Engenheiros da ESA (Agência Espacial Européia) revelaram com exclusividade à BBC dois veículos robóticos que estão sendo projetados para explorar a superfície de Marte em 2015.
Os veículos ainda em fase de testes, que receberam os nomes de Bruno e Bradley, têm seis rodas e são apontados como os mais robustos e mais fáceis de manobrar de sua categoria, informou o repórter da BBC News Pallab Ghosh.
De acordo com Chris Draper, gerente do projeto ExoMars da empresa aeroespacial britânica Astrium, a idéia é que o novo veículo robótico seja enviado a Marte e chegue a lugares aonde outros nunca conseguiram ir.
"Obviamente, os robôs americanos (que viajaram com as sondas Spirit e Opportunity) construídos pela Nasa tiveram grande sucesso --conseguiram viajar longas distâncias e ter uma vida útil mais longa que o planejado. Mas esperamos que, com nosso 'bebê', consigamos chegar ainda mais longe", afirmou.
Cada uma das seis rodas do veículo pode ser guiada separadamente. Ele pode ainda, diante de uma ladeira íngreme ou escorregadia, ancorar-se em cinco das seis "pernas" e avançar uma por uma, para superar obstáculos.
Navegação inteligente
Além disso, os protótipos possuem um sistema de navegação inteligente que lhes permite planejar sua própria rota --um mecanismo que pode se revelar crucial quando a máquina estiver se aproximando de uma situação perigosa, como um precipício.
Por causa da distância entre os dois planetas, uma ordem emitida da Terra pode levar até 20 minutos para chegar a Marte, o que impossibilita o envio de comandos instantâneos para mudar a direção do robô.
A ExoMars tem como missão principal procurar sinais de vida passada ou presente em Marte. Para tanto, terá de chegar a lugares que oferecem mais condição de vida e recolher material a até dois metros de profundidade no solo. As amostras serão analisadas por um laboratório a bordo.
Dotado da maior variedade de instrumentos científicos já transportada a Marte, o robô poderá submeter o material a um grande número de testes se houver indicação da existência de organismos.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Brasileiros descobrem que galáxias "aposentadas" se disfarçam de ativas
Galáxias que mostram serviço, mas que há muito tempo pararam de trabalhar, andam enganando astrônomos há mais de 25 anos, concluiu um grupo de brasileiros liderado pela francesa Grazyna Stasinska, do Observatório de Paris.
Uma galáxia que trabalha de verdade possui um suprimento grande de gás que pode ou se condensar, formando novas estrelas, ou espiralar, como água pelo ralo, para dentro dos buracos negros com massas milhões de vezes maiores que a do Sol que a maioria das galáxias têm em seus núcleos.
Os astrônomos são capazes de analisar a luz emitida pelo gás quente galáctico e distinguir as galáxias onde o gás é aquecido predominantemente por estrelas recém-nascidas.
Eles também conseguem distinguir algumas galáxias cujo gás interestelar é esquentado principalmente por um disco de gás ultraquente em volta do buraco negro central.
Asilo estelar
Existe um tipo duvidoso de galáxia, porém. Chamadas de Liners (sigla em inglês para regiões de emissão nuclear de baixa ionização), elas podem perfazer até metade das galáxias do Universo próximo. "Acredita-se que elas tenham um disco fraquinho", explica a astrônoma Thaisa Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que não participou do novo estudo. Este propõe uma nova explicação para a origem de parte das Liners.
De acordo com os pesquisadores, algumas Liners podem ser galáxias "aposentadas", que não têm mais gás para trabalhar e só têm estrelas velhas.
Que estrelas velhas, como as anãs brancas, aquecem o gás da galáxia de maneira muito semelhante à dos discos de buracos negros gigantes, já se sabe há mais de 25 anos.
O problema é que até agora não havia a quantidade de dados nem as ferramentas para analisar a luz das galáxias suficientes para testar a idéia.
"As galáxias aposentadas estavam no nosso nariz havia muito tempo, mas não as identificávamos", disse Roberto Cid Fernandes, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele é um dos autores do estudo, que será publicado em breve na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". "Achamos uma população [de galáxias] que esperávamos que existisse mas que estava esquecida", diz Fernandes.
Os pesquisadores usaram um programa de computador que Fernandes criou em 2005 para analisar imagens de mais de meio milhão de galáxias obtidas pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), um grande esforço de mapeamento do céu que usa um telescópio de 2,5 metros de diâmetro no sul dos EUA.
O software, chamado de "Starlight", analisou a luz de cada galáxia, separando a contribuição de suas estrelas por "faixa etária". "Se a galáxia tem gás para formar estrelas, ela possui estrelas muito jovens que produzem muita radiação ionizante que aquece o gás", explica Fernandes. A luz de uma galáxia cheia de estrelas jovens é muito diferente da luz de uma estrela com um buraco negro com um disco de gás quente.
"Uma galáxia pode ter estrelas velhas e jovens ao mesmo tempo, como a nossa. O Sol é uma estrela velha e temos estrelas jovens aqui por perto", explica Fernandes.
De acordo com Fernandes, as estrelas jovens ofuscam o brilho das estrelas velhas, que só podem ser vistas em uma galáxia onde só elas existem.
"O que o grupo do Cid descobriu foi que muitas das Liners são galáxias formadas predominantemente de estrelas velhas", explica Thaisa.
"Nessa população mais velha, há um tipo de estrela que pode dar origem a uma emissão parecida com a que é produzida quando o gás cai dentro do buraco negro do núcleo da galáxia." Isso faz parecer que a galáxia está em plena atividade, já que galáxias jovens e trabalhadoras lançam seu grande estoque de gás para dentro do seu também ativo buraco negro central.
Caso a caso
Apesar de a amostra do SDSS ser enorme se comparada com o conjunto de apenas 50 galáxias que os primeiros estudos sobre o tema analisaram, vale lembrar que o Universo possui algo em torno de 100 bilhões de galáxias.
Fernandes estima que o SDSS não registra pelo menos metade das galáxias "aposentadas", por sua luz ser fraca.
O astrônomo João Steiner, da Universidade de São Paulo, foi um dos primeiros a propor, em 1983, que alguns Liners fossem galáxias aquecidas pelos megaburacos negros em seus centros. Para Steiner a questão não está resolvida e cada caso é um caso. "As Liners não são uma população de galáxias heterogênea"; pode haver diversos fenômenos físicos produzindo essa mesma luz, diz.Fonte:Folha
Uma galáxia que trabalha de verdade possui um suprimento grande de gás que pode ou se condensar, formando novas estrelas, ou espiralar, como água pelo ralo, para dentro dos buracos negros com massas milhões de vezes maiores que a do Sol que a maioria das galáxias têm em seus núcleos.
Os astrônomos são capazes de analisar a luz emitida pelo gás quente galáctico e distinguir as galáxias onde o gás é aquecido predominantemente por estrelas recém-nascidas.
Eles também conseguem distinguir algumas galáxias cujo gás interestelar é esquentado principalmente por um disco de gás ultraquente em volta do buraco negro central.
Asilo estelar
Existe um tipo duvidoso de galáxia, porém. Chamadas de Liners (sigla em inglês para regiões de emissão nuclear de baixa ionização), elas podem perfazer até metade das galáxias do Universo próximo. "Acredita-se que elas tenham um disco fraquinho", explica a astrônoma Thaisa Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que não participou do novo estudo. Este propõe uma nova explicação para a origem de parte das Liners.
De acordo com os pesquisadores, algumas Liners podem ser galáxias "aposentadas", que não têm mais gás para trabalhar e só têm estrelas velhas.
Que estrelas velhas, como as anãs brancas, aquecem o gás da galáxia de maneira muito semelhante à dos discos de buracos negros gigantes, já se sabe há mais de 25 anos.
O problema é que até agora não havia a quantidade de dados nem as ferramentas para analisar a luz das galáxias suficientes para testar a idéia.
"As galáxias aposentadas estavam no nosso nariz havia muito tempo, mas não as identificávamos", disse Roberto Cid Fernandes, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele é um dos autores do estudo, que será publicado em breve na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". "Achamos uma população [de galáxias] que esperávamos que existisse mas que estava esquecida", diz Fernandes.
Os pesquisadores usaram um programa de computador que Fernandes criou em 2005 para analisar imagens de mais de meio milhão de galáxias obtidas pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), um grande esforço de mapeamento do céu que usa um telescópio de 2,5 metros de diâmetro no sul dos EUA.
