quarta-feira, 25 de abril de 2007

17 anos de Hubble!!!!


Amanhã, terça-feira, dia 24 de abril, o Hubble completa 17 anos de idade! Vai ter velinha, bolo e champanhe lá no instituto do Hubble em Baltimore e eu, claro, não vou perder esta.
Quem diria que ele chegaria a esta idade e continuando a revolucionar a astronomia? Logo no começo quando produzia imagens fora de foco ele foi considerado um dos maiores fiascos da astronomia. O telescópio que tinha custado mais de US$ 1 bilhão estava prestes a virar sucata espacial. Mas a Nasa respirou fundo e decidiu investir e consertar a barberagem que ela mesmo havia causado. Foi tentando economizar nos testes que eles erraram e não detectaram uma falha no espelho que era 1 micron mais plano do que deveria ser.

17 anos depois, ele continua a nos deixar boquiabertos com a beleza do universo. Mas foram mais de US$ 4 bilhões de investimento e atualmente o telescópio funciona precariamente por falta de manutenção. Depois de muito debate e muito lobby no congresso, no ano passado a Nasa decidiu que mandará uma missão do ônibus espacial para substituir alguns dos instrumentos e fazer a manutenção necessária para mante-lo saudavel pelo menos por mais uns 5 anos pela frente. Temos apenas que ser pacientes porque a fila para pegar o ônibus
é longa, e torcer para o telescópio continue funcionando mesmo que precariamente.

O Hubble foi inicialmente planejado para operar por 15 anos (até 2005).



Das inúmeras imagens já tiradas, selecionei as que a meu ver são as de maior impacto na astronomia. Claro que estou deixando de fora centenas de outras imagens, mas estas já devem dar um gostinho da potência e importância do Hubble. Vou colocar links diretos, não desanime porque os textos estão em inglês, a maioria das imagens não necessitam tradução, falam por elas mesmas. Clique e comece a sonhar, se transporte ao infinito. Deixe o seu comentário aqui no blog dizendo qual a sua imagem favorita e se ela consta da minha seleção ou não! Boa Viagem!!


- Eta Carina, uma estrela à beira da morte http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/09/image/a

- Os detalhes do ambiente onde as estrelas nascem e como elas morrem http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1995/44/ http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2004/27/image/a

- A detecção de galáxias primordiais nos confins do Universo http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/52/

- As imagens profundas revelando como galáxias evoluem http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1996/01/

- Uma estimativa mais precisa da idade, tamanho, e evolução do Universo http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2004/07

- O acompanhamento ao vivo da colisão entre o Cometa Shoemaker-Levy e o planeta Júpiter http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1995/15/

- O monitoramento das condições meteorólogicas em outros planetas do sistema solar. http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1997/15/

- A detecção de vários discos proto-planetários ao redor de estrelas http://www.seds.org/hst/OrionProplyds.html

- A revelação de que os objetos conhecidos como quasares habitam galáxias http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/16/

- As evidências de que buracos negros supermassivos habitam núcleos de galáxias.http://csep10.phys.utk.edu/astr162/lect/active/smblack.html

Achado primeiro planeta extra-solar habitável



Situado a 20,5 anos-luz do Sol, Gliese 851c teria condições de abrigar água líquida em sua superfície

Situada a 20,5 anos-luz do Sistema Solar, a Gliese 581 é uma das cem estrelas mais próximas do Sol (foto: Digital Sky Survey).

Representação artística do sistema planetário em órbita da estrela Gliese 581. No primeiro plano, o planeta extra-solar recém-descoberto, capaz de ter água líquida em sua superfície (arte: ESO).

Um planeta parecido com a Terra, possivelmente com condições de abrigar vida, foi descoberto por astrônomos europeus. Com cinco vezes a massa da Terra e o raio 50% maior que o de nosso planeta, Gliese 851c é o menor planeta extra-solar já encontrado. Sua temperatura média foi estimada entre 0 e 40ºC, o suficiente para abrigar água líquida em sua superfície.

O planeta percorre uma órbita de 13 dias em torno da estrela Gliese 851, uma anã-vermelha situada a 20,5 anos-luz do Sistema Solar, na constelação de Libra. A distância entre os dois astros é 14 vezes menor que aquela que separa a Terra do Sol. Ainda assim o planeta está situado em uma região habitável, já que Gliese 581 tem um terço da massa do Sol e uma luminosidade 50 vezes menor.

