terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Lua tem até 10 vezes mais titânio que a Terra, diz estudo


A Lua tem até 10 vezes mais titânio do que a Terra e é "colorida", revelaram nesta sexta-feira astrônomos que confeccionaram um novo mapa do satélite natural do nosso planeta a partir das imagens capturadas por um equipamento especial.

"Quando se olha para a Lua, parece que a superfície tem tons de cinza, pelo menos para o olho humano", informou em Nantes (oeste da França) Mark Robinson, da Universidade do Estado do Arizona (Estados Unidos), que observou a superfície lunar graças a instrumentos instalados na sonda de reconhecimento americana LRO.

"Mas usando os instrumentos adequados, a Lua aparece cheia de cores", acrescentou Robinson, que acompanhou em Nantes, onde se realizou um congresso sobre o estudo dos planetas, a Brett Denevi, da Universidade John Hopkins de Baltimore (Maryland, Estados Unidos).

"As planícies lunares parecem avermelhadas em alguns lugares e azuis em outros. Apesar de tênues, estas variações coloridas nos dão importantes informações sobre a química e as transformações da superfície lunar. Demonstram que há ferro e titânio em abundância", acrescentou.

O titânio, um metal resistente como o aço (ou até mais), mas quase duas vezes mais leve, é encontrado principalmente "em um mineral chamado ilmenita, que contém ferro, titânio e oxigênio", informaram os organizadores do congresso de Nantes, em um comunicado.

"Mineradores do futuro que viverem e trabalharem na Lua poderiam quebrar a ilmenita para liberar estes elementos", acrescentaram.

Rússia lança com sucesso foguete Zenit com satélite americano


Satélite de telecomunicações americana deve ficar ativo durante 15 anos; lançamento ocorreu sem problemas

A Rússia lançou com sucesso, na noite de quarta-feira, um foguete Zenit que transportava o satélite de telecomunicações americano Intelsat 18. A partida ocorreu no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, anunciou um representante da Roskosmos, a agência espacial russa.
"O lançamento do foguete Zenit 3SLB, com um satélite Intelsat, foi [lançado] do cosmódromo de Baikonur", nas estepes cazaques, às 18h de Brasília, acrescentou o funcionário, citado pela agência de notícias Interfax.

"O bloco de aceleração DM-SLB e o satélite alcançaram uma trajetória suborbital", acrescentou, após destacar que o satélite devia entrar em órbita pouco depois.

Este satélite de telecomunicações alcançará sua posição geoestacionária na região Ásia-Pacífico, para um período de 15 anos, segundo a Roskosmos.France Press

Nasa lança sondas gêmeas para estudar a Lua



Foguete Delta 2 é lançado da Base Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, com as sondas gêmeas Grail

Após adiar por duas vezes, a Nasa (agência espacial norte-americana) lançou na manhã deste sábado, na Base Aérea de Cabo Canaveral, o Laboratório de Recuperação da Gravidade e Interior (Grail, na sigla em inglês, ou Graal), que deverá estudar o interior e o campo gravitacional da Lua.

A bordo do foguete United Launch Alliance Delta 2 viajam dois satélites idênticos, projetados para revelar os altos e baixos do campo gravitacional lunar, o que dará aos cientistas pistas sobre seu interior. O custo foi de US$ 500 milhões

As sondas do laboratório devem chegar ao satélite até o fim do ano e, depois de alguns meses de manobras para entrar em órbita, terá 82 dias para estudar os polos lunares.

Fortes ventos obrigaram o adiamento da primeira tentativa de lançamento na quinta-feira.

Os cientistas esperam da missão Grail resposta a algumas incógnitas sobre o lado obscuro da Lua, que os humanos jamais exploraram, e dados sobre como foram formados os outros planetas rochosos, como a Terra, Vênus, Marte e Mercúrio.

Cientistas registram raios de alta energia que desafiam teoria atual

Ilustração de como seria pulsar feita sobre uma foto da Nebulosa do Caranguejo, tirada pelo telescópio Hubble (Foto: David A. Aguilar (CfA) / Nasa / ESA)


Pulsar emite raios gama com energia superior a 100 bilhões de elétrons-volt.
Fenômeno ocorre na Nebulosa do Caranguejo.
Uma descoberta publicada nesta semana pela revista Science desafia as atuais teorias da astrofísica. Com dados do telescópio Veritas, nos EUA, uma equipe internacional de pesquisadores detectou pulsos de raios gama com energia superior a 100 bilhões de elétrons-volt na Nebulosa do Caranguejo. Essa energia é um milhão de vezes maior do que um raio-X usado na medicina.

