu com a cadeia de montanha Columbia Hills, que citamos no início do texto. Ela foi chamada assim em memória da tripulação do ônibus espacial Columbia, que explodiu em fevereiro de 2003.

O estudo das rochas de Marte, como o Pão de Açúcar e tantas outras, é muito importante. "As rochas são como um livro que conta a evolução de qualquer planeta", explica Paulo. A partir das análises feitas pelo Spirit e pelo Opportunity, por exemplo, os cientistas chegaram à conclusão de que existiu água em Marte no passado. Assim, crescem as chances de ter havido vida no planeta vermelho tempos atrás, o que leva a Nasa a planejar uma nova missão com robôs para buscar indícios disso na superfície marciana. Dependendo das informações que eles enviem, quem sabe a gente não descobre que Marte teve água e vida no passado, assim como possui um Pão de Açúcar no presente?

Gigante azul gelado



A imagem da esquerda mostra Urano e seus anéis. À direita, detalhes dos anéis. Crédito: Erick Karkoschka (Univ. do Arizona) e NASA (esquerda); NASA (direita

Assim é Urano, um planeta que ‐ quem diria! ‐ também tem anéis

Imagine ligar a televisão e ouvir a seguinte notícia: “Previsão de temperatura máxima para hoje: 196 graus negativos”. Isso seria possível se você estivesse acompanhando notícias sobre um enorme planeta gelado que fica bem longe da Terra: Urano!

Urano é o sétimo planeta do Sistema Solar e está a cerca de 3 bilhões de quilômetros do Sol. O diâmetro do gigante gelado é quatro vezes maior que o da Terra, e sua massa é quinze vezes maior que a do nosso planeta. Urano leva 84 anos terrestres ‐ mais de 30 mil dias! ‐ para dar uma volta em torno do Sol. Ele foi o primeiro planeta do Sistema Solar a ser descoberto por meio de um telescópio. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, como são visíveis a olho nu, foram identificados sem o auxílio desse aparelho.

Como Saturno, Urano também tem anéis. No total, são dez, formados por partículas de poeira e encontradas em torno do planeta. Como essa poeira foi parar lá? Os astrônomos acreditam que essas partículas são restos de um satélite que se aproximou tanto de Urano que se rompeu. Os restos desse satélite começaram, então, a girar em volta do planeta.

Mas por que os anéis de Saturno são muito mais famosos do que os de Urano? “Os anéis de Saturno são bem maiores, então, refletem maior quantidade de luz do Sol e são muito mais visíveis”, explica a astrônoma Daniela Lazzaro, do Observatório Nacional. “Já os anéis de Urano são muito estreitos e só são vistos com instrumentos especiais”, completa.
Além dos anéis, Urano possui dezenas de satélites naturais girando ao seu redor, muito mais do que a Terra, que conta apenas com um: a Lua. Entre os 27 satélites de Urano já identificados, os maiores são Titânia e Oberon, com 1.600 quilômetros de diâmetro.

Urano se diferencia dos outros planetas do Sistema Solar por ter o eixo de rotação muito inclinado. O gigante azul está bem “tombado”, tem inclinação de 83 graus. Na prática, isso gera estações do ano (primavera, verão, outono, inverno) muito longas. Em Urano, cada parte do planeta é iluminada por 21 anos, então, cada estação dura 21 anos!

Quer saber porque Urano é azul? Por causa do gás metano, presente em sua atmosfera! O metano absorve toda a luz vinda do Sol e reflete a azul! “Na verdade”, conta Lazzaro, “todos os planetas e satélites do Sistema Solar são escuros ‐ nós só podemos vê-los porque eles refletem a luz do Sol”.

Estações Do Ano Em Outros Planetas





Estações do ano em outros planetas
Conheça o verão quente de Mercúrio e o longo inverno de Urano
Que tal embarcar conosco em uma viagem pelo Sistema Solar? Prepare-se: você vai ver que as temperaturas em alguns planetas podem ser extremamente quentes... ou frias! Como a Terra, os outros planetas que giram em torno do Sol também têm estações do ano. Alguns, como Marte, apresentam as quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Em outros, existe apenas verão e inverno. No entanto, as estações do ano nos planetas do nosso Sistema Solar são determinadas da mesma maneira que as da Terra.
Você já leu na CHC 103 que as estações do ano são resultado da inclinação de 23 graus do eixo da Terra quando ela se move ao redor do Sol. Quando o Pólo Sul está inclinado em direção ao Sol, é verão ali e em todo o Hemisfério Sul. No dia 22 de setembro, começou a primavera no Hemisfério Sul e o outono no Hemisfério Norte. Nessa data, chamada Equinócio, o Sol brilhou diretamente sobre o a linha do Equador e se movimentou em direção ao sul. Além disso, o dia e a noite tiveram a mesma duração: 12 horas.

No dia 22 de setembro, a Terra juntou-se a dois outros planetas em que é outono no hemisfério norte: Saturno e Netuno. Porém, as coincidências param aí. O outono nesses planetas é muito diferente do terrestre. Em Saturno, ventos de 130 graus centígrados negativos sopram a 1000 quilômetros por hora; em Netuno, a temperatura pode chegar abaixo de 200 graus negativos!

Enquanto na Terra temos 89 dias de inverno e 93 de verão, no hemisfério norte de Marte, o inverno dura 154 dias, e o verão, 178. Porém, o verão em Marte não é sinônimo de calor: as temperaturas variam de zero a 70 graus negativos! A atmosfera do planeta fica mais fina quando Marte está mais próximo do Sol e começa o inverno no pólo Norte do planeta. As temperaturas são tão baixas que o dióxido de carbono, principal componente da atmosfera, congela e cai no solo.

Se você achou que as estações de Marte são longas, ouça essa: em Urano, cada uma dura 20 anos! Isso acontece porque o eixo de rotação desse planeta tem inclinação de 82 graus. Um ano em Urano equivale a 84 anos da Terra. Cada pólo do planeta passa mais de 20 anos terrestres na escuridão, enquanto o sol brilha sobre o pólo oposto.


Já em Mercúrio, a temperatura em um dia de verão pode alcançar 400 graus centígrados! E nas noites de inverno, as temperaturas podem chegar a 200 graus negativos! Apesar de ser o planeta mais próximo do Sol, não é em Mercúrio que se registram as temperaturas mais quentes do Sistema Solar. O recordista é Vênus (o segundo mais próximo), com espantosos 470 graus centígrados!

Será O Início em Marte?




À esquerda, a bactéria Pyrococcus furiosus, que suporta grandes variações de temperatura. À direita, planta modificada por engenharia genética para receber um gene do P. furiosus. Fotos: Univ. da Flórida (esq.) e Univ. Estadual da Carolina do Norte (dir.)