A superfície do planeta deve ser rochosa ou coberta por oceanos, de acordo com modelos usados pela equipe de Stéphane Udry, do Observatório de Genebra (Suíça), responsável pela descoberta. Os pesquisadores submeteram um artigo que descreve o novo astro para publicação na revista Astronomy and Astrophysics .

Gliese 851c foi identificado por um aparelho acoplado a um telescópio do Observatório do Sul da Europa situado no Chile. “O instrumento mede variações na velocidade radial da estrela provocadas pela atração gravitacional que o planeta exerce sobre ela”, explica à CH On-line Thierry Forveille, astrônomo do Observatório de Grenoble (França) e co-autor do estudo. “O método é o mesmo usado na descoberta da maior parte dos planetas extra-solares, mas os avanços na precisão das medições têm permitido encontrar planetas de massa menor.”


Sistema com três planetas
A mesma equipe havia identificado há dois anos um outro planeta na órbita da Gliese 851, com massa 15 vezes maior que a da Terra, similar à de Netuno. Novas medições acabaram mostrando que havia mais dois planetas no sistema – além do Gliese 851c, o grupo descreve no mesmo artigo um terceiro planeta, com massa oito vezes maior que a da Terra.

A equipe espera confirmar em breve que há água líquida na superfície do novo astro. “Se tivemos sorte, a orientação da órbita de Gliese 851c permitirá que comparemos a luz da estrela quando o planeta está diante e atrás dela. Com isso, poderemos isolar a luz do planeta e, assim, identificar assinaturas específicas da sua atmosfera e da água em particular”, conta Forveille.

O francês reconhece, no entanto, que a probabilidade de que o grupo tenha essa sorte é de apenas alguns pontos percentuais. “Caso isso seja impossível, teremos que esperar o desenvolvimento de instrumentos e satélites que permitam analisar sinais fracos ao lado de sinais muito mais brilhantes, o que pode demorar mais alguns anos.”


Ossos para Marte




Regime atual de exercícios da ISS não manteria a resistência óssea adequada para astronautas viajarem em segurança com gravidade zero para lugares distantes.


O regime atual de exercícios da Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) não manteria a resistência óssea adequada para os astronautas viajarem em segurança com gravidade zero para lugares distantes como Marte. De acordo com pesquisa médica recente organizada por Thomas F. Lang, da University of California em São Francisco, tripulantes da ISS perdem tanta densidade óssea por mês quanto a maioria das mulheres depois da menopausa perdem por ano. Depois de um vôo para Marte, astronautas poderiam se tornar vulneráveis a fraturas.

Mas toda a esperança pela exploração espacial de longa distância não está perdida, avalia a cientista do programa ISS, Julie Robinson, que apresentou os dados de Lang em 8 de janeiro, no encontro do American Institute of Aeronautics and Astronautics, em Reno, Nevada.

Robinson diz que as cintas usadas para fixar a tripulação da ISS às esteiras de exercícios, simulando a ação da gravidade, serão redesenhadas para aplicar maior tensão, sem causar desconforto. A Nasa também avaliará o benefício das medicações para o fortalecimento dos ossos. “Esse problema tem solução”, diz Robinson.


COROT inicia busca de planetas extra-solares




Programa que tem participação brasileira estimula segunda geração de projetos para identificação de mundos como a Terra.

Concepção Artística de um exoplaneta orbitando uma das bilhões de estrelas da Via Láctea: desejo é encontrar mundos como a Terra

Em órbita polar, telescópio Corot perscrutará até 100 mil estrelas na busca de um mundo que, como a Terra, também possa abrigar a vida


Desde o início de fevereiro, informações coletadas pelo telescópio orbital Corot são utilizadas para pesquisa envolvendo dinâmica estelar e a busca de exoplanetas. Em seguida à conclusão dos primeiros ajustes, o telescópio já rendeu os primeiros resultados científicos e deu ao Brasil a perspectiva de participar de programas mais ousados.

Com o sucesso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na recepção de dados do Corot – a partir de 12 de janeiro, na base de lançamento de Alcântara, no Maranhão – pesquisadores tiveram receptividade para inserir o Brasil no pré-projeto do satélite Platão, previsto para ser lançado a partir de 2015. “Depois de alguns papéis em programas de recepção por satélite, ganhamos status por entrar no topo de uma área de pesquisa. E isso abre possibilidades de novas colaborações técnicas e científicas”, comemora o astrônomo Eduardo Janot Pacheco, presidente do comitê Corot-Brasil.