“É a primeira vez que raios gama de energia muito alta foram detectados num pulsar – uma estrela de nêutrons que gira rapidamente, que tem o tamanho de uma cidade e massa maior que a do Sol”, disse Frank Krennrich, da Universidade do Estado de Iowa, nos EUA, um dos autores do estudo.

Segundo ele, o conhecimento que a ciência tem hoje sobre os pulsares não explica uma emissão tão alta de energia. Nenhuma emulsão com mais de 25 bilhões de elétrons-volt tinha sido encontrada até hoje nessa nebulosa.

"Os resultados colocam novos obstáculos sobre o mecanismo de como a emulsão de raios gama é gerada", completou Nepomuk Otte, outro autor da pesquisa.

Cientistas conseguem capturar antimatéria (Notícia de 17112010)


Notícia complementar ao post anterior.

A imagem mostra a destruição de átomos de antihidrogênio que não foram capturados pelo experimento ALPHA



Pesquisadores do CERN anunciaram a produção de átomos de antihidrogênio, que ajudarão a elucidar um dos mistérios do universo

Pesquisadores do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), onde fica o Grande Colisor de Hádrons (na sigla em inglês, LHC), deram um passo importante para a compreensão sobre a origem do Universo. Em estudo publicado hoje (17) na revista científica Nature, eles mostraram que conseguiram capturar átomos de antimatéria.

O conceito de antimatéria tem sido um dos grandes mistérios da Ciência. Matéria e antimatéria são idênticas, exceto pela carga elétrica oposta. Cientistas acreditam que na explosão do Big-Bang, matéria e antimatéria foram produzidas em quantidades iguais. No entanto, o universo é composto por apenas por matéria. A antimatéria parece ter desaparecido.

Para descobrir o que aconteceu com a antimatéria, cientistas utilizaram um dos elementos mais conhecidos da física, o hidrogênio, cujo átomo é composto de um próton e um elétron, e tentaram verificar se seu contraponto, o antihidrogênio, comportaria-se da mesma maneira.

Os átomos de antihidrogênio foram criados a vácuo. Como matéria e antimatéria se aniquilam quando reunidas, os átomos de antihidrogênio têm expectativa de vida muito curta. O experimento estendeu a duração da antimatéria usando fortes campos magnéticos para prendê-la e, assim, evitar que entrasse em contato com a matéria. O experimento, que recebeu o nome de ALPHA, mostrou que é possível capturar átomos de antihidrogênio por cerca de um décimo de segundo. Dos milhares de átomos capturados, 38 foram capturados por tempo suficiente para serem estudados. Os resultados do estudo ainda serão divulgados.

"Por razões que ainda ninguém entende, a natureza descartou a antimatéria. Assim, é muito gratificante olhar para o dispositivo ALPHA e saber que ele capturou átomos de antimatéria", disse Jeffrey Hangst da Universidade de Aarhus, Dinamarca, porta-voz do experimento. "Isto nos inspira a trabalhar muito mais para ver se a antimatéria tem algum segredo."

Em outro experimento envolvendo antimatéria, o programa Asacusa, também do Cern, foi demonstrada uma nova técnica para produzir átomos antihidrogênio mais perenes. O estudo ainda será publicado no periódico científico Physical Review Letters. "Com dois métodos de produção e, eventualmente, estudo de antihidrogênio, a antimatéria não será mais capaz de esconder suas propriedades por muito mais tempo", disse Yasunori Yamazaki, do Centro de Pesquisas Riken, no Japão, e integrante da Asacusa. "Ainda há um caminho para percorrer, mas estamos muito felizes de ver como esta técnica funciona."

Ciência analisa se antimatéria é submetida à gravidade


Se for provado que antimatéria reage de forma diferente à matéria com relação à gravidade ocorrerá uma revolução na física

Cientistas estão tentanto descobrir se a antimatéria está submetida à mesma gravidade que a matéria comum ou a uma forma desconhecida de antigravidade. Atualmente, experimentos são preparados para medir as propriedades desta matéria "espelho", explicam os participantes do colóquio "Antimatéria e gravitação", que termina esta terça-feira, em Paris.