O software, chamado de "Starlight", analisou a luz de cada galáxia, separando a contribuição de suas estrelas por "faixa etária". "Se a galáxia tem gás para formar estrelas, ela possui estrelas muito jovens que produzem muita radiação ionizante que aquece o gás", explica Fernandes. A luz de uma galáxia cheia de estrelas jovens é muito diferente da luz de uma estrela com um buraco negro com um disco de gás quente.
"Uma galáxia pode ter estrelas velhas e jovens ao mesmo tempo, como a nossa. O Sol é uma estrela velha e temos estrelas jovens aqui por perto", explica Fernandes.
De acordo com Fernandes, as estrelas jovens ofuscam o brilho das estrelas velhas, que só podem ser vistas em uma galáxia onde só elas existem.
"O que o grupo do Cid descobriu foi que muitas das Liners são galáxias formadas predominantemente de estrelas velhas", explica Thaisa.
"Nessa população mais velha, há um tipo de estrela que pode dar origem a uma emissão parecida com a que é produzida quando o gás cai dentro do buraco negro do núcleo da galáxia." Isso faz parecer que a galáxia está em plena atividade, já que galáxias jovens e trabalhadoras lançam seu grande estoque de gás para dentro do seu também ativo buraco negro central.
Caso a caso
Apesar de a amostra do SDSS ser enorme se comparada com o conjunto de apenas 50 galáxias que os primeiros estudos sobre o tema analisaram, vale lembrar que o Universo possui algo em torno de 100 bilhões de galáxias.
Fernandes estima que o SDSS não registra pelo menos metade das galáxias "aposentadas", por sua luz ser fraca.
O astrônomo João Steiner, da Universidade de São Paulo, foi um dos primeiros a propor, em 1983, que alguns Liners fossem galáxias aquecidas pelos megaburacos negros em seus centros. Para Steiner a questão não está resolvida e cada caso é um caso. "As Liners não são uma população de galáxias heterogênea"; pode haver diversos fenômenos físicos produzindo essa mesma luz, diz.Fonte:Folha
Telescópio espacial faz mapa de buracos negros gigantes no Universo

Mapa do céu em raios gama divulgado por agência espacial; faixa brilhante no centro vem de emissões no plano da Via Láctea
Quem sente desconforto ao imaginar que o Universo é salpicado de megaburacos negros pode olhar a imagem à direita e entrar em pânico: boa parte dos pontos avermelhados no mapa são as adjacências de um desses monstros cósmicos.
O mapa, divulgado ontem, foi produzido pelo telescópio espacial Fermi, da Nasa. Ele mostra como é o Universo visto em raios gama, a radiação mais energética do espectro.
O Fermi (antes chamado Glast) foi lançado neste ano para investigar as fontes de raios gama existentes no cosmo. Os cientistas acreditam que essa radiação emane principalmente de núcleos de galáxias, habitados por buracos negros com massas milhões de vezes maiores que as do Sol.
O novo instrumento deve investigar, ainda, as misteriosas explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do Universo -provavelmente também ligados à atividade dos núcleos galácticos.
"Esses jatos têm muito a nos ensinar sobre aceleração de partículas", disse à Folha o físico brasiliense Eduardo do Couto e Silva, da Universidade de Stanford (EUA), vice-diretor do Centro de Operações Científicas do Glast/Fermi.
Segundo ele, o Fermi é tão bom que em quatro dias de operação conseguiu um mapa do céu em raios gama que seu antecessor, o Egret, levou um ano para fazer.
Outra vantagem do novo instrumento, diz, é poder observar uma mesma região do espaço repetidas vezes. "As fontes que emitem raios gama estão em constante mudança. Agora, poderemos ver como esses astros evoluem.
Objeto na Via Láctea pode explicar evolução dos magnetares

Astrônomos descobriram possível magnetar que emitiu 40 flashes de luz visíveis antes de desaparecer; objeto pode ser "elo perdido"
Cientistas espanhóis encontraram na Via Láctea um estranho objeto que poderia ser o "elo perdido" dos magnetares, um grupo de estrelas de nêutrons jovens com um campo magnético muito intenso.
O estudo, realizado por pesquisadores do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, analisa o comportamento "único" do objeto encontrado, que experimentou 40 erupções detectadas na categoria visível do espectro eletromagnético.
No espectro eletromagnético deles foram detectadas 40 erupções. A atividade durou apenas três dias e pôde ser observada a partir de vários observatórios astronômicos.
O pesquisador Alberto Castro Tirado afirma que os magnetares pertencem à categoria de estrelas de nêutrons ou pulsares (com massa original maior que a do Sol e fruto da explosão de uma supernova) e alguns se diferenciam por seu campo magnético.
Os magnetares objetos únicos, segundo Castro, com os campos magnéticos mais potentes do Universo, mas inativos durante décadas, daí que poucos sejam poucos conhecidos. Além disso, uma de suas erupções pode emitir tanta energia quanto o Sol ao longo de mil anos.
A família das estrelas de nêutrons está incompleta e, até agora, foi possível demonstrar que no extremo mais energético estão os magnetares, objetos jovens que, em alguns casos, são detectados por suas intensas e efêmeras emissões em raios gama.
No lado oposto, foram encontradas estrelas de nêutrons isoladas, objetos muito frágeis e velhos que emitem raios X com pouca intensidade, devendo existir milhões de magnetares mortos na galáxia.
Embora alguns cientistas já tenham apontado uma possível evolução dos magnetares para uma velhice tranqüila e débil, nunca havia sido detectado um objeto que pudesse se encaixar entre os dois estágios e provar assim esta evolução.
O comportamento do objeto encontrado confundiu em um primeiro momento os pesquisadores, já que as primeiras observações pareciam indicar que se tratava de uma explosão de raios gama produzida pela morte de uma estrela de uma galáxia distante.
No entanto, depois se comprovou que o objeto não só estava perto, na Via Láctea, mas também mostrava um comportamento diferente, afirmou o cientista.Fonte:Efe
Robô da Nasa parte para nova missão em Marte
Sonda Opportunity viajará dois anos até cratera Endeavour.
A agência espacial americana (Nasa) vai enviar sua sonda Opportunity em uma missão de dois anos para tentar chegar a uma cratera chamada Endeavour, em Marte.
Depois de alcançar a cratera Victoria, que tem quase um quilômetro de diâmetro, o robô terá de se mover cerca de 11 quilômetros para chegar até seu novo alvo, uma distância que vai dobrar o que a Opportunity já percorreu no planeta.
Segundo o repórter da BBC Stephen Jensen, a sonda já enviou ótimas imagens da cratera Victoria.
Durante o caminho até a Endeavour, a Opportunity vai continuar estudando as pedras da superfície de Marte, mas nos meses de inverno a sonda não poderá se mover, pois não há luz do Sol suficiente para gerar energia.
A sonda já coletou informações importantes a respeito da geologia do planeta, incluindo provas de que já existiu água em Marte.
Além das expectativas
A cratera Endeavour é muito maior do que qualquer outra investigação feita pelas sondas - tem 22 quilômetros de diâmetro - e vai ampliar os tipos de rochas estudadas.
As duas sondas de exploração de Marte, Opportunity e Spirit, chegaram em 2004 em uma missão que, inicialmente, deveria durar apenas três meses.
O desempenho dos dois robôs excedeu as expectativas de todos. No entanto, a Nasa admite que a nova missão da Endeavour será muito difícil.
"Podemos não chegar até lá, mas, cientificamente, é a coisa certa a fazer", disse Steve Squyres, da Universidade de Cornell, principal investigador para instrumentos científicos da Opportunity e da Spirit.
"A cratera é incrivelmente grande, comparada com tudo o que vimos antes."
A equipe da missão em Marte prevê que a Opportunity possa viajar cerca de 100 metros por dia, numa jornada que deve levar dois anos.
Imagens detalhadas do satélite Mars Reconaissance Orbiter vão ajudar a escolher a melhor rota para a sonda. E um novo programa recentemente carregado na Opportunity permitirá que o robô tome suas próprias decisões sobre como contornar rochas maiores que fiquem no caminho.
A sonda não terá de lidar com os problemas de movimentação já enfrentados pela Spirit, que teve um defeito em uma das rodas e agora se move apenas de marcha à ré.Fonte:G1
A agência espacial americana (Nasa) vai enviar sua sonda Opportunity em uma missão de dois anos para tentar chegar a uma cratera chamada Endeavour, em Marte.