Cientistas tentam criar plantas que possam viver e crescer no planeta vermelho

Quarto planeta do Sistema Solar, Marte já foi fotografado por espaçonaves, explorado por minijipes, mas ainda não recebeu a visita de um ser humano. Nas próximas décadas, no entanto, há a expectativa de que finalmente o planeta vermelho seja o destino de terráqueos. E sabe o que eles certamente vão levar na bagagem, entre muitas outras coisas, quando esse grande dia chegar? Plantas!
Além de fornecerem alimento e oxigênio, as plantas podem significar para os astronautas que estiverem tão longe de casa um pouco de natureza e companhia. Mas se você pensa que encher o planeta vermelho de verde é moleza... Está enganado. Em Marte, as plantas seriam cultivadas em estufas, mas mesmo assim teriam de tolerar frio severo, aridez, baixa pressão atmosférica, solos a que não estão acostumadas... Enfim, condições que são estressantes para elas.
Pode parecer esquisito, mas as plantas sofrem de estresse sim. Nessas ocasiões, suas células produzem em maior quantidade um sinal químico chamado superóxido. Em grande quantidade, o superóxido, que é tóxico, pode causar danos à planta.
“As células das plantas têm substâncias que reduzem a quantidade de superóxido, mantendo-a em níveis baixos. Em condições normais, essas substâncias seriam capazes de salvar as plantas dos efeitos tóxicos”, explica Wendy Boss, da Universidade do Estado da Carolina do Norte à Ciência Hoje das Crianças. “Porém, da mesma forma como você pega uma gripe e às vezes ela sai do controle, às vezes há muito superóxido para essas substâncias.”
Essa característica das plantas seria um problema para os astronautas que tentassem cultivá-las em Marte. Afinal, nesse planeta, elas teriam de tolerar condições que geralmente causam muito estresse. Por conta disso, Wendy Boss e outra cientista americana, Amy Grunden, querem desenvolver plantas que possam viver nessas condições. Para tanto, estão de olho em criaturas que vivem na Terra e que conseguem suportar cenários semelhantes aos encontrados no planeta vermelho.
Uma dessas criaturas é o Pyrococcus furiosus, um microrganismo que vive em fontes de água quente no fundo do oceano. As duas cientistas retiraram um gene dele e o inseriram em uma planta com o intuito de reforçar a habilidade dela em lidar com o estresse. Genes são trechos de DNA, um código secreto existente nas células de cada ser vivo que determina as suas características físicas.
 
Mas por que o P. furiosus foi escolhido? Embora viva nas fontes de água quente, ocasionalmente ele é lançado para fora delas, sendo exposto à água fria do mar: ou seja, a uma variação de temperatura de mais de cem graus Celsius. Quando isso acontece, superóxido é produzido, assim como substâncias para reduzir sua quantidade nas células do P. furiosus, sendo que essas substâncias são diferentes das fabricadas pelas plantas com o mesmo objetivo. “É um sistema muito eficiente”, conta Wendy.
Em até dois anos, as cientistas esperam ter plantas que apresentem, cada uma, duas cópias desse gene. No momento, têm apenas algumas mudas que não apresentam essa característica. Mas quando a situação mudar, vão ser capazes de estudar como o gene atua: se realmente ajuda a planta a sobreviver ou se causa danos a ela de alguma forma.
“Nós temos um caminho muito, muito longo até produzir as novas plantas”, conta Wendy. Isso porque o objetivo não é apenas conseguir que elas sobrevivam em Marte, mas que sejam realmente úteis: cresçam, dêem frutos... Caso essa meta não seja alcançada com os genes do P. furiosus, no entanto, não há problema: o que não faltam são microrganismos que vivem em condições extremas aqui na Terra e que podem ser testados para produzir uma planta que cresça e apareça em Marte.
 

terça-feira, 15 de maio de 2007

Como salvar o céu noturno





Eu atormentava meus pais e professores com perguntas como "Quantas estrelas existem? Elas ficam muito longe?". Infelizmente, com o brilho do céu de hoje, quase não se ouvem mais perguntas como essas.

Os impactos negativos da iluminação excessiva durante a noite estão bem documentados. Espalhar por aí o que podemos fazer para salvar nossos céus noturnos é a missão da International Dark-Sky Association (IDA). A IDA oferece material e recursos para ajudar astrônomos amadores a continuar no escuro.

Um esforço organizado
Inicialmente com apenas dois membros co-fundadores, a IDA conta hoje com cerca de 11 mil sócios em mais de 70 países. Além de um núcleo de astrônomos profissionais e amadores, os membros da IDA incluem biólogos, ecólogos, médicos, planejadores urbanos, professores e alunos.

O objetivo de quase 20 anos da IDA de preservar o céu noturno para aqueles que desejam observá-lo continua imperturbável. No entanto, agora a missão inclui esforços para combater os efeitos da iluminação noturna artificial sobre a saúde humana, ecossistemas noturnos próximos e recursos energéticos e econômicos.
União legal
A consciência cada vez maior do público a respeito da poluição luminosa inspirou estados e municípios americanos a aprovarem mais de 700 leis "amigáveis" para os céus escuros. Em 2000, o estado do Novo México passou um Ato de Proteção do Céu Noturno. A Flórida possui dúzias de regulamentações para proteger tartarugas marinhas contra a poluição luminosa.

Internacionalmente, as leis para controlar a iluminação externa continuam crescendo. Em 2002, a República Tcheca passou uma legislação nacional para controlar a poluição luminosa.

Em 2000, o parlamento da Lombardia, na Itália, aprovou uma lei abrangente para iluminação externa. Atitudes similares foram tomadas na Espanha, Japão e Austrália.

As leis mais eficazes estabeleceram limites de brilho, requereram cobertura em quase todos os casos e criaram "toques de recolher" para a iluminação. Para ajudar as comunidades a criarem legislação significativa, a IDA e a Illuminating Engineering Society of North America (Iesna) estão desenvolvendo juntas uma Lei Modelo de Iluminação (MLO, em inglês), que será apresentada em 2007. A MLO inclui um método para determinar limites no total de lúmens permitidos por metro quadrado e irá indicar como, quando e onde impor toques de recolher para a iluminação.
Selo de aprovação
Para encorajar fabricantes a oferecer melhores alternativas de iluminação, a IDA deu início a seu Selo de Aprovação para Iluminação Fixa (FSA, em inglês) em janeiro de 2005. Esse programa ajuda a diferenciar um tipo de iluminação fixa amigável do céu escuro daqueles que não são. Para ganhar o FSA, a iluminação fixa precisa ser totalmente coberta, não emitir nenhuma luz para cima.

Quando a iluminação fixa é aprovada, o fabricante pode usar o logotipo FSA na embalagem do produto e em materiais promocionais. Mais de 600 marcas de iluminação fixa já foram aprovadas. Para ver uma lista completa, visite o website da IDA: www.darksky.org.

Para a sua saúde
A iluminação noturna excessiva também pode afetar desfavoravelmente a saúde humana. A pesquisa de David E. Blask, do Bassett Research Institute em Cooperstown, Nova York, por exemplo, sugere uma ligação entre a supressão da melatonina, causada pela iluminação noturna artificial, e um aumento nas células de câncer de mama.

A melatonina é um hormônio natural que ajuda a regular nosso relógio biológico no ciclo dia/noite. Em testes, constatou-se que a melatonina coloca as células do câncer de mama para dormir, retardando seu crescimento. Uma exposição prolongada à luz à noite, no entanto, pode reduzir a produção de melatonina e permitir que as células cancerosas cresçam mais rapidamente que o normal. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos está financiando mais pesquisas sobre o assunto.

Não estamos apenas acabando com o céu noturno para a observação, mas também forçando um impacto negativo na vida selvagem, desorganizando os ciclos humanos de dia/noite, desperdiçando energia e atrapalhando a segurança e a visibilidade com um clarão excessivo. A IDA continuará chamando a atenção para o problema e para soluções que possam reverter os danos. Os dias de apatia generalizada chegaram ao fim, e agora é o momento de proteger nossos locais de observação.

Há muitas razões para a iluminação externa à noite: visibilidade, segurança e um ambiente noturno atraente. Mas nem toda iluminação é boa.