"É um antigo sonho de físico poder medir a ação da gravidade na antimatéria", resumiu Gabriel Chardin (CNRS/Universidade Paris-sul).

Com a descoberta, em 1998, de que há uma aceleração na velocidade de expansão do Universo, descoberta premiada na semana passada com o Nobel de Física, a ideia de uma "pressão negativa", uma espécie de gravidade repulsiva, ganha espaço.

Se a antimatéria reagisse de forma diferente à matéria com relação à gravidade "seria uma revolução" para a física, explicou Patrice Pérez (Instituto de Pesquisas das Leis Fundamentais do Universo, IRFU/CEA).

Matéria "espelho" daquela que conhecemos, a antimatéria é difícil de observar porque cada átomo de antimatéria se aniquila ao entrar em contato com a matéria, o que produz enorme quantidade de energia.

Assim, um átomo de hidrogênio é formado por um próton com carga elétrica positiva e um elétron negativo. Um átomo de anti-hidrogênio é composto de um próton negativo (antipróton) e um elétron positivo (pósitron).

Os primeiros átomos de anti-hidrogênio, produzidos em 1995 no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês), em Genebra, se aniquilaram quase que instantaneamente ao entrar em contato com a matéria.

Recentemente foram feitos avanços importantes neste campo: átomos de anti-hidrogênio foram capturados por mais de 16 minutos no Cern, segundo resultados publicados em junho, um novo experimento que deve facilitar o estudo da antimatéria.

Para os físicos é mais fácil controlar, graças a campos magnéticos, um antipróton, partícula com carga elétrica, do que um átomo neutro de antimatéria.

Daí a ideia de usar íons positivos de anti-hidrogênio (um antipróton negativo associado a dois pósitrons), disse Pérez, que participa do projeto internacional GBAR (Gravitationnal Behaviour of Antihydrogen at Rest - Comportamento Gravitationnal do Anti-hidrogênio em Repouso).

Estes íons, resfriados a 10 microkelvins (10 milionésimos de grau abaixo do zero absoluto ou -273,15 °C) para reduzir sua agitação, seriam despojados no último momento, pela ação de raios laser, de seu pósitron excedente.

Agora, se tratará de medir a "velocidade de queda" dos átomos de anti-hidrogênio assim criados, disse Pérez, que espera que este experimento possa ser feito no Cern até 2016.

Desta forma, seria possível saber se a antimatéria está submetida à mesma aceleração devida à gravidade que a matéria.

O instante em que os pósitrons a mais forem arrancados dariam, segundo Pérez, o tiro de largada da queda vertical e sua desintegração em contato com a matéria seria a linha de chegada.

Sonda mostra elevação em asteroide quase 3 vezes maior que o Everest


Superfície do asteroide Vesta apresenta grande formação montanhosa no centro da imagem feita pela nave Dawn, da Nasa. O pico chega a 22 quilômetros de altura.(Foto Nasa)



Nave da agência espacial norte-americana fotografou face sul do Vesta.
Pico atinge cerca de 22 quilômetros de altura.
Uma imagem obtida pela nave Dawn do asteroide Vesta mostra uma elevação quase três vezes maior que o Monte Everest (8.849 metros de altura), a maior cadeia montanhosa da Terra. O equipamento é propriedade da agência espacial norte-americana (Nasa).

A fotografia foi feita na região polar sul do asteroide. O pico atinge cerca de 22 quilômetros de altura, quatro a menos que o Monte Olimpo, o maior vulcão do Sistema Solar, localizado em Marte.

Uma grande escarpa - uma elevação com inclinação alta e que termina em um penhasco - também pode ser vista na parte central da imagem. Os cientistas acreditam que a formação é resultado de deslizamentos de terra.

Sonda descobre a existência de camada de ozônio em Vênus


Uma sonda da ESA (Agência Espacial Europeia) descobriu a existência de uma camada de ozônio no planeta Vênus, o que permitirá avanços nas investigações sobre a ocorrência de vida fora da Terra.
A descoberta da Venus Express aconteceu quando a sonda permitiu a observação de sua atmosfera, segundo comunicado da ESA.
O ozônio pôde ser detectado porque absorveu parte dos raios ultravioleta procedentes de algumas dessas estrelas observadas.
Um dos cientistas responsáveis pela missão declarou que o achado permite entender a química de Vênus e, além disso, pode servir na busca de vida em outros planetas.
O ozônio contém três átomos de oxigênio. O do planeta estudado se forma quando a luz do Sol rompe as moléculas de dióxido de carbono da atmosfera e permite a liberação de átomos de oxigênio. O elemento já tinha sido encontrado antes na Terra e em Marte.
Em nosso planeta, sua importância é fundamental para a vida porque absorve grande parte dos raios ultravioleta do Sol.
Os cientistas consideram que isso permitiu que a vida surgisse na Terra, onde o oxigênio começou a se formar há aproximadamente 2,4 bilhões de anos, ressaltou a ESA.