Depois de alcançar a cratera Victoria, que tem quase um quilômetro de diâmetro, o robô terá de se mover cerca de 11 quilômetros para chegar até seu novo alvo, uma distância que vai dobrar o que a Opportunity já percorreu no planeta.
Segundo o repórter da BBC Stephen Jensen, a sonda já enviou ótimas imagens da cratera Victoria.
Durante o caminho até a Endeavour, a Opportunity vai continuar estudando as pedras da superfície de Marte, mas nos meses de inverno a sonda não poderá se mover, pois não há luz do Sol suficiente para gerar energia.
A sonda já coletou informações importantes a respeito da geologia do planeta, incluindo provas de que já existiu água em Marte.
Além das expectativas
A cratera Endeavour é muito maior do que qualquer outra investigação feita pelas sondas - tem 22 quilômetros de diâmetro - e vai ampliar os tipos de rochas estudadas.
As duas sondas de exploração de Marte, Opportunity e Spirit, chegaram em 2004 em uma missão que, inicialmente, deveria durar apenas três meses.
O desempenho dos dois robôs excedeu as expectativas de todos. No entanto, a Nasa admite que a nova missão da Endeavour será muito difícil.
"Podemos não chegar até lá, mas, cientificamente, é a coisa certa a fazer", disse Steve Squyres, da Universidade de Cornell, principal investigador para instrumentos científicos da Opportunity e da Spirit.
"A cratera é incrivelmente grande, comparada com tudo o que vimos antes."
A equipe da missão em Marte prevê que a Opportunity possa viajar cerca de 100 metros por dia, numa jornada que deve levar dois anos.
Imagens detalhadas do satélite Mars Reconaissance Orbiter vão ajudar a escolher a melhor rota para a sonda. E um novo programa recentemente carregado na Opportunity permitirá que o robô tome suas próprias decisões sobre como contornar rochas maiores que fiquem no caminho.
A sonda não terá de lidar com os problemas de movimentação já enfrentados pela Spirit, que teve um defeito em uma das rodas e agora se move apenas de marcha à ré.Fonte:G1
Sobe ao espaço com sucesso nave chinesa com três astronautas



Imagens da televisão estatal chinesa mostram momento da decolagem (Foto: AP/CCTV)
Lançamento marca terceira ida de tripulação da China ao espaço.
Missão Shenzhou 7 deve incluir primeira caminhada espacial do programa.
A China lançou com sucesso sua terceira -- e mais audaciosa -- missão tripulada. Depois de se tornar a terceira potência nacional a enviar gente ao espaço por seus próprios meios (depois de Rússia e EUA), os chineses agora pretendem realizar sua primeira caminhada espacial.
"Este vai ser um enorme passo adiante para a tecnologia aeroespacial do nosso país. Vocês certamente serão capazes de cumprir esse papel sagrado e glorioso. A pátria e seu povo esperam seu retorno triunfante", declarou o presidente chinês Hu Jintao à equipe de astronautas, pouco antes da partida.
A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.
Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.
A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.
Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.
Abertura
Os chineses começam a se abrir um pouco mais com relação a seu programa espacial tripulado. Tanto que houve um encontro da tripulação com a imprensa, na noite desta quarta-feira (24).
"A missão Shenzhou 7 marca um avanço histórico no programa tripulado chinês. É uma grande honra para nós três voar nessa missão, e estamos totalmente preparados para o desafio", disse Zhai Zhigang à imprensa, segundo a agência chinesa Xinhua. "Fui incluído na fase final de treinamentos três vezes, durante as missões Shenzhou 5, 6 e 7", afirmou, comemorando sua escalação para o vôo de 2008.
A inédita caminhada espacial a ser promovida por um dos três tripulantes -- ponto alto da missão -- deve ser transmitida ao vivo pela televisão chinesa.
Caso tudo dê certo, o astronauta escolhido para andar no espaço passará 40 minutos fora da espaçonave. É uma oportunidade para a China testar seus trajes espaciais e sua mobilidade -- elementos essenciais para a futura construção de uma estação.
O traje chinês, assim como a espaçonave, é fortemente baseado em tecnologia russa. A Shenzhou é uma versão aprimorada da Soyuz, nave usada há décadas pelos russos em seu programa espacial. As principais diferenças estão no módulo de experimentos, que é maior e tem mais funcionalidades na Shenzhou do que na Soyuz.
A nave chinesa também tem mais painéis solares e, portanto, mais eletricidade que sua contraparte russa.
Passos seguros
A China iniciou seu projeto de vôo espacial tripulado em 1999. Após quatro missões-teste, sem tripulação humana, em 2003 partia a nave Shenzhou 5, com Yang Liwei -- o primeiro ser humano colocado no espaço pela China.
Uma segunda missão veio em 2005, quando os astronautas Fei Junlong e Nie Haisheng passaram cinco dias no espaço, a bordo da Shenzhou 6. O vôo confirmou a durabilidade e confiabilidade da espaçonave.
Agora, vem o primeiro vôo com a capacidade máxima a bordo -- três tripulantes -- e com uma caminhada espacial nos planos.
Na foto:Já com traje espacial, trio se dirige para a Shenzhou (Foto: AP/Xinhua)
e sem o traje espacial.Fonte:G1
Eta Carina - uma Estrela em Agonia

Eta Carina numa composição de imagens dos telescópios Chandra [raios X] e Hubble [óptico].Figura
Astrônomo brasileiro comenta notícia publicada na Nature, em 11 de setembro de 2008, sobre a morte anunciada da mais luminosa estrela da Via Láctea.
O astrônomo Natahn Smith da Universidade da California em Berkeley anuncia evidências de que a estrela luminosa azul eta Carina está já em processo de morte. O evento ocorrido em 1843, quando a estrela foi vista em pleno dia não foi uma erupção, mas a primeira de uma série de explosões nucleares que precedem a explosão final da estrela que acontecerá em breve ─ numa escala de décadas a séculos.
Até hoje se imaginava que grandes estrelas, com massa maior que 10 vezes a do Sol terminavam sua vida numa grande explosão, denominada de supernova ─ um único evento que libera a energia que o Sol emitirá ao longo toda sua vida de 10 bilhões de anos, ou seja, o equivalente a quarenta bilhões de magatons a cada segundo.
A novidade é que estrelas supermassivas como eta Carina parecem sofrer uma série de explosões nucleares preliminares, antes da explosão final. São como "ataques cardíacos" em que ocorre explosão nuclear parcial do núcleo. Numa oscilação instável, são criados pares de partículas e anti-partículas que detonam parcialmente o núcleo da estrela. No entanto, este volta a se recompor, mas instabilidades fazem o fenômeno acontecer repetidamente até que o núcleo central inteiro explode, brilhando mais que uma centena de galáxias como a nossa. São as chamadas explosões de hipernovas, como a 2006gy, observada em 2006. Nesse caso, antes da explosão final, a estrela havia passado dez anos antes por uma erupção como a que eta Carina teve há dois séculos atrás.
Até há pouco tempo, se imaginava que a grande erupção de eta Carina tivesse sido um fenômeno periférico, ocorrido próximo à superfície da estrela. Uma espécie de "doença de pele devido ao estágio senil da estrela". Mas os dados de N. Smith, obtidos com o telescópio Gemini Sul ─ localizado em Cerro Pachón, no Chile ─ mostram duas evidências de que se tratou de uma verdadeira explosão. Por um lado, Smith mediu a massa do Homúnculo ─ nebulosas ejetada pela estrela a 650 km/s ─ obtendo o valor de 12 massas solares, o que exigiria uma potência igual à de uma supernova comum. Por outro lado, ele encontrou bolsões de gás ejetados com velocidades de até 4000 km/s, que não podem ser emitidos por estrelas tão frias como eta Carina (15000 K). Smith mostra que esse gás não vem da estrela secundária ─ invisível e muito mais quente (37000K) ─ proposta em 1997 por Damineli, Conti e Lopes, pois sua composição química é a mesma da estrela principal, mais luminosa.
Quando ocorrerá a gigantesca explosão que destacará a Via Láctea dentre todas as outras do Universo local? Bem, eta Carina já exibiu duas outras grandes explosões, uma em 1890 e outra entre 500 e 1000 anos atrás. A próxima pode ser a derradeira e pode acontecer nas próximas décadas, séculos, ou no máximo, em um milênio!