Por Bob Gent

CLARÃO
A luz exagerada atrapalha a visibilidade e é um problema para os olhos dos mais velhos.

LUZ INTRUSA
Essa luz perturba o ambiente e nosso sono.

ESTÉTICA RUIM
Luzes exageradamente brilhantes criam um ambiente noturno irritante. Uma iluminação externa mal planejada, do tipo "pátio de prisão", desvaloriza as residências.

DESPERDÍCIO DE ENERGIA
Nos Estados Unidos, US$ 10 bilhões são desperdiçados por ano iluminando onde e quando não é necessário.

FALSA SEGURANÇA
Criminosos podem tirar vantagem da iluminação.

SISTEMA NADA ECOLÓGICO
Pássaros de muitas espécies que migram à noite são atraídos pelas luzes que brilham nos arranha-céus e torres de transmissão.

BRILHO NO CÉU
A luz mal direcionada e níveis excessivos de iluminação criam um brilho no céu que acaba com a nossa vista do Universo.
Existem soluções simples para combater muitos dos problemas criados pela poluição luminosa:

Por Bob Gent

1. Direcione as luzes externas para baixo, e utilize-as apenas quando necessário.

2. Use temporizadores para garantir que as luzes fiquem acesas apenas quando necessário (assim você também economiza energia e dinheiro).

3. Projete e instale um tipo de iluminação que minimize o clarão.

4. Use a quantidade correta de luz para cada tarefa - não ilumine demais.

5. Utilize fontes de luz eficazes. Visite www.darksky.org para sugestões.

Tudo sobre a Nebulosa do Caranguejo

A nebulosa do Caranguejo (M1) surgiu em 1054 d.C como uma "nova", estrela que os astrônomos hoje chamam de supernova. As medidas mostram que a matéria ejetada dessa explosão expande-se a uma velocidade de 5,4 milhões de quilômetros por hora. Para compor essa imagem, a Nasa juntou 24 exposições separadas obtidas com a Wide Field Planetary Camera, do Telescópio Espacial Hubble.






No núcleo da Nebulosa do Caranguejo (M1) se esconde um monstro de proporções dantescas, cuja verdadeira natureza a mente humana mal consegue compreender. O coração deste redemoinho em expansão contém um objeto em rotação, que há algumas gerações, teria sido classificado como ficção científica. O coração desse monstro pulsa 33 vezes por segundo e sua presença despedaça a matéria das vizinhanças.

Até 1967 a ciência apenas suspeitava da existência dessa fera. Nesse ano, uma jovem aluna de graduação em astronomia na Cambridge University, Inglaterra, Jocelyn Bell (hoje Jocelyn Bell Burnell) detectou uma pulsação que vinha da constelação de Taurus (Touro). A cada dia a pulsação era detectada cerca de quatro minutos mais cedo. Como uma variação de quatro minutos só podia ser associada à variação na órbita da Terra em torno do Sol, esse período mais curto identificava a fonte como de origem estelar. As pulsações - 33 vezes por segundo - eram tão regulares que os astrônomos por brincadeira as denominaram LGM (Little Green Man - Homenzinhos verdes). Qual seria a fonte dessa pulsação tão regular? Não havia explicação plausível.

Decifrando o mistério

Nos anos 1960, o estudo da evolução estelar progredia rapidamente. Havia um esforço generalizado para explicar a morte das estrelas de diferentes massas. Estrelas com massa semelhante ao Sol (uma massa solar), deveriam perder cerca de 50% de sua massa de forma suave pelo vento estelar. A força da gravidade se encarregaria de contrair a massa restante da estrela, criando uma anã-branca - uma esfera, aproximadamente do tamanho da Terra, de matéria extremamente comprimida.

Estrelas de oito massas solares ou mais tinham uma morte diferente - explodiam. À medida que essas estrelas atingiam um estágio crítico, seus núcleos colapsavam sob a ação da gravidade, para depois rebotar numa tremenda explosão, conhecida como supernovas. A força da gravidade consegue comprimir em uma esfera de poucos quilômetros de diâmetro toda a massa que ainda tenha restado. A matéria deste remanescente estelar é tão compactada como no núcleo de um átomo, que acaba por deter o colapso. Esse objeto, conhecido como estrela de nêutrons, gira com velocidade espantosa.
A pulsação que Bell detectou vinha de um feixe de radiação na superfície da estrela. À medida que a estrela girava, o feixe passava pelo campo de visão da Terra. Os astrônomos chamam esses objetos de pulsares. A rotação do pulsar produz um batimento regular, mais preciso que qualquer relógio.

Esse, no entanto, não era o fim do caso. Acontece que o pulsar encontra-se próximo da estrela Zeta do Touro. Quando os astrônomos localizaram sua posição verificaram que o pulsar era a estrela que estava no centro da Nebulosa do Caranguejo.

No rastro desse cataclismo estelar o gás que se expande para o espaço é rico em elementos pesados - elementos criados somente pelas supernovas. O que aconteceu no céu em 1054, na verdade, não foi somente a morte de uma estrela, mas o enriquecimento do espaço interestelar que pode resultar nos tijolos necessários para a construção de novos planetas, certamente, planetas como a Terra.


Surgem os caçadores de cometas
Há exatos 358 anos antes da descoberta de Bell, o fabricante de óculos holandês, Hans Lippershey (1570-1619), combinando algumas lentes, inventou o telescópio. Em 1610, Galileo Galilei (1564-1642) apontou esse novo dispositivo para os céus e mudou completamente nossa visão do Universo.

Galileo descobriu que a Via Láctea é formada por milhões de estrelas muito fracas que não podem ser vistas a olho nu. Observou também, que em algumas regiões, como a da espada de Órion, havia uma espécie de névoa. Esses padrões nebulosos intrigavam a nova geração de astrônomos que utilizavam telescópios. À medida que os telescópios foram aperfeiçoados, as observações também melhoravam.

No século 18, os astrônomos começaram a catalogar meticulosamente suas descobertas. Um dos mais famosos desses observadores era o francês Charles Messier (1730- 1817). Quando tinha apenas 14 anos, Messier viu o cometa que agitou a Europa. Em 1744, os cometas ainda eram vistos como uma mistura de encantamento, suspeita e medo.
O astrônomo inglês, Edmund Halley (1656-1742), observou um cometa brilhante em 1682 e concluiu que o cometa - que hoje leva seu nome - deveria aparecer novamente em de aproximadamente 76 anos. Suas declarações tornaram a caça aos cometas uma verdadeira paixão durante todo o século 18. Depois de ver o cometa de 1744, o jovem Messier logo se tornou um pesquisador devotado. Entretanto, pelo menos no início, ele teve problemas. Messier continuou a procurar padrões nebulosos de luz que se parecessem com cometas, mas se recusou a procurar estrelas do fundo do céu que poderiam ser cometas.

Primeiro objeto Messier
Na primavera de 1758, Messier estava tentando encontrar um cometa próximo da estrela Zeta (?) de Touro, uma estrela bem na ponta do chifre do Touro. Messier pensou que tinha achado um novo cometa, mas o objeto não se movia. Messier decidiu então começar a catalogar esses "não-cometas" e fez desse objeto de Touro o primeiro da sua lista - M1.

Apesar de o objeto ter se tornado o primeiro, do hoje famoso catálogo de Messier, ele não foi o primeiro a observá-lo. A honra coube ao inglês John Bevis (1693-1771) que vislumbrou esse fraco e diminuto ponto de luz em 1731.