Desenvolvido pelo mesmo grupo do Corot – França, Alemanha, Itália e Bélgica, e sob liderança da Agência Espacial Européia (Esa) – o projeto Platão deve lançar um telescópio para estudos físicos de exoplanetas, que agora estão sendo procurados pelo Corot. Será um avanço qualitativo. Enquanto o Corot dispõe de telescópio de 27 cm de diâmetro, o Platão deve ter um equipamento de pelo menos 2 metros. O instrumento vai operar na luz visível e ultravioleta, além de registrar atividade eletromagnética, com um módulo de interferômetro.

Os principais objetivos do Corot são identificar exoplanetas – ao passarem à frente de suas estrelas-mães – e estudar a dinâmica estelar por meio da astro-sismologia. A partir da freqüência das ondas vistas na superfície da estrela, obtidas com variações de brilho, temperatura, efeito Doppler ou outros sinais, é possível deduzir a estrutura e comportamento interior.

O telescópio deve observar dezenas de estrelas semelhantes ao Sol, com idades inferiores, próximas ou mais avançadas. “É uma área essencial de pesquisa, levando em conta nossa dependência solar”, diz Janot Pacheco. Ele aponta a redução de temperatura que ocorreu na Terra na segunda metade do século 17, relacionada ao Sol. Esta alteração, que provavelmente foi de cerca de 2ºC, trouxe menor produtividade agrícola e fome.

Primeiros resultados
O primeiro emprego científico dos dados do telescópio foi o mapeamento da forma e intensidade da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, elaborado por Leonardo Pinheiro da Silva, da Escola Politécnica da USP. A anomalia é uma diminuição do campo magnético terrestre, sobre a região Sul do Brasil, caracterizada pela incidência de partículas solares, com freqüência responsável por falhas nas telecomunicações por satélite nesta região. Silva, um dos cinco engenheiros brasileiros envolvidos com o programa, usou dados obtidos de nove passagens do Corot sobre o Brasil, nas primeiras recepções, para o mapeamento.

Com órbita polar, o telescópio Corot dá uma volta na Terra a cada 100 minutos. Mesmo que nem todas as órbitas passem sobre o Brasil, o Corot sobrevoa a área de recepção de Alcântara várias vezes ao dia. O Corot tem capacidade reduzida de armazenamento de dados, e precisa “descarregar” suas informações com freqüência. Para isso dispõe de bases no Ártico e na Europa (Viena, na Áustria). O uso da base de Alcântara permitiu um aumento no número de estrelas observadas de 70 mil para 100 mil, e esta é uma das potencialidades do Brasil em projetos deste tipo.

Em função da participação no programa, outro engenheiro, Vanderlei Cunha Parro, criou um centro de estudos de softwares para satélites no Instituto Mauá de Tecnologia. Além do uso nos satélites, esses programas são utilizados em aplicações ininterruptas, de alta confiabilidade, de aeronáutica a siderurgia.

Além das pesquisas relacionadas à astro-sismologia e à busca de exoplanetas, o Corot também selecionou projetos paralelos. No Inpe, em São José dos Campos, Walter González lidera um estudo das emissões de ondas de rádio por planetas, caso de Júpiter, em interação com partículas emitidas pelo Sol, o vento solar. Os elétrons do vento solar atingem o campo magnético jupiteriano em cerca de dez dias e mergulham em espiral, emitindo ondas de rádio. Em exoplanetas, há possibilidades de recepções muito mais intensas, devido à maior proximidade desses corpos com suas estrelas-mães. “Nesta área ocorrem muitas surpresas. Às vezes temos boas teorias, mas as medições podem dar resultados diferentes”, diz Francisco Jablonsky, também envolvido com o projeto.

O grupo brasileiro deve utilizar o Corot para prever interações de ventos estelares e exoplanetas. As emissões identificadas, a partir das alterações ópticas nas estrelas, orientarão o direcionamento de radiotelescópios, na Índia, para investigar a interação com planetas já identificados. Os pesquisadores brasileiros trabalham em cooperação com equipes do Giant Meter Radio Telescope (GMRT), na Índia.

Eclipses estelares
Adriana Silva, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, utiliza as imagens do telescópio para estudar manchas estelares, tirando partido da passagem de planetas à frente das estrelas. Outros grupos estão envolvidos com os eclipses estelares causados por sistemas planetários em formação, com estudos detalhados da rotação de estrelas parecidas com o Sol e sua pulsação, entre outros.