terça-feira, 31 de março de 2009

Turismo espacial é suspenso até 2012

ESTADOS UNIDOS - Segundo informações da agência EFE, os multimilionários que quiserem comprar um bilhete de ida e volta com destino a alguma plataforma espacial terão que esperar até que se construa uma nova nave russa Soyuz, projetada especialmente para turistas espaciais.

O último a viajar para a "cidade das estrelas" como visitante foi o magnata americano do mercado da informática Charles Simonyi, que se encontra agora a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

Assim que retornar à Terra, no próximo dia 7 e abril, Estação Espacial será fechada por vários anos, acabando com este excêntrico tipo de turismo, mesmo com os milhões oferecidos pelos viajantes.

- O turismo espacial é uma atividade complicada. Sinto, mas temos que construir a ISS não para os turistas, mas para satisfazer as necessidades dos habitantes da Terra - disse Vitali Lopota, presidente da firma aeroespacial Energuia.

Nasa apresenta nave Orion, projetada para ir a Marte


WASHINGTON - A Nasa apresentou nesta segunda-feira aos transeuntes do National Mall (avenida monumental de Washington) um modelo em tamanho natural de uma nave projetada para levar astronautas à Lua e eventualmente a Marte.


A Orion, construída pela Marinha, substituirá os ônibus espaciais a serem aposentados em 2010 pela Nasa e se tornará a base do programa Constellation, com o qual a agência espacial pretende explorar a Lua, Marte e além.

- Estamos muito orgulhosos de construir isso, de fazer alguns testes e demonstrar à América que estamos avançando além do ônibus espacial, para outra geração de naves - disse Don Pearson, gerente de projeto do programa Port (Teste de Recuperação Pós-Pouso da Orion, na sigla em inglês).

A Nasa espera que em 2015 já esteja usando o Orion para levar astronautas até a Estação Espacial Internacional. A cápsula será responsável pelo rodízio semestral de ocupantes da estação, o que servirá para "resolver enroscos" antes de rumar para a Lua e Marte, segundo Pearson.

Viagens à Lua seriam programadas para 2020, e uma viagem a Marte supostamente seria possível em meados da década de 2030.

O design da Orion se baseou na nave Apollo, que levou pela primeira vez os norte-americanos à Lua. Mas a nova nave é muito maior, capaz de levar seis tripulantes em vez de três, além de aperfeiçoar a tecnologia da década de 1960 para ser mais segura.

Orion é também o nome de uma constelação brilhante, batizada em alusão a um caçador da mitologia grega.

- A razão pela qual estamos fazendo tudo isso é que queremos ir a Marte - disse Pearson.

Mas uma viagem completa de ida e volta o planeta vermelho exigiria três anos - seis a nove meses para chegar lá, e grande parte do resto do tempo esperando que os planetas voltem a um alinhamento conveniente para o regresso à Terra.

- Ainda não estamos confiantes de que nossa tecnologia conseguirá durar três anos sem que coisas irreparáveis quebrem - disse Pearson.

Por isso, a Nasa pretende fazer várias viagens à Lua, uma viagem de apenas três dias. Cada visita durará seis meses, período em que os astronautas montarão um acampamento e praticarão as coisas que desejam fazer em Marte.

- Essa é realmente a meta - colocar humanos em Marte -, e ir à Lua é o nosso campo de testes para isso - explicou Pearson.

O projeto Port, de 2 milhões de dólares, vai avaliar se os tripulantes podem ser resgatados nas agitadas águas do Atlântico caso uma emergência faça o lançamento ser abortado. Para isso, será usado um modelo da Orion em tamanho natural, com oito toneladas.Fonte:Reuters

Nasa divulga imagens de erosão na superfície de Marte


Material apresenta modificações sazonais no planeta sofrendo sublimação, isto é, passando diretamente do estado sólido para o gasoso


A Nasa divulgou nesta segunda-feira uma imagem da erosão da camada de dióxido de carbono que recobre o planeta Marte. O material apresenta modificações sazonais no planeta sofrendo sublimação, ou seja, passando diretamente do estado sólido para o gasoso.