Por :Augusto Damineli É chefe do departamento de astronomia do Instituto Astronômico, Geofísico e de Ciências Atmosféricas (IAG-USP), é o representante brasileiro da IAU para as comemorações do Ano Internacional da Astronomia
Estrelas supermassivas sinalizam buracos negros

Nuvens de gás orbitando buracos negros sobrevivem por tempo suficiente para formar estrelas
Pesquisadores relatam ter descoberto como um aglomerado de estrelas massivas no centro da Via Láctea, a poucos trilhões de quilômetros de um buraco negro supermassivo.
Esse grupo de estrelas ─ cerca de 100 delas, dispostas em um disco alongado ─ desafia teorias de formação de estrelas que prevêem sua formação quando nuvens de hidrogênio coalescem sob a ação de sua força gravitacional.
A gravidade nas proximidades de um buraco negro supermassivo ─ com milhões de vezes a massa do Sol ─ deveria ter estraçalhado essa nuvem como uma gota de tinta num batedor de ovos, antes que tivesse a oportunidade de formar estrelas.
Para tentar resolver esse mistério, pesquisadores da University of St. Andrew e da University of Edinburgh, ambas na Escócia, simularam o destino de uma nuvem de hidrogênio com 10.000 massas solares que, de repente, flutuou nas proximidades de um buraco negro. Verificou-se que, embora uma boa parte da nuvem tivesse sido ejetada (ver imagem), ondas de choque e outras turbulências teriam extinguido um décimo do seu momento angular interno, fazendo com que ela entrasse em órbita ao redor do buraco negro, durante um período suficiente para permitir a formação de estrelas.
Buraco negro envolvido por disco de gás hidrogênio (vermelho) em simulação que mostra como estrelas se formam em torno do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.Veja a figura
Resultados publicados na revista Science explicam porque todas as estrelas observadas são muito mais massivas que o Sol, enquanto que estrelas que se formam em outras regiões do espaço, normalmente têm tamanhos diferentes: a compressão pelo buraco negro aquece o gás e só uma grande massa de gás teria a gravidade necessária para vencer sua própria expansão e colapsar gerando uma estrela.
Pesquisadores não estão certos sobre o que fazer com essas estrelas, que acreditam ter cerca de seis milhões de anos. São muito jovens para terem se formado a grandes distâncias do buraco negro e espiralado em sua direção, comenta Ian Bonnell , autor do estudo e astrofísico de St. Andrews. “Elas realmente não deveriam estar lá, a menos que tivessem se formado nesse local”.
As descobertas coincidem com outras simulações indicando que grandes estrelas tendem a se formar em torno de buracos negros, muito embora haja divergências em relação aos detalhes, avalia Reinhard Genzel, diretor do Instituto Max Plank para Física Extraterrestre, em Garching, Alemanha.
O que as simulações ainda não explicam é a origem de cerca de 25 estrelas massivas distribuídas aleatoriamente ─ ainda mais para dentro do núcleo galáctico ─ que fornecem evidências importantes sobre o buraco negro da Via Láctea.
Suspeita-se que possam ser remanescentes de sistemas binários de estrelas que vagavam pelas proximidades do buraco negro e foram separadas violentamente, sendo uma delas ejetadas para fora da Via Láctea e a outra permanecendo em torno do buraco negro. “Por mais maluca que possa parecer, essa é a opção mais provável” conclui Genzel.Por Scientific American
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Energia misteriosa faz dez anos sem ganhar explicação
Uma das maiores descobertas da história da astronomia está completando uma década neste ano, mas cientistas não têm muita motivação para comprar um bolo e tornar a data uma comemoração. Em 1998, dois grupos de pesquisa independentes descobriram que o Universo está se expandido de maneira acelerada --algo que ninguém esperava. Passados dez anos, a força que move esse fenômeno já tem um nome --energia escura--, mas ninguém ainda sabe o que ela é.
"Não estamos mesmo muito mais perto da resposta do que estávamos antes", disse à Folha Robert Kirshner, astrônomo da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA). "Mas estamos bem convencidos hoje de que essa coisa existe, e esse sinal não se foi nos últimos anos. Na verdade se tornou melhor, mais evidente."
Kirshner foi um dos astrônomos com papel crucial na descoberta de 1998. Ele inventou uma maneira de analisar a luz de supernovas (explosões de estrelas) em galáxias que se afastam da Terra a alta velocidade para estimar quão distantes elas estão. Sob liderança de Adam Riess, ex-aluno de Kirshner, astrônomos usaram essa técnica para fazer um grande mapeamento do Universo, mostrando que as galáxias mais distantes estão se afastando cada vez mais rápido.
Os astrônomos demoraram para acreditar no que estavam vendo. Já se sabia desde 1929 que o Universo estava em um movimento de expansão, que tinha iniciado com o impulso do Big Bang, a explosão que o originou. Todos achavam, porém, que a força da gravidade de toda a massa que existe no cosmo acabaria freando esse impulso alguma hora.
"No final de 1997, quando estavam saindo as primeiras análises de Adam Riess, ele me disse "Cuidado aí! Parece que nós estamos obtendo massa negativa". Eu respondi então: "Você deve estar fazendo algo errado. Tem certeza de que não esqueceu de dividir por pi?"
Mas não era um erro na fórmula. Os astrônomos ficaram tão chocados quanto Isaac Newton ficaria ao ver uma maçã caindo para cima. Não é possível perceber a energia escura em pequena escala --maçãs costumam cair para baixo aqui na Terra--, mas na escala cosmológica essa força está agindo contra a gravidade, afastando as galáxias umas das outras.
Problema constante
Sem dados experimentais que possam sugerir o que é a energia escura, cientistas voltaram então para a teoria. Algo que poderia explicar a energia escura era um conceito antigo criado por Albert Einstein. Sua teoria da relatividade geral indicava que a gravidade deveria fazer o Universo encolher, mas o grande físico acreditava num cosmo imóvel, parado. Sua solução foi postular uma força repelente para fechar as contas.
A essa nova força --uma tentativa de resolver o problema "na marra"-- o físico deu o nome de "constante cosmológica". O que a idéia implicava era um tanto absurdo: o vácuo, ou seja, o nada, conteria energia.
Aparentemente, na década de 1930, Einstein acabou sucumbindo às provas de que o Universo estava mesmo em expansão e se afastou do debate. Após a descoberta da expansão acelerada em 1998, porém, físicos ressuscitaram sua idéia: a energia escura talvez seja a constante cosmológica.
A essas alturas, a energia do vácuo já não era uma idéia tão absurda, e tinha sido até mesmo postulada na forma de "partículas virtuais" pelos físicos quânticos. Com base nisso, então, teóricos calcularam qual seria o valor da constante cosmológica se ela fosse mesmo o impulso do "vazio quântico". Só que a conta não fechou.
"A energia escura é ridiculamente pequena, e a energia do vácuo teórica é ridiculamente grande", explica Raul Abramo, físico da USP (Universidade de São Paulo). "Seria como casar uma ameba com uma baleia."
Outros teóricos postulam que a energia escura seja uma outra força da natureza, uma espécie de "antigravidade". Para isso, porém, precisaria haver evidência de que ela varia no espaço e no tempo. Em outras palavras, seria preciso essa energia não ser "constante". Mas até onde a precisão dos telescópios permite ver, ela é.
Para sair da enrascada, físicos esperam agora a chegada de dados de supertelescópios, mas nada garante que imagens mais precisas tragam novas idéias. Fonte Folha
"Não estamos mesmo muito mais perto da resposta do que estávamos antes", disse à Folha Robert Kirshner, astrônomo da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA). "Mas estamos bem convencidos hoje de que essa coisa existe, e esse sinal não se foi nos últimos anos. Na verdade se tornou melhor, mais evidente."
Kirshner foi um dos astrônomos com papel crucial na descoberta de 1998. Ele inventou uma maneira de analisar a luz de supernovas (explosões de estrelas) em galáxias que se afastam da Terra a alta velocidade para estimar quão distantes elas estão. Sob liderança de Adam Riess, ex-aluno de Kirshner, astrônomos usaram essa técnica para fazer um grande mapeamento do Universo, mostrando que as galáxias mais distantes estão se afastando cada vez mais rápido.
Os astrônomos demoraram para acreditar no que estavam vendo. Já se sabia desde 1929 que o Universo estava em um movimento de expansão, que tinha iniciado com o impulso do Big Bang, a explosão que o originou. Todos achavam, porém, que a força da gravidade de toda a massa que existe no cosmo acabaria freando esse impulso alguma hora.
"No final de 1997, quando estavam saindo as primeiras análises de Adam Riess, ele me disse "Cuidado aí! Parece que nós estamos obtendo massa negativa". Eu respondi então: "Você deve estar fazendo algo errado. Tem certeza de que não esqueceu de dividir por pi?"