Pesquisas brasileiras na área de exobiologia também devem beneficiar-se das descobertas do Corot, embora não estejam ligadas diretamente ao programa. A partir da detecção de planetas semelhantes à Terra, os pesquisadores poderão identificar os que possuem atmosfera e estudar a composição em busca de traços de vida. “O Corot fará a seleção de alvos para trabalhos futuros, com o auxílio de telescópios como o Keppler, Darwin e TPF, previstos para serem lançados a partir de 2008”, diz Carlos Alexandre Wuensche, pesquisador da área de astrofísica do Inpe. O Brasil tem cinco pesquisadores co-investigadores do Corot, com direito a acessar e analisar informações levantadas pelo telescópio.

Foguete confiável
O Corot foi lançado por um foguete russo Soyuz 2-1B, da base de Baikonur, no Cazaquistão, em 27 de dezembro passado. Embora a França seja a líder do projeto e disponha da base de Kourou, na Guiana Francesa, a escolha do sistema russo ocorreu por razões técnicas e de mercado. O Corot tem apenas 600 kg, carga leve para os foguetes franceses Ariane 5, que operam em Korou.
Além disso, acordos anteriores entre franceses e russos permitiram que o Corot fosse lançado por cerca de US$ 18 milhões, enquanto lançamentos como este custam entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. “Ainda poderíamos ter lançado da Índia, com custos menores, mas a alta confiabilidade do foguete russo definiu esta opção.

O telescópio Corot iniciou suas observações científicas em 3 de fevereiro e até 3 de abril deve se voltar para a direção contrária ao centro da Galáxia, região rica em estrelas. Neste primeiro momento, o objetivo é encontrar exoplanetas com períodos de translação entre 10 e 18 dias, faixa em que não existem exemplos conhecidos. Após esta data, o telescópio irá se voltar para as regiões do Escudo e Cauda da Serpente, na direção do centro galáctico, e do Unicórnio, no sentido oposto. Ele fará este movimento alternado a cada seis meses.

Ainda que as perspectivas do Corot sejam promissoras, os resultados científicos devem exigir algum tempo para demonstrar resultados. Segundo o critério estabelecido, após o encontro de um candidato a exoplaneta, serão feitos os procedimentos para comprovação, como repetições e observações de solo. Para Janot, os anúncios devem ocorrer cerca de três meses após as descobertas, mesmo com um equipamento extremamente sensível.





Energia à vontade



Para onde quer que olhemos, vemos energia. Mesmo assim, a maioria das pessoas não faz idéia do que seja isso.

Para onde quer que olhemos, vemos energia. Mesmo assim a maioria das pessoas não faz idéia do que seja isso. Einstein escreveu em 1905 que matéria e energia são equivalentes. Uma pode transformar-se na outra. Numa fatia de queijo cheddar a Natureza consegue armazenar quase 1 trilhão de ergs de energia. Se você pudesse converter a massa do queijo em energia, em vez de derretê-lo, manteria uma lâmpada de 100 W acesa por 15 minutos.

Os astrônomos juntam massa e energia do Universo como se fossem uma coisa só. A menos que existam outros universos que não conhecemos, esse total de energia é finito. No entanto não podemos gastá-lo. É que energia nunca é perdida, nem destruída, nem criada. A energia muda de forma, mas nunca diminui, nem um pouquinho.

Digamos que você suba de carro até o topo de uma colina. Depois desce em ponto morto. Você começou liberando a energia química da gasolina que estava armazenada em suas ligações moleculares. Energia que está armazenada à espera para ser liberada é chamada energia potencial. Ao fazer seu carro se mover, a energia potencial do combustível se transforma em energia de movimento: energia cinética. Até a luz, já que ela se move, possui energia, o que significa que tem uma massa equivalente. Ela só não tem uma “massa de repouso” porque, diferente de tudo o mais, ela é estranhamente compelida a estar sempre em movimento. Se você pudesse fazer a luz parar, ela desapareceria.

Já acertaram o seu rosto com uma torta de creme? Vá por mim, não machuca muito quando ela é apenas comprimida contra o rosto. Mas pode ser doloroso se a torta for atirada de longe, pois uma torta em movimento tem energia cinética. Qualquer corpo celeste que gire, mova-se ou contenha átomos que se agitam – em outras palavras, tudo – está repleto de energia cinética. A energia cinética está por toda parte.