Apesar da animosidade entre França e Inglaterra, Messier generosamente reconheceu a descoberta de Bevis numa edição posterior do catálogo. Não faz muita diferença saber quem foi o primeiro a observar a M1, mas interessa sim, saber como isso um dia melhoraria a nossa compreensão das estrelas.


Uma nova estrela brilha adiante
O ano de 1054 foi difícil para o Papa Leão IX. Nesse ano ele excomungou o patriarca de Constantinopla e criou a cisão entre as igrejas Oriental (depois chamada de Ortodoxa) e a Ocidental. Os historiadores hoje chamam esse evento de o Grande Cisma de 1054. Leão IX morreu em 19 de abril e curiosamente, menos de três meses depois (4 de julho), um evento espetacular brilhou nos céus. Os europeus deviam estar muito ocupados com seus próprios problemas porque ninguém parece ter notado esse evento.

Bem longe dali, no deserto do Arizona, alguns nativos americanos olharam para o céu na noite de 4 de julho e ficaram estarrecidos. Perto da lua crescente, brilhava uma nova estrela, quatro vezes mais brilhante que Vênus. A estrela pôde ser vista à luz do dia durante 23 dias e permaneceu visível por 653 dias, antes de finalmente desaparecer.

Normalmente conhecidos como os Anasazi (grupo cultural ancestral dos índios americanos), estes observadores do céu anotaram a posição dessa nova estrela fulgurante em relação à Lua. Como não dispunham de escrita, deixaram suas anotações em petroglifos (figuras rupestres) na face saliente de uma rocha abrigada da intempérie. O astrônomo Carl Sagan resume a situação de forma bastante poética: "A posição em relação à Lua crescente deve ter sido exatamente como foi desenhada. Há também a marca de uma mão aberta, talvez a assinatura do artista".

Estranhamente, os árabes, como os europeus, também deixaram poucos registros desse evento. Acredita-se que para fazer suas previsões astrológicas esses observadores do céu se preocupavam muito mais com as posições planetárias em relação às estrelas brilhantes que com eventos passageiros. No entanto, pelo menos uma cultura deixou registros escritos detalhados sobre esse evento surpreendente.

Esta "estrela convidada" notável cativou os chineses. A astronomia chinesa se desenvolvia em função das interpretações astrológicas. Ser um astrólogo na corte do imperador Sung era algo extremamente sério. Os astrólogos acompanhavam cuidadosamente as passagens dos cometas e até deixaram registros de manchas solares feitos a olho nu. Eles previram eclipses solares e lunares e observaram várias estrelas convidadas. A estrela convidada de 1054, no entanto, recebeu atenção especial.

Os astrônomos chineses observaram essa estrela convidada inicialmente perto da estrela T\\'ien-kuan, conhecida no ocidente como Zeta do Touro. A nova estrela que tinha irrompido os céus deixou o imperador muito angustiado. Finalmente, o astrólogo Yang Weite se apresentou ao imperador com o seguinte relato: "A estrela convidada não ameaça Pi, a mansão lunar em Touro, e seu brilho é uma afirmação categórica de que há uma pessoa de grande sabedoria e virtude no país". Era como se Yang Weite estivesse lendo os bilhetinhos da sorte, mas, e você, o que você teria dito ao imperador?

A estrela convidada, que apareceu pela primeira vez em 4 de julho de 1054, desapareceu em 17 de abril de 1056 e também desapareceu da memória das pessoas, a menos desses escassos registros. Outras estrelas convidadas foram vistas ao longo dos séculos, uma delas foi observada por Tycho Brahe (1546-1601) em 1572. Tycho, observador sempre atento, provou que essa nova estrela, como o cometa de 1560, estava muito além da Lua e fazia parte do reino das estrelas fixas. Ele até denominou o evento de "stella nova", o nome latino para "nova estrela".

O esboço do Caranguejo de Lord Rosse
Devido à alta porcentagem de cobertura de nuvens, a Irlanda não é um bom sitio para observações astronômicas. Em meados do século 19, no entanto, William Parsons, terceiro conde de Rosse (1800-1867), tirou proveito da sua posição social. Construiu um telescópio refletor com um espelho de 91 centímetros, no castelo de seus antepassados, o castelo de Birr. Parsons superou-se ao desenhar o que viu na ocular do telescópio. Em 1844, observou M1 e fez algumas anotações: "Conseguimos resolver filamentos isolados, pendendo principalmente da sua extremidade sul, ao contrário do que acontece nos aglomerados, onde são irregulares, e em todas as direções".

Os desenhos da M1 se pareciam com um caranguejo e o objeto logo ficou conhecido como a Nebulosa do Caranguejo. Por volta de 1848, Parsons observou a Nebulosa do Caranguejo com o Leviatã de Parsonstown - telescópio refletor de 183 centímetros - também localizado no castelo de Birr, que forneceu uma visão ainda melhor da MI, mas nenhuma pista sobre a sua verdadeira natureza.

O astrônomo inglês William Herschel (1738-1822) acreditava que poderia resolver as estrelas de M1, se utilizasse um telescópio suficientemente grande. Lord Rosse achava que ele ia conseguir ver as estrelas individuais. Mas estava enganado. Os telescópios sozinhos, independentemente do seu tamanho, não eram suficientes para resolver a questão. Eles teriam que usar um novo instrumento para elucidar esse mistério.

O astrônomo inglês William Huggins (1824-1910) acoplou um espectroscópio ao seu telescópio e revelou uma nova forma de observar objetos celestes. O espectroscópio separa a luz das estrelas numa gama de cores interrompida por linhas escuras. Na metade do século 19 os astrônomos estavam apenas começando a entender como decifrar esse código de barras celeste. Diversos aspectos da Nebulosa do Caranguejo, como sua composição química e sua velocidade de expansão, foram revelados através de espectros posteriores.

Na virada do século 20, Vesto M. Slipher (1875-1969) tornou-se diretor do Lowell Observatory, em Flagstaff, no Arizona. Slipher era especialista em espectroscopia. Ele percebeu que as linhas espectrais da M1 indicavam que a nebulosa estava se expandindo rapidamente. Hoje, sabemos que o gás se expande a uma velocidade de 5,4 milhões de quilômetros por hora.
Imagens obtidas em intervalos de décadas mostram que a Nebulosa do Caranguejo está mudando com o tempo. Estudos posteriores estimaram sua distância em cerca de 6.000 anos-luz. Ela abrange uma região do espaço que ultrapassa 10 anos-luz de extensão.

A primeira coisa que os astrônomos queriam saber era há quanto tempo essa expansão começou. As imagens da M1 obtidas com o Hooker Telescope de 2,5 metros de Monte Wilson, na Califórnia, indicaram uma idade aproximada de 800 anos. Esse valor não era muito confiável, mas ninguém sabia que estavam olhando para a estrela convidada de 1054, até que a descoberta do pulsar do Caranguejo, feita por Bell, mostrou o caminho.

Qualquer avanço nos telescópios ou na tecnologia de detectores levará a novas descobertas sobre a M1. Se você tiver a oportunidade de observar a Nebulosa do Caranguejo, verá os remanescentes de uma enorme explosão e entenderá em parte, porque o primeiro objeto de Messier continua a surpreender.