Mas não era um erro na fórmula. Os astrônomos ficaram tão chocados quanto Isaac Newton ficaria ao ver uma maçã caindo para cima. Não é possível perceber a energia escura em pequena escala --maçãs costumam cair para baixo aqui na Terra--, mas na escala cosmológica essa força está agindo contra a gravidade, afastando as galáxias umas das outras.
Problema constante
Sem dados experimentais que possam sugerir o que é a energia escura, cientistas voltaram então para a teoria. Algo que poderia explicar a energia escura era um conceito antigo criado por Albert Einstein. Sua teoria da relatividade geral indicava que a gravidade deveria fazer o Universo encolher, mas o grande físico acreditava num cosmo imóvel, parado. Sua solução foi postular uma força repelente para fechar as contas.
A essa nova força --uma tentativa de resolver o problema "na marra"-- o físico deu o nome de "constante cosmológica". O que a idéia implicava era um tanto absurdo: o vácuo, ou seja, o nada, conteria energia.
Aparentemente, na década de 1930, Einstein acabou sucumbindo às provas de que o Universo estava mesmo em expansão e se afastou do debate. Após a descoberta da expansão acelerada em 1998, porém, físicos ressuscitaram sua idéia: a energia escura talvez seja a constante cosmológica.
A essas alturas, a energia do vácuo já não era uma idéia tão absurda, e tinha sido até mesmo postulada na forma de "partículas virtuais" pelos físicos quânticos. Com base nisso, então, teóricos calcularam qual seria o valor da constante cosmológica se ela fosse mesmo o impulso do "vazio quântico". Só que a conta não fechou.
"A energia escura é ridiculamente pequena, e a energia do vácuo teórica é ridiculamente grande", explica Raul Abramo, físico da USP (Universidade de São Paulo). "Seria como casar uma ameba com uma baleia."
Outros teóricos postulam que a energia escura seja uma outra força da natureza, uma espécie de "antigravidade". Para isso, porém, precisaria haver evidência de que ela varia no espaço e no tempo. Em outras palavras, seria preciso essa energia não ser "constante". Mas até onde a precisão dos telescópios permite ver, ela é.
Para sair da enrascada, físicos esperam agora a chegada de dados de supertelescópios, mas nada garante que imagens mais precisas tragam novas idéias. Fonte Folha
Sonda confirma existência de água em Marte

A sonda Phoenix, que explora o solo de Marte desde maio, confirmou nesta quinta-feira (31) a existência de água no planeta. A descoberta ocorreu depois que a Phoenix colocou amostras do solo em um instrumento que identifica os gases produzidos por substâncias. Para os técnicos, é a primeira vez que a existência de água é provada quimicamente.
"Nós temos água", afirma William Boynton, da Universidade do Arizona, cientista responsável pelo instrumento chamado Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido).
"Nós tínhamos evidências de gelo antes, em observações da sonda Mars Odyssey e por pedaços que desapareceram [do solo de Marte] no mês passado, mas essa é a primeira vez que a água em Marte é tocada e provada".
A função do Tega é esquentar amostras coletadas pelo braço robótico, transformando os materiais em gases. Com isso, é possível identificar os compostos químicos e analisar sua composição.
No olho
Em junho, técnicos da missão já diziam estar convictos de que o material brilhante encontrado na superfície de Marte era gelo, e não sal.
Eles chegaram a essa conclusão em razão de quantidades do material que haviam sido fotografadas pela sonda terem desaparecido do solo --indicando que a água congelada sublimou após ter sido exposta no solo.
A Phoenix está em Marte desde o dia 25 de maio com a missão de investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta --procurando por condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos, ou respostas para questões como a mudança climática.
Mais tempo
Com o resultado, a Nasa (agência espacial norte-americana) decidiu estender a missão da sonda até 30 de setembro. A idéia original era que o sistema funcionasse por cerca de três meses, até o fim de agosto.
"A Phoenix está saudável e as projeções para energia solar parecem boas, então nós queremos aproveitar a vantagem de fazer essa pesquisa em um dos locais mais interessantes de Marte", afirma Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte na Nasa.Fonte:Reuters
terça-feira, 15 de julho de 2008
Sonda faz imagens espetaculares da maior das luas de Marte
Cientistas descobrem sinal de água em vidro natural obtido na Lua

Interior do satélite da Terra teria sido rico em água até uns 3 bilhões de anos atrás.
Gelo ainda existe em crateras lunares; origem da substância pode ser meteorítica.
A análise de contas de vidro colorido encontradas na Lua pelas missões Apollo 15 e Apollo 17, realizadas em 1971 e 1972, revelam que o interior do satélite foi rico em água até cerca de 3 bilhões de anos atrás. A descoberta, apresentada na edição desta semana da revista científica "Nature", contradiz a idéia, mais comumente aceita, de que a Lua já surgiu desidratada, e oferece uma explicação para a origem dos depósitos de gelo que parecem existir em crateras localizadas nos pólos do satélite.
"O que nossas descobertas indicam é que ou a água não se perdeu por completo no grande impacto que formou a Lua, ou que ela voltou a se acumular por meio de material de meteoritos, nos primeiros 100 milhões de anos da formação do satélite", diz o principal autor do estudo, o argentino Alberto Saal, atualmente na Universidade Brown, nos EUA. Embora as amostras sejam antigas, a análise atual só foi possível graças a desenvolvimentos tecnológicos recente
A teoria mais aceita para a origem da Lua diz que o satélite surgiu após a colisão de um outro astro, do tamanho de Marte, com a Terra primitiva, há mais de 4 bilhões de anos. "A idéia é que o material expelido pelo impacto formou um anel, que aos poucos se agregou para formar a Lua.Fontes de Informações da NASA.
Rochas lunares trazidas por astronautas ainda evocam mistérios

Pesquisas continuam a todo vapor, a despeito da limitação das amostras.
Material fica acondicionado no Centro Espacial Johnson, no Texas.
No laboratório, as rochas da lua parecem indefinidas – basalto cinza-escuro, um mineral esbranquiçado chamado anortosito e misturas dos dois com cristais. Mesmo assim, quase 40 anos depois que os astronautas da Apollo trouxeram as primeiras rochas para a Terra, esses pedaços da Lua continuam oferecendo segredos de outro mundo.
“Chamamos esta pedra de “gênesis”, pois foi formada perto de quando a Lua se solidificou há 4,5 bilhões de anos”, diz Carlton C. Allen, apontando para uma pedra de cores suaves com tamanho e formato de uma grande borracha, colocada dentro de uma caixa cheia de gás nitrogênio inerte.
“Sabemos que o Big Bang aconteceu há cerca de 14,5 bilhões de anos,” diz Allen, “E esta rocha tem um terço dessa idade. Você nunca verá um pedaço sólido de qualquer coisa em nosso sistema solar que seja mais antigo.”
Allen é curador de materiais estelares no Centro Espacial Johnson, lar do Laboratório de Amostras Lunares, um armazém seguro abriu em 1979 para guardar 382 quilos de rochas e solo lunares coletados por astronautas em seis visitas.
As rochas da superfície lunar, virtualmente inalterada em um vácuo sem clima desde sua formação, oferecem oportunidades para investigar a origem e evolução do sistema solar que não estão disponíveis em nenhum outro lugar, e o estudo se aprofunda com cada geração de cientistas e instrumentos científicos.
Velhas amostras, novas pesquisas
A cada ano um painel independente de revisão por pares avalia novas propostas de pesquisa, e curadores enviam cerca de 400 amostras lunares a 40 ou 50 cientistas de todo o mundo. Quase todas pesam menos de um grama. “Não as doamos, apenas emprestamos”, diz Allen. “Não queremos ficar sem estoque.”
Ao longo dos anos, as amostras têm fornecido incontáveis constatações sobre a natureza de nosso mais próximo vizinho celestial. Graças às amostras, aprendemos quando a lua se formou, sendo resultado provável (embora ainda controverso) do choque de um planetóide com a jovem Terra, arremessando uma nuvem de fragmentos no espaço que subseqüentemente se juntaram numa esfera.
As amostras confirmaram que impactos de asteróides e meteoros, e não vulcanismo, criaram a maioria das crateras que definem a topografia da Lua, enquanto um constante bombardeio de meteoritos, micrometeoritos e radiação derreteram o leito de rocha para criar a manta de solo e poeira granulados – conhecida como regolito – que agora cobre a superfície lunar.