A região foi fotografada pela câmera que produz imagens em alta resolução para experimentos científicos da Nasa, a Hirise (High Resolution Imaging Science), instalada na sonda Mars Reconnaissance Orbiter.

A imagem mostra linhas com inúmeras ramificações que, segundo cientistas, são formadas por poeira que é deslocada da camada abaixo do gelo enquanto o gás evapora durante a sublimação.Fonte:NASA

terça-feira, 17 de março de 2009

Superobservatório "migra" para os EUA


Um dos detectores de raios cósmicos do Observatório Pierre Auger, que pode perder a capacidade de estar na linha de frente da ciência

Após ter destacado um grupo de brasileiros como protagonistas de uma das descobertas recentes mais importantes da física, o Observatório Pierre Auger, na Argentina, pode perder a capacidade de se manter na linha de frente da ciência. 


Em 2007, essa enorme rede de detectores nas planícies do Estado de Mendoza deu aos cientistas uma ideia mais clara sobre a origem dos misteriosos raios cósmicos de ultraenergia, partículas que bombardeiam a atmosfera da Terra.

O Auger é hoje uma colaboração de 17 países. Seus planos de ampliação, porém, preveem a instalação apenas de um segundo campo de detectores, nos EUA. E cientistas do sítio capitaneado pela ala latino-americana do grupo temem agora que o aparato na Argentina fique para trás na capacidade de gerar conhecimento inédito. 

Ocupando uma área de 3.000 km2 em Mendoza, o sítio Sul do Auger teve seu auge ao descobrir que raios cósmicos ultraenergéticos não são um fenômeno espalhado igualmente por todo o Universo. 

Eles vêm de lugares específicos, e os principais suspeitos são as galáxias com chamados núcleos ativos, onde a gravidade de buracos negros gigantes confere grande energia à matéria em volta. 

Dando sequência ao projeto original de observatórios nos dois hemisférios, a colaboração tem o projeto do sítio Norte quase pronto, e começou a corrida atrás de financiadores. Esse outro campo de detectores, no Colorado (EUA), terá sete vezes o tamanho do argentino. 

A disparidade de tamanho criou certa frustração nos cientistas alocados no sítio Sul da colaboração. Após terem conquistado seu lugar na física do século 21, temem que seu experimento se torne obsoleto frente ao grande irmão do norte. 

Na opinião de Angela Olinto, da Universidade de Chicago --que está no comando do sítio americano-- "se você pensar na ciência, o melhor é fazer [a ampliação] no Norte". Para ela, o sítio Sul deve se voltar a raios cósmicos mais fracos, enquanto o Norte ficará com os de altíssima energia: pouco estudados e mais próximos de render um estudo candidato ao Nobel. 

Rubén Squartini, físico que trabalha no sítio argentino, vê com desconfiança a diferença entre os dois observatórios. 

"Tenho uma percepção muito subjetiva: a de que depois que construam o Auger Norte, não vão dar dinheiro ao Sul", diz. 

Carlos Escobar, chefe do grupo brasileiro no sítio Sul, reconhece que o Norte é necessário ao grupo como um todo, mas, como Olinto, diz que Mendoza ainda tem algo a oferecer. 

"Temos que mostrar unidade, senão nenhuma instituição vai nos financiar", diz. Ele defende, porém, que uma parte dos US$ 120 milhões necessários ao sítio Norte siga para o Sul. Em vez de ter 21 mil km2, o Norte passaria a ter 18 mil km2 e o sítio da Argentina ficaria com mais 2.000 km2. 

Ronald Shellard, co-presidente do conselho da colaboração do Auger, diz que isso permitiria ao grupo produzir mais ciência de ponta enquanto o sítio Norte não fica pronto. 

Outra possibilidade de ampliar o Auger Sul sem construir novos detectores seria aumentar o espaço entre os instrumentos. A rede de 3.000 km2, passaria a ter 5.000 km2, estima Hans Klages, alemão integrante da colaboração. Fonte:Folha

Olinto diz que uma das prioridades é manter as novas gerações de doutores em física em atividade. "Eles precisam ter coisas novas para descobrir", afirma.


segunda-feira, 16 de março de 2009

Discovery parte para a Estação Espacial após um mês de atraso


O ônibus espacial Discovery decola com destino à Estação Espacial Internacional

O ônibus espacial Discovery decolou neste domingo com destino à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), após atraso de mais de um mês por problemas nos dutos de combustível. 