Alguns dados sobre a Nebulosa do Caranguejo
Tipo de objeto: Remanescente de supernova
Outros nomes: M1, NGC 1952, CM Tauri
Constelação: Touro (Taurus)
Ascensão reta (2000,0): 5h35min
Declinação (2000,0): 22°01\\'
Dimensões: 6\\' por 4\\'
Magnitude: 8,4
Distância aproximada: 6.000 anos-luz

Os perigos que espreitam no espaço



O Sol lançou violentamente no espaço mais de 1 bilhão de toneladas de partículas durante esta ejeção de massa coronal em 8 de janeiro de 2002

O Sol dispara raios X e partículas de alta energia durante os flares, o que força os astronautas que estão além do campo de proteção da Terra a procurar abrigo. A radiação penetra a pele com facilidade e pode danificar seriamente o DNA.

A quantidade de radiação que o corpo humano pode tolerar é um fator crucial se a Nasa decidir enviar astronautas novamente à Lua, a Marte e além desse planeta. A agência espacial deve encontrar uma forma de proteger os astronautas. A radiação prejudica as espaçonaves e, naturalmente, as pessoas, causando desde o descontrole do aparelho digestivo até a falência do sistema nervoso central. Os efeitos da exposição à radiação são sérios problemas que as missões espaciais tripuladas devem resolver.

A Terra nos protege da maior parte da radiação que preenche o Universo. O campo magnético terrestre expulsa ou aprisiona partículas nocivas de alta energia emitidas pelo Sol. As partículas aprisionadas espiralam indefinidamente entre os pólos norte e sul magnéticos, formando os cinturões de radiação de Van Allen. A atmosfera da Terra espalha e absorve os raios cósmicos - protegendo ainda mais a vida.

Felizmente, os cinturões de radiação da Terra se estendem no espaço o suficiente para que a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) orbite no interior da magnetosfera. De fato, a Terra possui um campo de força natural capaz de proteger os astronautas da ISS da maior parte da radiação que chega do espaço. Na verdade, com exceção das missões com duração de uma semana para a Lua, todos os vôos espaciais tripulados, até agora, ocorreram dentro da proteção provida pela magnetosfera terrestre.

A radiação espacial é formada por átomos isolados. À medida que esses átomos são acelerados até quase a velocidade da luz, seus elétrons são arrancados (ficam ionizados) e somente os núcleos atômicos permanecem. Esses núcleos contêm tanta energia que conseguem arrancar elétrons de qualquer coisa com que se choquem. Se eles atingirem uma nave espacial, ou pior, um corpo humano, causarão um dano considerável.

Nem a Lua nem Marte possuem campo magnético que os proteja, mas a massa sólida de cada mundo provê certa blindagem. A radiação que atinge astronautas na Lua ou em Marte vem somente de cima, mas, no espaço, ela vem de todos os lados.

A Lua não possui atmosfera e Marte dispõe de uma atmosfera muito tênue, de cerca de 1% da atmosfera da Terra, mas ainda assim consegue bloquear boa parte das partículas solares que se precipitam na sua superfície. Infelizmente, essa atmosfera tão rarefeita não é suficiente para impedir que os raios cósmicos - partículas de alta energia do espaço - cheguem até a superfície do planeta. Por isso, a proteção da radiação para os humanos que viajam fora da magnetosfera terrestre é um assunto desafiador - e um problema e tanto.

No espaço existem duas fontes principais de radiação. A primeira, e mais óbvia, é o Sol. Na dinâmica solar, há períodos em que o astro se mostra relativamente "calmo" e outros em que se comporta como um monstro furioso, alternando esses dois comportamentos em ciclos de aproximadamente 11 anos. No máximo do ciclo, surgem manchas solares por toda a superfície solar. Flares e emissão de massa coronal (CME, na sigla em inglês) ocorrem com freqüência, lançando no espaço nuvens de bilhões de toneladas de material altamente energético.

Um flare ocorre quando a energia magnética contida no Sol se acumula - formando um pico próximo da superfície -, explode e desencadeia a liberação repentina de partículas de alta energia pelo espaço afora.
As CMEs ocorrem quando as linhas do campo magnético se rompem. Uma grande CME pode lançar bilhões de toneladas de partículas carregadas e de gás quente para o espaço a centenas de milhares de quilômetros por hora.

Durante os dois tipos de eventos, as partículas mais energéticas atingem a Terra em poucos minutos. Em períodos em que a atividade solar está no máximo, vários flares e CMEs entram em erupção diariamente. Mas mesmo períodos de baixa atividade não garantem segurança total para os astronautas. A atividade solar, embora baixa em alguns momentos, nunca cessa.

Alguns dos flares mais violentos ocorrem em anos após o máximo solar. As erupções são tão imprevisíveis e acontecem tão rapidamente que os astronautas teriam muito pouco tempo para se proteger. Os flares são mais comuns que as CMEs e podem causar danos mais graves por radiação. É imprescindível dispor de um serviço de previsão da atividade solar quando se planeja passar períodos mais longos no espaço.

A segunda, e mais previsível, fonte de radiação do espaço são os raios cósmicos galácticos. Supostamente produzidos durante explosões de supernovas, essas partículas bombardeiam o Sistema Solar vindas de todas as direções. A taxa do fluxo dessas partículas é baixa, mas elas viajam a altíssimas velocidades. Os raios cósmicos são constituídos de prótons, núcleos de elementos pesados de alta energia. Os núcleos que podem afetar significativamente as funções biológicas vão desde o hidrogênio até o ferro. Núcleos pesados - como o ferro - são os mais perigosos.

"Os raios cósmicos galácticos são formados por partículas altamente ionizadas e podem prejudicar seriamente os tecidos", afirma Cary Zeitlin, especialista em radiação do Lawrence Berkeley National Laboratory, em Berkeley, Califórnia. "No entanto, o fluxo dessas partículas é muito baixo." Mesmo um evento de partículas solares intenso produz muito poucas partículas tão perigosas. Uma partícula isolada, gerada por um evento solar típico, produz danos muito menores que um íon pesado gerado por raios cósmicos. Mas, além dessas partículas, o Sol produz outras.
Os raios cósmicos penetram com facilidade as naves espaciais e a pele dos astronautas. Esta é a fonte de radiação dominante, da qual os astronautas da ISS precisam se proteger. Os raios cósmicos também serão um grande desafio para os astronautas a caminho de Marte. Ao mesmo tempo em que os riscos devidos ao Sol diminuem durante o mínimo de atividade, o perigo devido aos raios cósmicos aumenta. À medida que a atividade solar diminui, o campo magnético vai se enfraquecendo e não consegue mais defletir os raios cósmicos com a mesma eficiência. Então, a intensidade dos raios cósmicos aumenta.

Negócio arriscado
A profissão de astronauta é considerada de alto risco, comparável aos profissionais que se expõem a altos níveis de radiação no seu trabalho diário (operadores de aparelhos de raios X). A Nasa vem monitorando o nível de radiação a que são submetidos os astronautas em todos os seus vôos tripulados desde que o Projeto Mercury começou, em 1961. Os membros da tripulação a bordo de naves fortemente blindadas como a ISS usam dosímetros para monitorar os níveis de radiação. A radiação medida pode alertar os tripulantes sobre perturbações solares. Durante um flare solar extremamente intenso, um astronauta da ISS que não se proteger pode receber, em algumas horas, uma dose de radiação muito superior à máxima anual permitida.