Conhecer as idades de rochas lunares, que podem ser calculadas em 20 milhões de anos, permitiu que os cientistas estabelecessem uma linha de referência para datar atributos geológicos através do sistema solar. A superfície da Terra, uma das topografias mais jovens de nosso sistema, está constantemente se alterando, à medida que é dobrada, rachada e modelada por erupções, terremotos e erosão. Ao contrário, a lua é tão antiga quanto possível.
“É difícil estudar um lugar onde nada acontece”, diz Allen. “Mas a lua é esse lugar.”
Nos últimos anos as rochas também ajudaram os pesquisadores a responder questões práticas que emergiram em 2004, com a proposta do Presidente Bush de retornar à lua até 2020 e estabelecer um posto permanente. Os planejadores estão utilizando as rochas para estudar os efeitos perniciosos do regolito em mecanismos e na saúde dos astronautas. Eles estão aprendendo a extrair oxigênio e outros elementos vitais do solo e rochas lunares. E precisam entender como proteger moradias da radiação mortal que atinge eternamente a superfície da Lua.
Acondicionamento
As amostras – 2.200 no total – são guardadas em caixas cheias de nitrogênio em um cofre de aço inoxidável no segundo andar do armazém de 1.300 metros quadrados, e são transportados a outras partes do laboratório em dispositivos à prova do ar. Técnicos preparam o envio das amostras em caixas contendo ferramentas e recipientes esterilizados.
As amostras são numeradas e classificadas por expedição. Todos os pousos de Apollo, começando com a missão histórica do Apollo 11 em 1969 e terminando com o Apollo 17 em dezembro de 1972, foram em locais equatoriais, mas o terreno diferiu a cada vez e as amostras refletem as diferenças. A rocha gênesis foi coletada por astronautas do Apollo 15 perto de Hadley Rille na fronteira entre um “mar” de terras baixas e a área montanhosa lunar.
A chegada da primeira rocha lunar em 1969 foi ansiosamente antecipada por cientistas. “Não tínhamos idéia do que era feita a Lua”, recorda Allen, e as duas primeiras décadas de pesquisa se concentraram em questões básicas – idade e composição das rochas, a origem e evolução da geologia, e características topográficas lunares.
A Lua jovem se desenvolveu como uma bola de magma principalmente líquida, coberta por uma fina crosta de minerais leves. A crosta tornou-se o anortosito branco, que flutuou sobre o magma para formar as áreas montanhosas da Lua. O basalto irrompeu mais tarde e então se solidificou nas planícies.
O anortosito e tipos de rochas similares nas áreas altas e a lava de basalto nas terras baixas são os blocos básicos de construção da Lua. Outras rochas são brechas – fragmentos de pedras esmagados e quebrados, fundidos pelo calor dos impactos e ejetados da cratera resultante.
Pesquisadores viram que as áreas altas tinham mais crateras que as planícies. Isso significava que haviam sido atingidas com mais impactos, então suas rochas eram relativamente mais antigas. Mas, com as rochas em mãos, eles poderiam determinar sua idade absoluta em anos.
A medida do sistema solar
Isso permitiu criar um modelo que poderia funcionar em qualquer lugar do sistema solar. A Lua mostrou que um local com rochas de certa idade teria um número previsível de crateras de diferentes tamanhos. E como a taxa de impactos foi presumivelmente parecida por todo o sistema solar, as datas lunares poderiam ser usadas como ponto de comparação para estimar as idades de superfícies em outros lugares.
“Isso foi uma descoberta-chave, ou seja, que o impacto foi um fenômeno significativo e fundamental que afetou não só a lua e os planetas, mas a própria vida”, diz o cientista planetário Paul D. Spudis, do Instituto Lunar e Planetário em Houston. “Sabíamos que impactos haviam ocorrido, mas antes das rochas, eles eram encarados como uma esquisitice geológica.”
Não mais. No início dos anos 80, cientistas foram capazes de mostrar que depósitos terrestres de minerais e cristais com 65 milhões de anos eram similares aos encontrados rotineiramente em dejetos lunares. Isso levou à teoria – hoje amplamente aceita – de que os dinossauros foram extintos em decorrência de um impacto com um asteróide.
Cientistas lunares agora suspeitam que essa constatação possa ter outras implicações. Análises de amostras e crateras lunares mostraram que a superfície da lua era sólida há 4,3 bilhões de anos, mas as rochas de impacto mais velhas entre as amostras têm 3,9 bilhões de anos.
Alguns pesquisadores sugeriram que os impactos na lua começaram a diminuir há 4,3 bilhões de anos, e foram retomados em um “cataclismo” 400 milhões de anos depois. E, se o cataclismo afetasse a lua, afetaria também a Terra – numa época em que a vida estava apenas começando.
“Isso é muito controverso”, diz Charles Shearer, um cientista lunar da Universidade do Novo México e diretor do comitê de revisão paritária do laboratório lunar. “É importante coletar amostras de outros terrenos.”
Isso é parte do encanto da iniciativa lunar de Bush, que pede uma base próxima do Pólo Sul e exploração de toda a superfície da lua, incluindo o lado distante. Essas possibilidades, diz Allen, “deixaram a comunidade científica realmente animada.”
Mas não todos. “É muito difícil justificar a lua como uma meta primordial das viagens espaciais humanas – não há nada de novo para descobrir”, diz Robert Zubrin, presidente da Sociedade de Marte e um crítico da renovada exploração lunar. “Se queremos um desafio, tem de ser Marte. Vamos realmente inspirar a juventude de hoje repetindo façanhas tecnológicas de seus avôs?”
Novas Imagens de Marte são divulgadas


Agência Espacial Européia divulga imagens de Marte.A Sonda fez fotos de depressão que seria fonte de água na região.Fotos foram divulgadas nesta segunda-feira.
A câmera de alta resolução da sonda Mars Express da Agência Espacial Européia fez imagens de Echus Chasma, uma espécie de depressão em Marte que seria uma das maiores fontes de água do planeta vermelho. Foto: Reuters
Uma visão de Echus Chasma obtida pelo radar da sonda Mars Express. As fotos foram divulgadas nesta segunda-feira. Foto: Reuters
domingo, 22 de junho de 2008
Versão reduzida do Sistema Solar encontrada a 5.000 anos-luz de distância

EM ESCALA: Um novo sistema planetário contém dois planetas que se parecem bastante com Júpiter e Saturno no que se refere à massa e à distância relativa à sua estrela.
Astrônomos descobriram um par de planetas em torno de uma estrela a 5.000 anos de distância que parecem versões menores de Júpiter e Saturno, indicando que sistemas solares como o nosso podem ser surpreendentemente comuns. O maior dos dois planetas tem uma massa equivalente a 70% daquela de Júpiter, e o outro, tem 90% da massa de Saturno.
Quanto à estrela, batizada de OGLE-2006-BLG-109L, é mais fraca que nosso Sol e tem apenas metade de seu tamanho. Mas as proporções entre a massa dos dois planetas e a de sua estrela, bem como suas posições orbitais relativas são bem semelhantes às de Júpiter e Saturno. “Basicamente, o que descobrimos é um análogo de tamanho reduzido de nosso Sistema Solar”, explica Scott Gaudi, professor-assistente de astronomia na Ohio State University e autor principal de um estudo publicado na revista de divulgação científica Science.
Gaudi e seus colegas descobriram os planetas durante um período de duas semanas em 2006, quando sua estrela-mãe passou em frente a uma estrela mais distante. Devido ao efeito chamado de microlente gravitacional, a gravidade da estrela mais próxima ampliou em 500 vezes a luz da mais distante. Os movimentos dos planetas provocaram picos periódicos no brilho da luz ampliada, o que permitiu à equipe calcular o tamanho dos planetas e suas distâncias em relação à estrela. O Experimento de Lentes Gravitacionais Ópticas (OGLE, na sigla em inglês) no Observatório Las Campanas, no Chile, foi o primeiro a detectar o evento.
Os pesquisadores conhecem outros sistemas de planetas múltiplos, mas neles os planetas se agrupam próximos de suas estrelas. Eventos de efeito de microlente gravitacional revelam planetas em órbitas que estão mais distantes de suas estrelas.