Quando seu carro subiu a ladeira, na verdade ganhou energia – a energia potencial da gravidade. Isso significa que, ao chegar ao topo, você ganhou uma passagem grátis de volta para baixo. Essa passagem nunca expira. A energia potencial gravitacional pode esperar pacientemente por milhões de anos. Mas suponha que você a gaste imediatamente descendo a ladeira em ponto morto, ganhando energia cinética enquanto gasta essa energia potencial gravitacional. Quando você pisar nos freios no sopé do morro, a energia cinética do carro se transformará em aquecimento dos freios. Calor é simplesmente uma manifestação do movimento dos átomos e significa mais energia cinética. Em resumo, sua viagem curta e sem propósito serviu para demonstrar mudanças entre formas de energia. Nenhuma energia líquida foi destruída. Nenhuma foi perdida. Existe apenas energia potencial e cinética por toda parte sob vários disfarces.

Considere agora Betelgeuse. Essa estrela está para causar uma surpresa desagradável para qualquer advogado alienígena que tenha escritórios em seus planetas. Qualquer dia o velho núcleo de Betelgeuse não vai mais gerar energia suficiente para continuar pressionando sua superfície para fora contra sua assombrosa gravidade, 5 milhões de vezes maior que a da Terra. Aquela energia potencial se oculta por lá como uma bomba-relógio. No dia em que a estrela colapsar, uma quantidade tão grande de energia potencial se transformará em energia cinética que o movimento dos átomos (calor) aumentará repentinamente para níveis inimagináveis, dando vazão a um novo tipo de energia potencial armazenada dentro dos átomos. É a supernova. Você não iria querer estar por perto.

Energia e força parecem coisas semelhantes, mas são diferentes. Força é um puxão ou um empurrão entre dois objetos. Algumas forças, como a da torta, atuam através de contato direto. Outras, curiosamente, atuam através do espaço vazio. O contato direto não é necessário.

Existem quatro forças fundamentais: a força forte, a força fraca, o eletromagnetismo e a gravidade. A força forte mantém os prótons juntos, o que é uma coisa boa se você tem apreciação pelo seu corpo e seus átomos. Essa força também mantém intactos os nêutrons. Remova um nêutron do seu átomo, e ele se desfaz em 15 minutos. Deixe-o lá e ele durará uma eternidade.

A força forte só funciona em distâncias curtas da ordem do diâmetro de um núcleo. É por isso que átomos gigantes como o urânio são instáveis. Eles são grandes demais. Onde se encontram os seus prótons mais externos, a força é tão fraca que ocasionalmente se anula, transformando o átomo num elemento diferente. Esses prótons já não formam os elementos como antes.

A força fraca também só funciona dentro de átomos e pode induzir a radioatividade. Então vem o eletromagnetismo. O seu alcance é infinito. Essa força maravilhosa faz motores funcionar e cria partículas de luz (fótons). Fótons carregam essa força de um lugar para outro. Quando você observa qualquer coisa através de um telescópio, o que realmente ocorre é que a luz traz a força eletromagnética de impérios muito distantes e a entrega à sua retina, onde causa reações bioquímicas ou, em uma palavra, a visão. Luz não é apenas o que você vê. É o que faz você ver.

A quarta força, a gravidade, é a mais misteriosa. Ninguém realmente sabe o que ela é. Seu alcance, como o do eletromagnetismo, também é infinito. A gravidade nunca cai a zero. Ela mantém estrelas e galáxias unidas, como também pode destroçá-las. Força e energia. Elas são o coração e a alma da astronomia.

A cauda de dois cometas



O cometa McNaught estende-se pelo céu austral em 19 de janeiro de 2007, e os componentes de sua cauda de poeira pendem sobre o horizonte oeste logo após o pôr-do-sol. A foto mostra o cometa observado no céu do Colorado, ao escurecer, com sua cabeça mergulhada 20º no horizonte




O cometa de Chéseaux também mostrou uma cauda de diversos componentes, que apareceu no céu do leste antes do nascer do Sol. Esta gravura, feita à mão, registra uma dúzia de estacas separadas, como foram vistas de Berlim antes do início da aurora em 7 de março de 1744




A cauda cheia de raios do cometa McNaught lembra de forma impressionante a do grande cometa de 1744

Assim como acontecia com o personagem Ferdinando, dos clássicos quadrinhos de Al Capp, havia sempre uma nuvem sobre a minha cabeça. Eu vi o melhor cometa das últimas décadas, o C/2006 P1 (McNaught), apenas uma vez – de um avião a 12.500 m de altitude. Assim como muitas pessoas ao norte do Equador, apreciei o cometa de forma indireta, pelas imagens dos observadores mais favorecidos do Hemisfério Sul.