A nave ficará no espaço 13 dias, um menos que o previsto inicialmente, e seus tripulantes realizarão três caminhadas, em vez de quatro.
A Nasa se viu obrigada a adiar o lançamento da nave em cinco ocasiões, o que a forçou a cortar a duração da missão. Esses problemas também reduziram as caminhadas espaciais de quatro para três. 

O comandante Lee Archambault lidera uma tripulação de sete pessoas, que também inclui o astronauta japonês Koichi Wakata. 

Segundo a agência de prospecção espacial, os meteorologistas preveem 80% de condições aceitáveis para o lançamento hoje. 

A decisão de antecipar a decolagem para hoje foi anunciada neste sábado em entrevista coletiva, depois que a Nasa (agência espacial dos EUA) constatou o avanço dos consertos da avaria que tinha obrigado a atrasá-lo.Fonte:Efe

domingo, 15 de março de 2009

Plutão abriga efeito estufa e é quente no alto


Com um telescópio gigante, astrônomos descobriram que Plutão é quente no alto


Com uma técnica semelhante àquela que será usada pela Missão Kepler, um telescópio terrestre acaba de fazer a primeira observação da atmosfera de Plutão no nível da superfície. 

O planeta-anão, dizem os cientistas, apresenta efeito estufa e tem uma distribuição de temperatura que se parece com o inverso daquela que existe na Terra.
O ar de Plutão, carregado de gás metano, é 40°C mais quente que sua superfície, com congelantes -220°C. (Na Terra, o metano é um dos vilões do aquecimento global.) 

Os astrônomos descobriram também que, quanto mais alto se faz medidas na atmosfera do planeta-anão, mais a temperatura aumenta, ao contrário do perfil térmico terrestre. 

A descoberta foi possível porque o telescópio gigante do ESO (Observatório Europeu Austral), no Chile, flagrou momentos em que o planeta-anão passava na frente de estrelas que estavam ao fundo. Um novo espectrógrafo --aparelho que separa a luz em suas diversas frequências ("cores")-- conseguiu fazer medidas com precisão inédita.Fonte:Folha

Cientistas questionam existência do mais jovem planeta já descoberto


Cientistas e investigadores espanhóis suspeitam que o HL Tau b não seja planeta

Uma equipe internacional de cientistas, com participação de investigadores espanhóis, questionou a existência do planeta mais jovem já descoberto, o HL Tau b."Nossos novos dados sugerem que o HL Tau b existe, mas não é composto pelo mesmo material frio que forma os planetas, e sim por um material muito mais quente, parecido com o que se encontra na formação de estrelas", dizem os investigadores. 

Imagina-se que o HL Tau b tenha menos de 100 mil anos, o que o define como um jovem se comparado ao Sol, que tem 4,5 bilhões de anos, de acordo com a agência espacial norte-americana Nasa. 

As conclusões deste trabalho foram publicadas no ''The Astrophysical Journal Letters", como informou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).Fonte:Efe,Madrid,13-03-2009

Nasa finaliza reparos no ônibus espacial Discovery e prepara lançamento


Ônibus espacial Discovery aguarda lançamento na plataforma (Foto: Nasa)

Voo teria começado na quarta-feira, não fosse vazamento em tanque.
Agência tem confiança de que poderá fazer tentativa neste domingo.
A Nasa, agência espacial norte-americana, vai tentar novamente lançar neste domingo o ônibus espacial Discovery para uma missão à Estação Espacial Internacional, após ter feito reparos devido a um vazamento de combustível que provocou a prorrogação do envio da nave na semana passada.
O lançamento está previsto para as 20h43 (hora de Brasília), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.