Antes dessa descoberta, efeitos de microlentes gravitacionais tinham encontrado quatro planetas, dois deles do tamanho de Júpiter. Mas esse cruzamento foi o primeiro que aconteceu com as condições certas para revelar a presença de planetas menores. “Na primeira vez que tivemos condições de encontrar um análogo de Júpiter e Saturno, conseguimos encontrá-los”, fala Gaudi. “E isso nos fornece uma indicação [...] de que análogos do Sistema Solar desse tipo podem ser bastante comuns”.
Versões menores de Júpiter e Saturno podem ser as primeiras de muitas outras.Por J.R. Minkel
O gelo em Marte

Material brilhante encontrado pela Phoenix em Marte; amostras desapareceram após alguns dias, o que indica sublimação de gelo...
Técnicos da missão da sonda Phoenix estão convictos de que o material brilhante encontrado na superfície de Marte é gelo, e não sal. Eles chegaram a essa conclusão em razão de quantidades do material que haviam sido fotografadas pela sonda há cerca de cinco dias terem desaparecido do solo --indicando que a água congelada se transformou em vapor após ter sido exposta no solo.
A Phoenix está em Marte desde o dia 25 de maio com a missão de investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta --procurando por condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos, ou respostas para questões como a mudança climática.
"Tudo o que nós vimos nos espectros é consistente com [a existência de] gelo nas valas. As últimas imagens da vala mostram que o material brilhante está desaparecendo. Isso pode ser gelo sublimando, mas não sal", afirma, por e-mail, Nilton Rennó, cientista brasileiro e um dos líderes de pesquisa da missão.
Segundo ele, os pesquisadores ainda estão analisando o assunto, mas "quase não há mais dúvidas" de que o material seja gelo.
Para confirmar a informação, a Phoenix vai colocar amostras da superfície em um instrumento chamado Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido), para confirmar essas impressões.
Solo rígido
Outra evidência de que o material é gelo é a dureza do solo encontrado próximo ao local em que a Phoenix está. Eles apostam que a sonda está fixada sobre um bloco de gelo, o que facilita a prospecção do solo --não deve ser necessário fazer buracos muito profundos.
Os resultados da missão fizeram com que Rennó afirmasse à Folha Online, na semana passada, que "nunca estivemos tão perto de achar vida em outro lugar, se realmente existir alguma".
Espaço cheio
Nesta semana, a Phoenix está enfrentando problemas de memória, fazendo com que alguns dados científicos fossem perdidos. Para não forçar a memória da sonda, o equipamento foi programado para conter pesquisas científicas e a diminuir a prioridade dos dados utilizados para manutenção da sonda.
Por isso, os técnicos da missão estão preparando uma atualização no software da sonda para resolver o problema, causado pelo excesso de dados criados pela Phoenix sobre seus próprios sistemas, para "manter a casa em ordem". O objetivo é fazer com que os dados científicos sejam salvos novamente na sonda, caso necessário.
Para não forçar o sistema, os técnicos tomaram a precaução de não armazenar dados científicos na memória flash da sonda --os dados estão sendo enviados diretamente para a Terra ao fim de cada dia, até que o problema seja resolvido.
Projeto
O cientista brasileiro reconhece que o problema atrasou "um pouco" as pesquisas. Mas outras atividades foram mantidas, como cavar o solo e testar técnicas para colocar as amostras nos experimentos. "Nossa programação de três meses tem uma margem de 30 dias para contingências como essa", afirma Barry Goldstein, gerente de projetos da Phoenix, em nota.
Apesar de estar a cerca de 275 milhões de km de distância, a Phoenix age de acordo com comandos enviados por profissionais em terra. Os técnicos recebem informações enviadas pela sonda e, com base nessas análises, enviam os comandos para a sonda.Fonte Folha
Sonda Phoenix deve ter achado gelo em Marte, afirmam cientistas

Material branco que o aparelho havia fotografado evaporou de trincheira, revelam imagens.
Outros possíveis compostos que explicariam cor não são capazes de fazer isso.
Pode-se dizer que é oficial: após cavar o duro solo do pólo Norte marciano, a sonda robótica Phoenix, da Nasa, encontrou gelo. O anúncio, feito pela agência espacial americana, veio depois que os cientistas notaram o sumiço de uma crosta branca na trincheira aberta pela Phoenix. O veredicto: só pode ter sido água congelada, que sublimou (passou direto do estado sólido para o gasoso) na atmosfera rarefeita de Marte.
Manchas brancas só podem ser gelo, de acordo com pesquisadores (Foto: Nasa)
"Deve ser gelo", resumiu o cientista-chefe da missão, Peter Smith, da Universidade do Arizona em Tucson (EUA). "Pequenos amontoados de material branco desaparecendo completamente ao longo de uns poucos dias, isso é uma evidência perfeita de que se trata de gelo. Havia algumas dúvidas, dizia-se que o material branco poderia ser sal também. O sal não é capaz de fazer isso."
A trincheira onde a forma sólida da água foi revelada é chamada de "Dodô-Cachinhos Dourados". O braço robótico da Phoenix a alargou no último dia 15, o vigésimo "sol" (dia marciano) desde o pouso da sonda. Os amontoados do material tinham sumido quando novas imagens foram obtidas nesta quinta (19).
Outras trincheiras também estão revelando uma camada endurecida que pode corresponder a gelo. Os pesquisadores vão continuar o processo, além de enviar em breve à sonda uma correção de seu software de armazenamento de dados.Fonte G1
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Físicos tentam desvendar o conceito dos "universos paralelos"
Popularizada por obras de ficção científica como "Jornada nas Estrelas" ou então pelo recente filme "A Bússola de Ouro", primeira parte da trilogia escrita por Philip Pullman, o conceito dos universos paralelos desperta um grande interesse por parte dos mais sérios cientistas do planeta.
"A idéia de vários universos simultâneos é mais do que uma invenção fantástica. Parece natural em várias teorias e merece ser levada em conta", afirma o astrofísico Aurélien Barrau no número de dezembro da revista "Cern Courier", publicada pela Organização Européia para a Pesquisa Nuclear.
"Estes universos múltiplos não são apenas teoria, e sim as conseqüências de teorias elaboradas para responder a questões de física das partículas ou da gravitação. Muitos problemas centrados na física teórica encontram assim uma explicação natural", resume o cientista do Laboratório de Física Subatômica e Cosmologia.
"Nosso Universo seria apenas uma ilhota insignificante dentro de um imenso 'multiverso' infinitamente vasto e diversificado? Se for verdade, isso pode ser para o homem, que durante muito tempo acreditou que era o centro do mundo ou o centro da criação, a quarta ferida narcisista", prosseguiu, explicando que as três primeiras feridas teriam sido causadas por Copérnico, Darwin e Freud.
Imaginar que existem vários universos responderia a uma das grandes perguntas dos físicos: Por que motivo --fora acreditar em Deus-- nosso universo, se fosse o único existente, teria precisamente as leis e as constantes físicas que teriam permitido o surgimento de astros, de planetas e finalmente de vida?
Paradoxos
A idéia de universos paralelos foi introduzida em 1957 pelo físico americano Hugh Everett, para interpretar certas raridades --para o sentido comum-- da física quântica.
Dessa maneira, é possível encontrar partículas numa espécie de superposição de estados. O exemplo clássico e o do gato que pode estar vivo e pode estar morto ao mesmo tempo dentro da caixa que serve de exemplo e paradoxo da teoria pronunciada por um dos "pais" da física quântica, Erwin Schrödinger.
Apenas um dos estados se torna realidade no momento de uma observação. Dessa maneira, não se criam outras possibilidades em outros tantos universos? Hugh Everett e outros cientistas acreditam que sim.
Existiriam então vários universos paralelos que poderiam ter um passado comum, antes de divergir para outro possível e diferente.
No cinema
Um episódio de "Jornada nas Estrelas", "O universo do espelho", exemplifica bem o conceito, pois mostra, em um outro universo, outras versões do capitão Kirk, do sr. Spock e dos demais tripulantes da nave Enterprise.
"Este mundo, como todos os demais universos, nasceu do resultado das probabilidades", explica o Lorde Asriel a sua filha Lyra, a jovem heroína de "A Bússola de Ouro", evocando as partículas elementares.
"Num dado momento, várias coisas são possíveis e, no instante seguinte, apenas uma acontece e o resto deixa de existir", conclui.Da France Presse
"A idéia de vários universos simultâneos é mais do que uma invenção fantástica. Parece natural em várias teorias e merece ser levada em conta", afirma o astrofísico Aurélien Barrau no número de dezembro da revista "Cern Courier", publicada pela Organização Européia para a Pesquisa Nuclear.