O Mars Radiation Environment Experiment (Marie - Experimento para Medir a Radiação Ambiental de Marte) da Nasa, a bordo da Mars Odyssey, coletou dados sobre a radiação do ambiente espacial e em órbitas próximas de Marte antes de parar de funcionar. O equipamento ficou mudo ao registrar a tempestade solar de outubro de 2003, vítima da intensa radiação. Resultados preliminares sugerem que os astronautas que viajem a Marte numa missão de três anos podem se expor a doses de radiação próximas dos limites de segurança estabelecidos para a vida toda. "Pessoalmente, acredito que o problema da radiação tenha solução", assegura Paul Delaune, da equipe Marie. "O problema da dose total acumulada tem duas variáveis: taxa de radiação e tempo de exposição. Nosso objetivo é reduzir uma delas, ou ambas, de modo a baixar os níveis de exposição acumulada a doses aceitáveis."

Sistemas de propulsão avançados poderiam encurtar o tempo de viagem para Marte e, assim, diminuir o tempo de exposição. Blindagens especiais também reduziriam as doses de radiação durante os períodos em que os astronautas estivessem expostos ao ambiente espacial. Os materiais utilizados devem bloquear as partículas energéticas e também evitar que a radiação secundária seja criada pela interação da radiação primária com a matéria.

"O caso dos prótons solares é um problema simples de engenharia", afirma Frank Cucinotta, do Space Radiation Health Project (Projeto de Saúde da Radiação Espacial) que a Nasa desenvolve no Johnson Space Center. "A energia dos prótons é tal que uma blindagem já é suficiente. Alguns centímetros de qualquer material já conseguem reduzir a dose de prótons solares a um nível mais baixo."
Mas no caso dos raios cósmicos de alta energia a blindagem tem efeito limitado. "Até agora, não há dados suficientes em humanos para que os cientistas possam prever os riscos reais causados pelos raios cósmicos galácticos em missões espaciais de longa duração", diz Cucinotta.

Os locais onde os astronautas passam a maior parte do tempo na ISS, como as áreas de descanso, têm uma blindagem adicional. Os astronautas podem deslocar-se dentro dessas áreas mesmo que uma nuvem de partículas carregadas esteja a caminho. Os cientistas descobriram que os materiais de massa atômica baixa, particularmente o hidrogênio funcionam melhor como blindagem contra a radiação. Estruturas de compostos de carbono com alto conteúdo de hidrogênio bloqueiam eficientemente a radiação. Os projetos mais avançados para as futuras espaçonaves procuram proteger os astronautas envolvendo o espaço onde eles circulam com o reservatório de água da nave (a água - H2O - contém grandes quantidades de hidrogênio) ou com os próprios tanques de combustível de hidrogênio líquido.

Os plásticos também absorvem a radiação porque são bastante hidrogenados. A Nasa desenvolveu um polietileno reforçado que é dez vezes mais forte que o alumínio, e muito mais leve. Esse material já está sendo usado na blindagem de algumas partes da ISS.

Várias idéias para uma proteção eficiente - usando plasma ou um campo magnético intenso - estão sendo consideradas na construção das futuras naves espaciais e para a criação de bases em outros planetas. Um desses projetos utiliza campos elétricos para desviar as partículas carregadas.

Os estilistas do espaço terão de modificar os trajes espaciais dos astronautas - os abrigos terão de resistir a esse ambiente hostil e ser ainda mais leves e mais flexíveis que os trajes da Apollo. Os projetistas poderão instalar também pequenos sensores para alertar os astronautas sobre altos níveis de radiação e a proximidade de materiais tóxicos.

A maior preocupação com a saúde dos astronautas é a possibilidade de desenvolverem câncer. A Nasa monitora o nível da radiação espacial tendo em vista o risco da doença. Há outros efeitos que uma longa exposição pode causar como catarata, doença da radiação (também conhecida como envenenamento por radiação), danos ao sistema nervoso central e imunológico e até doenças cardíacas.

Algumas pessoas são mais susceptíveis à radiação que outras. Para as pessoas idosas os riscos são menores, porque o câncer tem menos tempo para se desenvolver. Em geral, a doença mata mais homens que mulheres.

A radiação afeta as células humanas em escala molecular. O DNA, tijolo básico da vida, está presente em cada célula do nosso corpo. Como a radiação ionizante penetra o tecido vivo, pode romper as cadeias do DNA.

É possível administrar as baixas doses de radiação durante períodos prolongados, pois o corpo tem tempo de reparar o mal causado. Mas no caso de doses altas, por exemplo, de um intenso flare solar - o efeito pode ser mais grave. As células podem sofrer danos irreparáveis e produzir células cancerosas. Este efeito é difícil de medir. Pode levar décadas entre a exposição à radiação e o aparecimento de um tumor. No caso extremo, o dano celular interrompe o funcionamento dos tecidos do corpo e aí pode ocorrer a doença da radiação ou mesmo a morte.

Os cientistas estão desenvolvendo suplementos alimentares e drogas capazes de proteger os astronautas desses danos biológicos, com prioridade na prevenção de câncer. Segundo o especialista em radiação Zeitlin, "independentemente do tipo de blindagem, as partículas virão com tudo, e os astronautas sempre irão receber doses muito maiores de radiação que as pessoas na Terra. Isso aumenta o risco de câncer e de outras doenças que eles podem desenvolver. Seria extremamente útil encontrar uma droga ou um suplemento alimentar, ou uma combinação de ambos que ajudasse a minimizar esses riscos".

Os astronautas que viajam além dos limites de proteção da Terra estarão submetidos a doses mais altas de radiações prejudiciais à saúde. Com efeito, astronautas já relataram ter visto flashes de luz azul quando raios cósmicos atravessam rapidamente o globo ocular (ver "Uma experiência ocular", acima) e muitos ex-astronautas adquiriram catarata.

Há até bem pouco tempo, os efeitos biológicos da radiação no espaço não eram muito conhecidos. Apesar de o conhecimento ter melhorado bastante, ainda não é suficiente para garantir a segurança dos astronautas em missões de três anos ou mais.

Precisamos conhecer que efeitos as viagens espaciais de longa duração produzem no corpo humano e como proteger os futuros passageiros do espaço, antes de ousar chegar aonde ninguém jamais chegou, com total segurança.

A radiação não está presente somente no espaço. Muitos objetos no solo são radioativos. Cada um de nós está sujeito a uma exposição de aproximadamente 360 milirém (mrem) por ano. (Um rem relaciona a dose absorvida com o dano biológico produzido). Oitenta e dois por cento dessa radiação vem de fontes naturais: do ar, do solo, de alimentos e do cosmos. Os 18% restantes são produzidos pelo homem: aparelhos de raios X e eletroeletrônicos (TVs, telefones celulares etc.). A dose máxima de radiação ocupacional para trabalhadores nessas áreas é de 5.000 mrem/ano.

Doses muito mais altas que essas representam riscos sérios à saúde. O dano causado por uma elevada dose de radiação, num curto período, será maior do que se a mesma quantidade de radiação for acumulada ao longo de vários anos. Se você receber uma dose de 75 rem terá a doença da radiação. Já com uma dose de 300 a 500 rem, haverá risco de 50% de morrer em 30 dias. Doses tão altas são absolutamente indesejáveis para os profissionais que trabalham com radiação e para os astronautas.

As partículas de alta energia bombardeiam continuamente a atmosfera da Terra. A maior parte delas - chamadas de raios cósmicos primários - são prótons e outros núcleos atômicos. Elas interagem com os núcleos de gases da atmosfera, produzindo uma chuva de partículas de baixa energia - os raios cósmicos secundários. Esse processo se repete e acaba produzindo um chuveiro de partículas na baixa atmosfera.