Os engenheiros da Nasa instalaram novos lacres em uma válvula do tanque para resolver o problema que causou o atraso na primeira tentativa de lançamento, na quarta-feira, devido ao vazamento de gás hidrogênio do tanque de combustível do ônibus espacial.
O vazamento foi descoberto quando técnicos que trabalhavam na plataforma de lançamento começavam a encher o tanque do ônibus com 1,9 milhão de litros de hidrogênio líquido e oxigênio líquido.
O ônibus espacial deverá ficar duas semanas em órbita para entregar um jogo de painéis solares de 300 milhões de dólares e um novo destilador para o sistema de reciclagem de urina da estação.
Os painéis estão dentro de um módulo de 16 toneladas que irá completar a estrutura principal exterior de 11 segmentos da Estação Espacial Internacional.Fonte :Reuters

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Telescópios do Havaí detectam metano na atmosfera de Marte


Grande abismo em Marte, provavelmente escavado pela água; telescópios detectaram metano, de origem incerta, no planeta

Uma série de observações da atmosfera de Marte, feitas por três telescópios no Havaí, mostram uma vasta quantidade de metano --gás tipicamente envolvido em processos biológicos-- misturado com vapor-d'água durante o verão boreal. 

A Nasa afirma que não há evidência de que seres vivos estejam produzindo o metano (também produto de atividade vulcânica), mas diz que a mistura de gases é a notícia mais favorável à existência de vida no planeta vermelho até agora.
hoje da revista "Science", e os pesquisadores concederam uma entrevista coletiva para divulgar a notícia. 

"A questão que mais atrai está relacionada mesmo à origem do metano em Marte", afirma Michael Mumma, da Nasa (agência espacial norte-americana). 

Segundo o cientista, o gás, que é a molécula mais simples de carbono com hidrogênio, foi produzido por fontes existentes em áreas aquecidas no hemisfério Norte marciano. 

"Organismos vivos produzem mais de 90% do metano atmosférico da Terra; o resto é de origem geoquímica. Em Marte, o metano poderia ter a assinatura dessas duas origens." 

A atmosfera marciana é feita em sua maior parte de gás carbônico, monóxido de carbono, um pouco de oxigênio e vapor-d'água. Mas nenhum processo conhecido produz metano, e outros compostos na superfície poderiam desintegrá-lo. "A presença significativa de metano implica a liberação recente a partir de reservas subterrâneas", afirmam os cientistas. Mas, segundo eles, a fonte primária do gás é incerta. Ela pode ser ligada à vida ou não. 

Apagão em estrela dupla Eta Carinae



Astrônomo Augusto Damineli, em sala de controle do Soar; ele já estava em La Serena se preparando para o evento havia um mês.
Imagem mostra sistema da Eta Carinae; conforme previsto por pesquisador brasileiro, estrela sofreu um apagão nesta segunda



Às 3h35 da manhã (4h35 de Brasília) de segunda-feira em La Serena, no Chile, o astrônomo Augusto Damineli, 61, sentava-se na cadeira que permite controlar o telescópio Soar (Observatório do Sul para Pesquisa Astrofísica). Ansioso, testemunhou um fenômeno que poucos tiveram oportunidade de ver, ocorrido em Eta Carinae, uma estrela que ele estuda há 20 anos. Ontem, bem no dia em que Damineli havia previsto, a estrela sofreu um apagão. 

O prédio de controle do Soar, na verdade, fica a 80 km do equipamento, que está no topo de Cerro Pachón, a 2.701 metros de altitude. "Astrônomo não pode pôr muito a mão no telescópio", brinca o cientista brasileiro. Em La Serena, 475 km ao norte de Santiago, na beira do Pacífico, o observatório fica próximo de centros produtores de vinho e pescado. E, ontem, não faltou motivo para abrir uma garrafa.
Controle remoto 

"Patrício! A Eta Carinae." O pedido que parte de La Serena vai em direção ao astrônomo chileno Patrício Ugarte, que está no morro. Ele, sim, é quem pode pôr as mãos no telescópio. Segundos depois, é possível ver e ouvir a resposta (via teleconferência): "Pronto!". 

O espelho de 4,2 metros do Soar, a partir das coordenadas dadas por Ugarte, já está olhando para Eta Carinae. Damineli, com auxílio do também brasileiro Luciano Fraga, que há um ano e sete meses trocou Florianópolis pelo norte do Chile, faz as primeiras medições, via computador. 

Basta um único gráfico, que mostra a presença dos elementos químicos ferro e nitrogênio --medidos nos gases que circundam Eta Carinae-- para comprovar a previsão. "Chegou lá", comunica Damineli. A "assinatura" do apagão é uma diminuição na luminosidade de nitrogênio e hélio detectados pelo telescópio, que enxerga frequências de luz invisíveis ao olho humano. O apagão não é visível a olho nu, mas no Soar o sinal é mais do que claro. 

