terça-feira, 15 de maio de 2007

Como salvar o céu noturno





Eu atormentava meus pais e professores com perguntas como "Quantas estrelas existem? Elas ficam muito longe?". Infelizmente, com o brilho do céu de hoje, quase não se ouvem mais perguntas como essas.

Os impactos negativos da iluminação excessiva durante a noite estão bem documentados. Espalhar por aí o que podemos fazer para salvar nossos céus noturnos é a missão da International Dark-Sky Association (IDA). A IDA oferece material e recursos para ajudar astrônomos amadores a continuar no escuro.

Um esforço organizado
Inicialmente com apenas dois membros co-fundadores, a IDA conta hoje com cerca de 11 mil sócios em mais de 70 países. Além de um núcleo de astrônomos profissionais e amadores, os membros da IDA incluem biólogos, ecólogos, médicos, planejadores urbanos, professores e alunos.

O objetivo de quase 20 anos da IDA de preservar o céu noturno para aqueles que desejam observá-lo continua imperturbável. No entanto, agora a missão inclui esforços para combater os efeitos da iluminação noturna artificial sobre a saúde humana, ecossistemas noturnos próximos e recursos energéticos e econômicos.
União legal
A consciência cada vez maior do público a respeito da poluição luminosa inspirou estados e municípios americanos a aprovarem mais de 700 leis "amigáveis" para os céus escuros. Em 2000, o estado do Novo México passou um Ato de Proteção do Céu Noturno. A Flórida possui dúzias de regulamentações para proteger tartarugas marinhas contra a poluição luminosa.

Internacionalmente, as leis para controlar a iluminação externa continuam crescendo. Em 2002, a República Tcheca passou uma legislação nacional para controlar a poluição luminosa.

Em 2000, o parlamento da Lombardia, na Itália, aprovou uma lei abrangente para iluminação externa. Atitudes similares foram tomadas na Espanha, Japão e Austrália.

As leis mais eficazes estabeleceram limites de brilho, requereram cobertura em quase todos os casos e criaram "toques de recolher" para a iluminação. Para ajudar as comunidades a criarem legislação significativa, a IDA e a Illuminating Engineering Society of North America (Iesna) estão desenvolvendo juntas uma Lei Modelo de Iluminação (MLO, em inglês), que será apresentada em 2007. A MLO inclui um método para determinar limites no total de lúmens permitidos por metro quadrado e irá indicar como, quando e onde impor toques de recolher para a iluminação.
Selo de aprovação
Para encorajar fabricantes a oferecer melhores alternativas de iluminação, a IDA deu início a seu Selo de Aprovação para Iluminação Fixa (FSA, em inglês) em janeiro de 2005. Esse programa ajuda a diferenciar um tipo de iluminação fixa amigável do céu escuro daqueles que não são. Para ganhar o FSA, a iluminação fixa precisa ser totalmente coberta, não emitir nenhuma luz para cima.

Quando a iluminação fixa é aprovada, o fabricante pode usar o logotipo FSA na embalagem do produto e em materiais promocionais. Mais de 600 marcas de iluminação fixa já foram aprovadas. Para ver uma lista completa, visite o website da IDA: www.darksky.org.

Para a sua saúde
A iluminação noturna excessiva também pode afetar desfavoravelmente a saúde humana. A pesquisa de David E. Blask, do Bassett Research Institute em Cooperstown, Nova York, por exemplo, sugere uma ligação entre a supressão da melatonina, causada pela iluminação noturna artificial, e um aumento nas células de câncer de mama.

A melatonina é um hormônio natural que ajuda a regular nosso relógio biológico no ciclo dia/noite. Em testes, constatou-se que a melatonina coloca as células do câncer de mama para dormir, retardando seu crescimento. Uma exposição prolongada à luz à noite, no entanto, pode reduzir a produção de melatonina e permitir que as células cancerosas cresçam mais rapidamente que o normal. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos está financiando mais pesquisas sobre o assunto.

Não estamos apenas acabando com o céu noturno para a observação, mas também forçando um impacto negativo na vida selvagem, desorganizando os ciclos humanos de dia/noite, desperdiçando energia e atrapalhando a segurança e a visibilidade com um clarão excessivo. A IDA continuará chamando a atenção para o problema e para soluções que possam reverter os danos. Os dias de apatia generalizada chegaram ao fim, e agora é o momento de proteger nossos locais de observação.

Há muitas razões para a iluminação externa à noite: visibilidade, segurança e um ambiente noturno atraente. Mas nem toda iluminação é boa.

Por Bob Gent

CLARÃO
A luz exagerada atrapalha a visibilidade e é um problema para os olhos dos mais velhos.

LUZ INTRUSA
Essa luz perturba o ambiente e nosso sono.

ESTÉTICA RUIM
Luzes exageradamente brilhantes criam um ambiente noturno irritante. Uma iluminação externa mal planejada, do tipo "pátio de prisão", desvaloriza as residências.

DESPERDÍCIO DE ENERGIA
Nos Estados Unidos, US$ 10 bilhões são desperdiçados por ano iluminando onde e quando não é necessário.

FALSA SEGURANÇA
Criminosos podem tirar vantagem da iluminação.

SISTEMA NADA ECOLÓGICO
Pássaros de muitas espécies que migram à noite são atraídos pelas luzes que brilham nos arranha-céus e torres de transmissão.

BRILHO NO CÉU
A luz mal direcionada e níveis excessivos de iluminação criam um brilho no céu que acaba com a nossa vista do Universo.
Existem soluções simples para combater muitos dos problemas criados pela poluição luminosa:

Por Bob Gent

1. Direcione as luzes externas para baixo, e utilize-as apenas quando necessário.

2. Use temporizadores para garantir que as luzes fiquem acesas apenas quando necessário (assim você também economiza energia e dinheiro).

3. Projete e instale um tipo de iluminação que minimize o clarão.

4. Use a quantidade correta de luz para cada tarefa - não ilumine demais.

5. Utilize fontes de luz eficazes. Visite www.darksky.org para sugestões.

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