Se a energia dos raios cósmicos primários for suficientemente alta, as partículas criadas pelo chuveiro atmosférico chegarão até a superfície da Terra. Essas partículas são principalmente múons, elétrons, pósitrons e neutrinos. Os raios gama acompanham essas partículas. Se a partícula que deu início ao chuveiro não tiver energia suficientemente alta - a maioria não tem -, a partícula não atinge a superfície.

Uma forma de detectar partículas de alta energia no solo é através de um efeito secundário que elas produzem, chamado de radiação Cerenkov. Quando a luz se propaga em qualquer meio que não seja o vácuo, sua velocidade diminui, mas as partículas de alta energia sofrem menos esse efeito. Quando essas partículas de alta energia se propagam pela água ou pela atmosfera, têm uma velocidade que é maior que a velocidade da luz naquele meio e geram uma "onda de choque óptica". Isso equivale ao estrondo sonoro criado por uma aeronave que se desloca com velocidade maior que a velocidade do som no ar.

Astronautas dos ônibus espaciais, da ISS e da Apollo relatam ter visto flashes de luz quando estavam em completa escuridão ou com os olhos fechados. Esses flashes ocorrem porque uma substância semelhante a um gel - chamada de humor vítreo - preenche cerca de 80% do globo ocular humano. Como o humor vítreo é basicamente água, os olhos dos astronautas funcionam como detectores de radiação Cerenkov. A onda de choque óptica se move através do humor vítreo e a retina a detecta na forma de um flash de luz. - L. K.

COROT inicia busca de planetas extra-solares

Em órbita polar, telescópio Corot perscrutará até 100 mil estrelas na busca de um mundo que, como a Terra, também possa abrigar a vida
Concepção Artística de um exoplaneta orbitando uma das bilhões de estrelas da Via Láctea: desejo é encontrar mundos como a Terra


Passagem de Planeta pela frente de uma estrela observada pelo Corot permite a detecção e avaliação do porte desse mundo pela variação de brilho da luz estelar

Programa que tem participação brasileira estimula segunda geração de projetos para identificação de mundos como a Terra
Desde o início de fevereiro, informações coletadas pelo telescópio orbital Corot são utilizadas para pesquisa envolvendo dinâmica estelar e a busca de exoplanetas. Em seguida à conclusão dos primeiros ajustes, o telescópio já rendeu os primeiros resultados científicos e deu ao Brasil a perspectiva de participar de programas mais ousados.

Com o sucesso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na recepção de dados do Corot – a partir de 12 de janeiro, na base de lançamento de Alcântara, no Maranhão – pesquisadores tiveram receptividade para inserir o Brasil no pré-projeto do satélite Platão, previsto para ser lançado a partir de 2015. “Depois de alguns papéis em programas de recepção por satélite, ganhamos status por entrar no topo de uma área de pesquisa. E isso abre possibilidades de novas colaborações técnicas e científicas”, comemora o astrônomo Eduardo Janot Pacheco, presidente do comitê Corot-Brasil.

Desenvolvido pelo mesmo grupo do Corot – França, Alemanha, Itália e Bélgica, e sob liderança da Agência Espacial Européia (Esa) – o projeto Platão deve lançar um telescópio para estudos físicos de exoplanetas, que agora estão sendo procurados pelo Corot. Será um avanço qualitativo. Enquanto o Corot dispõe de telescópio de 27 cm de diâmetro, o Platão deve ter um equipamento de pelo menos 2 metros. O instrumento vai operar na luz visível e ultravioleta, além de registrar atividade eletromagnética, com um módulo de interferômetro.

Os principais objetivos do Corot são identificar exoplanetas – ao passarem à frente de suas estrelas-mães – e estudar a dinâmica estelar por meio da astro-sismologia. A partir da freqüência das ondas vistas na superfície da estrela, obtidas com variações de brilho, temperatura, efeito Doppler ou outros sinais, é possível deduzir a estrutura e comportamento interior.
O telescópio deve observar dezenas de estrelas semelhantes ao Sol, com idades inferiores, próximas ou mais avançadas. “É uma área essencial de pesquisa, levando em conta nossa dependência solar”, diz Janot Pacheco. Ele aponta a redução de temperatura que ocorreu na Terra na segunda metade do século 17, relacionada ao Sol. Esta alteração, que provavelmente foi de cerca de 2ºC, trouxe menor produtividade agrícola e fome.

Primeiros resultados
O primeiro emprego científico dos dados do telescópio foi o mapeamento da forma e intensidade da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, elaborado por Leonardo Pinheiro da Silva, da Escola Politécnica da USP. A anomalia é uma diminuição do campo magnético terrestre, sobre a região Sul do Brasil, caracterizada pela incidência de partículas solares, com freqüência responsável por falhas nas telecomunicações por satélite nesta região. Silva, um dos cinco engenheiros brasileiros envolvidos com o programa, usou dados obtidos de nove passagens do Corot sobre o Brasil, nas primeiras recepções, para o mapeamento.

Com órbita polar, o telescópio Corot dá uma volta na Terra a cada 100 minutos. Mesmo que nem todas as órbitas passem sobre o Brasil, o Corot sobrevoa a área de recepção de Alcântara várias vezes ao dia. O Corot tem capacidade reduzida de armazenamento de dados, e precisa “descarregar” suas informações com freqüência. Para isso dispõe de bases no Ártico e na Europa (Viena, na Áustria). O uso da base de Alcântara permitiu um aumento no número de estrelas observadas de 70 mil para 100 mil, e esta é uma das potencialidades do Brasil em projetos deste tipo.

Em função da participação no programa, outro engenheiro, Vanderlei Cunha Parro, criou um centro de estudos de softwares para satélites no Instituto Mauá de Tecnologia. Além do uso nos satélites, esses programas são utilizados em aplicações ininterruptas, de alta confiabilidade, de aeronáutica a siderurgia.

Além das pesquisas relacionadas à astro-sismologia e à busca de exoplanetas, o Corot também selecionou projetos paralelos. No Inpe, em São José dos Campos, Walter González lidera um estudo das emissões de ondas de rádio por planetas, caso de Júpiter, em interação com partículas emitidas pelo Sol, o vento solar. Os elétrons do vento solar atingem o campo magnético jupiteriano em cerca de dez dias e mergulham em espiral, emitindo ondas de rádio. Em exoplanetas, há possibilidades de recepções muito mais intensas, devido à maior proximidade desses corpos com suas estrelas-mães. “Nesta área ocorrem muitas surpresas. Às vezes temos boas teorias, mas as medições podem dar resultados diferentes”, diz Francisco Jablonsky, também envolvido com o projeto.

O grupo brasileiro deve utilizar o Corot para prever interações de ventos estelares e exoplanetas. As emissões identificadas, a partir das alterações ópticas nas estrelas, orientarão o direcionamento de radiotelescópios, na Índia, para investigar a interação com planetas já identificados. Os pesquisadores brasileiros trabalham em cooperação com equipes do Giant Meter Radio Telescope (GMRT), na Índia.

Eclipses estelares
Adriana Silva, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, utiliza as imagens do telescópio para estudar manchas estelares, tirando partido da passagem de planetas à frente das estrelas. Outros grupos estão envolvidos com os eclipses estelares causados por sistemas planetários em formação, com estudos detalhados da rotação de estrelas parecidas com o Sol e sua pulsação, entre outros.