Cinco anos e meio 

O fenômeno, como havia sido previsto pelo próprio pesquisador brasileiro, voltou a ocorrer depois de 5,5 anos, dentro da margem de erro, que era de dois dias para mais ou para menos. "Isso que é precisão", Damineli diz à estrela que observa. "Se eu tiver uma neta, vou colocar o nome de Carina." 

Damineli explica que Eta Carinae, na verdade, não é uma estrela única, e sim um sistema com duas. Ontem, no céu, perto do Cruzeiro do Sul, a estrela Eta Carinae B estava no momento mais profundo de seu mergulho no campo de influência da estrela A, que possui 2,5 milhões de anos. 

Os gases e o plasma dessa estrela pertencente à classe das hipergigantes azuis são tão coesos que é possível dizer que uma estrela "entra" na outra. O que ocorre é uma colisão violenta de seus "ventos" --as partículas carregadas que as estrelas lançam a grandes velocidades no espaço. 

"Na área de choque dos ventos das duas estrelas, a temperatura é de 100 milhões de graus Celsius", explica Damineli. O vento da menor delas, de 3.000 km/s, bate no vento da maior, que trafega a 600 km/s. E esse "atrito" induz o apagão.
O registro do fenômeno ontem em La Serena --cidade onde nunca chove, mas fica nublada nas manhãs de verão-- é como "marcar um gol", diz Damineli. Ele já estava lá se preparando para o evento havia um mês. Na semana entre Natal e Ano Novo, subiu até o telescópio acompanhado apenas de um colega para fazer pessoalmente algumas observações. 

Ciência nas alturas 

"Lá em cima é muito bom", diz Damineli, revelando também o seu gosto pela astronomia romântica. Hoje, devido à tecnologia, boa parte dos equipamentos podem ser operados remotamente, de qualquer parte do mundo. "Não poderia perder a oportunidade de observar esse apagão." Sua presença lá era considerada importante, já que boa parte da biografia "quase acabada" de Eta Carinae saiu de estudos feitos por seu grupo, na USP (Universidade de São Paulo). 

A primeira observação que Damineli fez de Eta Carinae foi em 1989, no Brasil, onde não há nenhum telescópio --nem tempo bom-- como o Soar. Depois disso, Damineli assistiu a três apagões, com o de ontem. 

Ele quem primeiro defendeu o modelo de que Eta Carinae era um sistema duplo, e não uma única estrela. Além da previsão do ciclo exato de 5,5 anos para ocorrer o apagão. Sua teoria ainda não é unanimidade na comunidade de astrônomos, mas a observação de ontem deve lhe dar força. 

O apagão não é como um eclipse nem pode ser visto dentro da faixa de luz do visível. São apenas os canais de alta energia da estrela maior que somem. A presença do astro menor muito próximo do maior (a distância que normalmente é de 4,5 bilhões de quilômetros cai para 150 milhões de quilômetros) ofusca a energia que emana da Eta Carinae A. Damineli constatou isso por meio de sinais dentro da faixa do ultravioleta. 

Matéria da vida 

Eta Carinae, exótica por si só, chama a atenção dos cientistas há tempos. São publicados em todo mundo dois estudos por mês sobre a estrela. Mas há razões científicas importantes para estudar esse verdadeiro fóssil estelar --corpos celestes como esse existiam aos milhões nos primeiros 2 bilhões de anos do Universo, que hoje tem 13,7 bilhões de anos de idade. 

"Estrelas como a Eta Carinae são especialistas em produzir e liberar oxigênio. Essas estrelas são responsáveis pelo preenchimento de várias casas [elementos] da nossa tabela periódica", afirma Damineli. Estudar o coração da Eta Carinae e entender por completo como ele se expressa é conhecer mais sobre as condições químicas para o surgimento da vida. Ajudaria a entender por que a água, no Sistema Solar, é algo tão abundante. Para Damineli, "rastros de atividade biológica precisam ser procurados fora do Sistema Solar". 

Mesmo com o êxito de ontem, Damineli revela: "esse provavelmente foi meu último apagão. Agora, o resto será com os meus alunos". Sua próxima missão é bem mais ousada: "Temos dados suficientes para mostrar que o modelo atual da Via Láctea está errado", afirma. 

De um jeito ou de outro, mesmo que Damineli não volte ao Soar para observar Eta Carinae, o próximo apagão já tem data: o inverno de 2014.Fonte:Folha