"Estes universos múltiplos não são apenas teoria, e sim as conseqüências de teorias elaboradas para responder a questões de física das partículas ou da gravitação. Muitos problemas centrados na física teórica encontram assim uma explicação natural", resume o cientista do Laboratório de Física Subatômica e Cosmologia.
"Nosso Universo seria apenas uma ilhota insignificante dentro de um imenso 'multiverso' infinitamente vasto e diversificado? Se for verdade, isso pode ser para o homem, que durante muito tempo acreditou que era o centro do mundo ou o centro da criação, a quarta ferida narcisista", prosseguiu, explicando que as três primeiras feridas teriam sido causadas por Copérnico, Darwin e Freud.
Imaginar que existem vários universos responderia a uma das grandes perguntas dos físicos: Por que motivo --fora acreditar em Deus-- nosso universo, se fosse o único existente, teria precisamente as leis e as constantes físicas que teriam permitido o surgimento de astros, de planetas e finalmente de vida?
Paradoxos
A idéia de universos paralelos foi introduzida em 1957 pelo físico americano Hugh Everett, para interpretar certas raridades --para o sentido comum-- da física quântica.
Dessa maneira, é possível encontrar partículas numa espécie de superposição de estados. O exemplo clássico e o do gato que pode estar vivo e pode estar morto ao mesmo tempo dentro da caixa que serve de exemplo e paradoxo da teoria pronunciada por um dos "pais" da física quântica, Erwin Schrödinger.
Apenas um dos estados se torna realidade no momento de uma observação. Dessa maneira, não se criam outras possibilidades em outros tantos universos? Hugh Everett e outros cientistas acreditam que sim.
Existiriam então vários universos paralelos que poderiam ter um passado comum, antes de divergir para outro possível e diferente.
No cinema
Um episódio de "Jornada nas Estrelas", "O universo do espelho", exemplifica bem o conceito, pois mostra, em um outro universo, outras versões do capitão Kirk, do sr. Spock e dos demais tripulantes da nave Enterprise.
"Este mundo, como todos os demais universos, nasceu do resultado das probabilidades", explica o Lorde Asriel a sua filha Lyra, a jovem heroína de "A Bússola de Ouro", evocando as partículas elementares.
"Num dado momento, várias coisas são possíveis e, no instante seguinte, apenas uma acontece e o resto deixa de existir", conclui.Da France Presse
Astrônomos da Alemanha vêem "parto" de planeta
Foi como assistir ao vivo a um parto. Astrônomos da Alemanha detectaram pela primeira vez um planeta extra-solar recém-nascido, ainda preso pelo "cordão umbilical" à sua estrela-mãe.
O nascimento aconteceu na constelação de Hidra e está sendo considerado a primeira observação de um fenômeno sobre o qual os astrônomos apenas teorizavam: como surgem os planetas, neste Sistema Solar e em outros.
O bebê, batizado TW Hya b, está localizado a apenas 0,4 unidade astronômica (ou 40% da distância da Terra ao Sol) de sua estrela, a TW Hydrae. Ele é um gigante gasoso com 9,8 vezes a massa de Júpiter e está dentro do chamado disco circunstelar, uma nuvem de poeira e gás que cerca estrelas muito jovens e que, segundo a teoria, fornece o material para o surgimento dos planetas.
"Essa descoberta mostra que o que chamamos de discos protoplanetários são de fato protoplanetários --eles formam planetas", disse à Folha o astrônomo indonésio Johny Setiawan, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha.
Setiawan, 33, descobriu o novo planeta com o auxílio de um telescópio do Observatório Europeu do Sul, em La Silla, Chile. A descoberta está publicada na revista "Nature" desta quinta-feira.
Razão pura
Desde o século 18 os cientistas acreditam que os planetas nascem do mesmo material de suas estrelas. A idéia foi sugerida pela primeira vez, de maneira independente, pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) e pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace (1749-1827). Eles observaram que os planetas do Sistema Solar estavam todos alinhados no mesmo plano, e isso não poderia ser mera coincidência. Sugeriram que o Sol e os seus planetas haviam se formado de uma grande nuvem de gás e pó.
Estudos posteriores confirmaram a idéia original de Kant e Laplace, e modelos surgiram para explicar a gênese dos planetas a partir desses discos. O problema é que, até agora, faltava um flagrante de planeta-bebê que enterrasse as dúvidas.
Isso porque estrelas jovens geralmente são muito ativas, o que atrapalha detecção de planetas com o método mais usado hoje, o da velocidade radial (que registra ligeiros "bamboleios" da estrela causados pela influência gravitacional do planeta). E, em estrelas com mais de 10 milhões de anos, a "placenta" cósmica --o tal disco-- desaparece, varrida pela radiação e pelos ventos estelares.
Em 2003, Setiawan e seus colegas resolveram apostar na "gravidez" das estrelas jovens e monitorar 200 delas -muitas ainda com suas "placentas" circunstelares intactas. A busca acabou dando no TW Hya b.
"Talvez nós também tenhamos dado sorte pelo fato de o planeta ser grande o bastante a ponto de seu sinal ser detectado", afirmou o cientista.
O estudo ajuda a esclarecer uma questão que ainda perturbava os astrônomos: em quanto tempo um planeta pode se formar. Ele parece confirmar a idéia de que planetas surgem em intervalos curtos --menos de 10 milhões de anos.
Por outro lado, as teorias existentes não conseguem explicar como um planeta tão grande quanto o TW Hya b pôde surgir tão perto de sua estrela. "Talvez [elas] precisem ser aperfeiçoadas", diz Setiawan.Fonte:Folha
O nascimento aconteceu na constelação de Hidra e está sendo considerado a primeira observação de um fenômeno sobre o qual os astrônomos apenas teorizavam: como surgem os planetas, neste Sistema Solar e em outros.
O bebê, batizado TW Hya b, está localizado a apenas 0,4 unidade astronômica (ou 40% da distância da Terra ao Sol) de sua estrela, a TW Hydrae. Ele é um gigante gasoso com 9,8 vezes a massa de Júpiter e está dentro do chamado disco circunstelar, uma nuvem de poeira e gás que cerca estrelas muito jovens e que, segundo a teoria, fornece o material para o surgimento dos planetas.
"Essa descoberta mostra que o que chamamos de discos protoplanetários são de fato protoplanetários --eles formam planetas", disse à Folha o astrônomo indonésio Johny Setiawan, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha.
Setiawan, 33, descobriu o novo planeta com o auxílio de um telescópio do Observatório Europeu do Sul, em La Silla, Chile. A descoberta está publicada na revista "Nature" desta quinta-feira.
Razão pura
Desde o século 18 os cientistas acreditam que os planetas nascem do mesmo material de suas estrelas. A idéia foi sugerida pela primeira vez, de maneira independente, pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) e pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace (1749-1827). Eles observaram que os planetas do Sistema Solar estavam todos alinhados no mesmo plano, e isso não poderia ser mera coincidência. Sugeriram que o Sol e os seus planetas haviam se formado de uma grande nuvem de gás e pó.
Estudos posteriores confirmaram a idéia original de Kant e Laplace, e modelos surgiram para explicar a gênese dos planetas a partir desses discos. O problema é que, até agora, faltava um flagrante de planeta-bebê que enterrasse as dúvidas.
Isso porque estrelas jovens geralmente são muito ativas, o que atrapalha detecção de planetas com o método mais usado hoje, o da velocidade radial (que registra ligeiros "bamboleios" da estrela causados pela influência gravitacional do planeta). E, em estrelas com mais de 10 milhões de anos, a "placenta" cósmica --o tal disco-- desaparece, varrida pela radiação e pelos ventos estelares.
Em 2003, Setiawan e seus colegas resolveram apostar na "gravidez" das estrelas jovens e monitorar 200 delas -muitas ainda com suas "placentas" circunstelares intactas. A busca acabou dando no TW Hya b.
"Talvez nós também tenhamos dado sorte pelo fato de o planeta ser grande o bastante a ponto de seu sinal ser detectado", afirmou o cientista.
O estudo ajuda a esclarecer uma questão que ainda perturbava os astrônomos: em quanto tempo um planeta pode se formar. Ele parece confirmar a idéia de que planetas surgem em intervalos curtos --menos de 10 milhões de anos.
Por outro lado, as teorias existentes não conseguem explicar como um planeta tão grande quanto o TW Hya b pôde surgir tão perto de sua estrela. "Talvez [elas] precisem ser aperfeiçoadas", diz Setiawan.Fonte:Folha
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