Mas para mim as imagens mais interessantes foram feitas em meados de janeiro, de lugares mais ao norte. Essas imagens mostram raios brilhantes de luz pairando como fantasmas sobre o horizonte a sudoeste, depois do crepúsculo. Imediatamente senti que já havia visto aquilo no passado.

E era verdade. As imagens eram de um livro que eu guardara como um tesouro da infância: A picture history of astronomy (Uma história da astronomia por imagens), de Patrick Moore, publicado em 1961. Entre as imagens de cometas famosos havia uma gravura de um objeto espetacular visto em 1744, identificado como o cometa “de Chéseaux”. A estampa mostrava um espetáculo com cinco caudas, iluminando o céu da Europa antes do amanhecer, a partir de um núcleo que não podia ser visto. Os astrônomos viram muitos cometas se aproximarem do Sol nos últimos dois séculos e meio, desde o cometa de Chéseaux, mas nenhum teve as características daquele – até agora.

O Grande Cometa de 1744 – oficialmente designado C/1743 X1 (Klinkenberg-de Chéseaux) – não tem qualquer relação física com o McNaught. No entanto, os dois compartilham histórias de observação e propriedades orbitais consideravelmente parecidas.


Jean-Philippe Loys de Chéseaux foi um rico proprietário de terras e astrônomo suíço que encontrou um cometa em 13 de dezembro de 1743. Apesar de o astrônomo holandês Dirk Klinkenberg tê-lo descoberto quatro noites antes, as rigorosas observações de Chéseaux permitiram a determinação da órbita do cometa. O C/1743 X1 tinha uma órbita parabólica que o levou a 33 milhões de km do Sol, no periélio, em 1o de março de 1744. A órbita também se inclinou acentuadamente (47º) para a eclíptica.

O cometa brilhou por algumas das semanas seguintes e, por volta de fevereiro de 1744, seu brilhou rivalizou com o da estrela Sirius. Ele então exibiu uma cauda curva com cerca de 15º de comprimento. O C/1743 X1 seguiu um trajeto que o levou a tangenciar o disco do Sol e, no final de fevereiro, foi visto a olho nu apenas seis minutos antes do nascer do Sol. No dia 28, observadores o avistaram em diversos momentos do dia, a cerca de 12º do astro.

Durante a semana seguinte, o cometa deslizou para baixo do horizonte. Então, nas manhãs de 7 e 8 de março, De Chéseaux mostrou um espetáculo fantástico: com a cabeça do cometa aproximadamente 20º abaixo do horizonte, seis magníficas caudas brilharam acima da linha do horizonte, a leste. Outros observadores confirmaram esta visão.

A órbita do cometa McNaught tem muitas características em comum com a do de Chéseaux. Ela também é parabólica (ou quase) e tem um periélio bastante próximo do Sol, a 26 milhões de km, além de uma alta inclinação (77º). O McNaught também ficou espetacularmente brilhante próximo ao seu periélio e foi visto à luz do dia. E ele também se moveu tangenciando o Sol em seu caminho para o periélio, e então mergulhou para fora da vista dos observadores do Hemisfério Norte.

Um olhar rápido sobre as trajetórias orbitais dos dois cometas mostra que elas são quase simétricas, como se fossem um objeto e seu reflexo no espelho. Apesar de atingirem o periélio em lados opostos do Sol, ambos chegaram do norte, fizeram uma grande curva no periélio e então se voltaram para o sul. Os observadores viram C/1743 X1 antes do amanhecer e o C/2006 depois do pôr-do-Sol.

Os dois cometas liberaram imensas quantidades de poeira quando passaram próximo ao Sol, no periélio. Mais provavelmente, essa poeira foi ejetada em uma série de explosões, talvez relacionadas aos períodos de rotação dos respectivos núcleos. A pressão da radiação solar então alongou essas nuvens de poeira em lençóis. Nos dois casos, nossa perspectiva da Terra favoreceu a dispersão da luz do Sol pelos grãos de poeira enquanto eles se espalhavam a partir de suas primeiras localizações. Alinhamentos geométricos tão precisos entre o Sol, a Terra e um cometa não acontecem a toda hora – só conhecemos estas duas vezes – mas os resultados são verdadeiramente espetaculares.