Pesquisas brasileiras na área de exobiologia também devem beneficiar-se das descobertas do Corot, embora não estejam ligadas diretamente ao programa. A partir da detecção de planetas semelhantes à Terra, os pesquisadores poderão identificar os que possuem atmosfera e estudar a composição em busca de traços de vida. “O Corot fará a seleção de alvos para trabalhos futuros, com o auxílio de telescópios como o Keppler, Darwin e TPF, previstos para serem lançados a partir de 2008”, diz Carlos Alexandre Wuensche, pesquisador da área de astrofísica do Inpe. O Brasil tem cinco pesquisadores co-investigadores do Corot, com direito a acessar e analisar informações levantadas pelo telescópio.

Foguete confiável
O Corot foi lançado por um foguete russo Soyuz 2-1B, da base de Baikonur, no Cazaquistão, em 27 de dezembro passado. Embora a França seja a líder do projeto e disponha da base de Kourou, na Guiana Francesa, a escolha do sistema russo ocorreu por razões técnicas e de mercado. O Corot tem apenas 600 kg, carga leve para os foguetes franceses Ariane 5, que operam em Korou.
Além disso, acordos anteriores entre franceses e russos permitiram que o Corot fosse lançado por cerca de US$ 18 milhões, enquanto lançamentos como este custam entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. “Ainda poderíamos ter lançado da Índia, com custos menores, mas a alta confiabilidade do foguete russo definiu esta opção.

O telescópio Corot iniciou suas observações científicas em 3 de fevereiro e até 3 de abril deve se voltar para a direção contrária ao centro da Galáxia, região rica em estrelas. Neste primeiro momento, o objetivo é encontrar exoplanetas com períodos de translação entre 10 e 18 dias, faixa em que não existem exemplos conhecidos. Após esta data, o telescópio irá se voltar para as regiões do Escudo e Cauda da Serpente, na direção do centro galáctico, e do Unicórnio, no sentido oposto. Ele fará este movimento alternado a cada seis meses.

Ainda que as perspectivas do Corot sejam promissoras, os resultados científicos devem exigir algum tempo para demonstrar resultados. Segundo o critério estabelecido, após o encontro de um candidato a exoplaneta, serão feitos os procedimentos para comprovação, como repetições e observações de solo. Para Janot, os anúncios devem ocorrer cerca de três meses após as descobertas, mesmo com um equipamento extremamente sensível.

Titã, a enigmática lua de Saturno





Neste nosso primeiro encontro via blog com leitores de Astronomy Brasil poucos temas seriam mais sugestivos para conversa que a enigmática lua Titã, um dos 56 satélites de Saturno.
As razões para isso são tanto a espessa cobertura atmosférica que envolve essa lua constantemente oculta – como se insistisse em manter seus segredos – quanto os recentes sucessos em burlar essa vigilância.
A nave Cassini, que desde 2004 orbita Saturno, tem enviado à Terra uma profusão de imagens do segundo maior mundo de todo o Sistema Solar.
Entre as imagens estão novos e quase apagados anéis, partilhando espaço com o anel principal e mais brilhante, visível daqui com ajuda de pequenos telescópios.
As imagens não são apenas deleite visual para pesquisadores planetários. São informação científica para ser decifrada e interpretada nesse eterno jogo que nos leva sempre de volta à pedra Roseta, o bloco de granito negro que permitiu a Jean-François Champollion (1822) e Thomas Young (1823) decifrar hieróglifos egípcios.
Em relação aos anéis, está confirmada a suspeita de que se alimentam de luas dilaceradas de Saturno ou em fase de desestruturação por processos que vão da ação gravitacional à escavação por meteoróides que chegam do espaço profundo.
Como revela material da edição em fechamento de Astronomy Brasil, (junho) a Cassini vem identificando novos e apagados anéis que se nutrem especialmente da escavação por meteoróides, enquanto outros mais brilhantes são abastecidos por jatos de gelo expelidos por luas como Encélado, um dos satélites medianos de Saturno.
As últimas descobertas, no entanto, foram feitas em Titã e estão entre as mais intrigantes.
A primeira delas é uma cadeia montanhosa de uns 150 km de extensão por 18 km de largura, com picos que ascedem aos 1.500 metros.
Mas qual o mistério de uma formação como essa? A Terra não tem cadeias montanhosas muito mais expressivas?
A cadeia de Titã sugere a presença de forças tectônicas atuando no corpo dessa lua. Se isso for verdade, de certa maneira, ela é uma pequena Terra. Aqui as forças tectônicas – origem de sismos e vulcanismos – moldam incessantemente a superfície do planeta. A presença desse processo em Titã é uma pista que pode levar a inúmeras conclusões.
O mais fascinante, no entanto, são os lagos, cada vez mais numerosos. Mas não pense o leitor que se trata de plácidos lagos de água, como os que existem na Terra, onde se pode pescar nas tardes de verão. Titã, talvez valha a pena dizer, está mergulhado em temperaturas gélidas, em torno de 180º C negativos.
Os lagos de Titã devem ser de metano combinado a outros elementos orgânicos. Titã pode abrigar vida – não a vida como conhecemos na Terra, responsável, entre outras coisas, pela poluição atmosférica pela queima de combustível fóssil – mas vida mais elementar?
É possível, mas esta é uma questão que ainda integra as previsões sobre essa lua fascinante. E para que o leitor se previna, previsão é uma arte que tem se mostrado fracassada nesse distante mundo esquivo.

A sonda Cassini da NASA, efectuou com sucesso uma passagem por Titã, a maior lua de Saturno, a uma distância de apenas 2.042 km, no passado dia 31 de Março. Os múltiplos intrumentos transportados pela sonda estão a permitir obter novas e surpreendentes imagens daquele mundo envolto em neblina.

Nesta recente passagem pelo planeta, a neblina que cobre Titã foi o alvo de observações no comprimento de onda do ultravioleta. Com este tipo de observação os cientistas esperam aprender mais sobre o tamanho e composição das partículas que formam a neblina que cobre Titã.
Esta imagem de Titã revela novos territórios que ainda não haviam sido observados pelas câmaras da Cassini nesta resolução. A imagem é uma composição de quatro imagens, praticamente idênticas, obtidas pelas câmaras de grande ângulo, todas elas usando um filtro sensível ao comprimento de onda do infravermelho a 939 nanómetros. As imagens individuais foram combinadas e tratadas de forma a tornar mais nítidos os detalhes da superfície e as variações de luminosidade. Parte do território foi coberto pelas observações efectuadas pelo radar de abertura sintética em Outubro de 2004 e Fevereiro de 2005. Em escalas maiores, existem similaridades entre a imagens obtidas pelas câmaras do subsistema de imagem científica e os resultados do radar, mas existem também algumas diferenças. Por exemplo, o centro da base da cratera (com aproximadamente 80 km de diâmetro) identificada pela equipa em Fevereiro (próxima do centro nesta imagem), é relativamente mais brilhante no comprimento de onda do radar, a 2,2 centímetros e escura nos comprimentos de onda do infravermelho próximo usados aqui pelas câmaras óptica da Cassini. Esta diferença de brilho é igualmente aparente em alguns dos materiais circundantes, podendo indicar diferenças na composição da superfície ou mesmo na sua dureza.
Comparações deste tipo, bem como a informação adquirida pelas observações do espéctrometro visual e infravermelho em simultâneo com as observações da câmara óptica, são importantes para tentar compreender a natureza das matérias que compõem a superfície de Titã.

As imagens para realizar esta composição foram obtida a 31 de Março, a distâncias que variaram aproximadamente entre os 146.000 e os 130.000 km de distância de Titã. A resolução da imagem é de 8 quilómetro por pixel.

A missão Cassini-Huygens é um projecto conjunto da NASA, da ESA e da ASI, sendo dirigida e coordenada pelo JPL.