terça-feira, 31 de março de 2009

Turismo espacial é suspenso até 2012

ESTADOS UNIDOS - Segundo informações da agência EFE, os multimilionários que quiserem comprar um bilhete de ida e volta com destino a alguma plataforma espacial terão que esperar até que se construa uma nova nave russa Soyuz, projetada especialmente para turistas espaciais.

O último a viajar para a "cidade das estrelas" como visitante foi o magnata americano do mercado da informática Charles Simonyi, que se encontra agora a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

Assim que retornar à Terra, no próximo dia 7 e abril, Estação Espacial será fechada por vários anos, acabando com este excêntrico tipo de turismo, mesmo com os milhões oferecidos pelos viajantes.

- O turismo espacial é uma atividade complicada. Sinto, mas temos que construir a ISS não para os turistas, mas para satisfazer as necessidades dos habitantes da Terra - disse Vitali Lopota, presidente da firma aeroespacial Energuia.

Nasa apresenta nave Orion, projetada para ir a Marte


WASHINGTON - A Nasa apresentou nesta segunda-feira aos transeuntes do National Mall (avenida monumental de Washington) um modelo em tamanho natural de uma nave projetada para levar astronautas à Lua e eventualmente a Marte.


A Orion, construída pela Marinha, substituirá os ônibus espaciais a serem aposentados em 2010 pela Nasa e se tornará a base do programa Constellation, com o qual a agência espacial pretende explorar a Lua, Marte e além.

- Estamos muito orgulhosos de construir isso, de fazer alguns testes e demonstrar à América que estamos avançando além do ônibus espacial, para outra geração de naves - disse Don Pearson, gerente de projeto do programa Port (Teste de Recuperação Pós-Pouso da Orion, na sigla em inglês).

A Nasa espera que em 2015 já esteja usando o Orion para levar astronautas até a Estação Espacial Internacional. A cápsula será responsável pelo rodízio semestral de ocupantes da estação, o que servirá para "resolver enroscos" antes de rumar para a Lua e Marte, segundo Pearson.

Viagens à Lua seriam programadas para 2020, e uma viagem a Marte supostamente seria possível em meados da década de 2030.

O design da Orion se baseou na nave Apollo, que levou pela primeira vez os norte-americanos à Lua. Mas a nova nave é muito maior, capaz de levar seis tripulantes em vez de três, além de aperfeiçoar a tecnologia da década de 1960 para ser mais segura.

Orion é também o nome de uma constelação brilhante, batizada em alusão a um caçador da mitologia grega.

- A razão pela qual estamos fazendo tudo isso é que queremos ir a Marte - disse Pearson.

Mas uma viagem completa de ida e volta o planeta vermelho exigiria três anos - seis a nove meses para chegar lá, e grande parte do resto do tempo esperando que os planetas voltem a um alinhamento conveniente para o regresso à Terra.

- Ainda não estamos confiantes de que nossa tecnologia conseguirá durar três anos sem que coisas irreparáveis quebrem - disse Pearson.

Por isso, a Nasa pretende fazer várias viagens à Lua, uma viagem de apenas três dias. Cada visita durará seis meses, período em que os astronautas montarão um acampamento e praticarão as coisas que desejam fazer em Marte.

- Essa é realmente a meta - colocar humanos em Marte -, e ir à Lua é o nosso campo de testes para isso - explicou Pearson.

O projeto Port, de 2 milhões de dólares, vai avaliar se os tripulantes podem ser resgatados nas agitadas águas do Atlântico caso uma emergência faça o lançamento ser abortado. Para isso, será usado um modelo da Orion em tamanho natural, com oito toneladas.Fonte:Reuters

Nasa divulga imagens de erosão na superfície de Marte


Material apresenta modificações sazonais no planeta sofrendo sublimação, isto é, passando diretamente do estado sólido para o gasoso


A Nasa divulgou nesta segunda-feira uma imagem da erosão da camada de dióxido de carbono que recobre o planeta Marte. O material apresenta modificações sazonais no planeta sofrendo sublimação, ou seja, passando diretamente do estado sólido para o gasoso.

A região foi fotografada pela câmera que produz imagens em alta resolução para experimentos científicos da Nasa, a Hirise (High Resolution Imaging Science), instalada na sonda Mars Reconnaissance Orbiter.

A imagem mostra linhas com inúmeras ramificações que, segundo cientistas, são formadas por poeira que é deslocada da camada abaixo do gelo enquanto o gás evapora durante a sublimação.Fonte:NASA

terça-feira, 17 de março de 2009

Superobservatório "migra" para os EUA


Um dos detectores de raios cósmicos do Observatório Pierre Auger, que pode perder a capacidade de estar na linha de frente da ciência

Após ter destacado um grupo de brasileiros como protagonistas de uma das descobertas recentes mais importantes da física, o Observatório Pierre Auger, na Argentina, pode perder a capacidade de se manter na linha de frente da ciência. 


Em 2007, essa enorme rede de detectores nas planícies do Estado de Mendoza deu aos cientistas uma ideia mais clara sobre a origem dos misteriosos raios cósmicos de ultraenergia, partículas que bombardeiam a atmosfera da Terra.

O Auger é hoje uma colaboração de 17 países. Seus planos de ampliação, porém, preveem a instalação apenas de um segundo campo de detectores, nos EUA. E cientistas do sítio capitaneado pela ala latino-americana do grupo temem agora que o aparato na Argentina fique para trás na capacidade de gerar conhecimento inédito. 

Ocupando uma área de 3.000 km2 em Mendoza, o sítio Sul do Auger teve seu auge ao descobrir que raios cósmicos ultraenergéticos não são um fenômeno espalhado igualmente por todo o Universo. 

Eles vêm de lugares específicos, e os principais suspeitos são as galáxias com chamados núcleos ativos, onde a gravidade de buracos negros gigantes confere grande energia à matéria em volta. 

Dando sequência ao projeto original de observatórios nos dois hemisférios, a colaboração tem o projeto do sítio Norte quase pronto, e começou a corrida atrás de financiadores. Esse outro campo de detectores, no Colorado (EUA), terá sete vezes o tamanho do argentino. 

A disparidade de tamanho criou certa frustração nos cientistas alocados no sítio Sul da colaboração. Após terem conquistado seu lugar na física do século 21, temem que seu experimento se torne obsoleto frente ao grande irmão do norte. 

Na opinião de Angela Olinto, da Universidade de Chicago --que está no comando do sítio americano-- "se você pensar na ciência, o melhor é fazer [a ampliação] no Norte". Para ela, o sítio Sul deve se voltar a raios cósmicos mais fracos, enquanto o Norte ficará com os de altíssima energia: pouco estudados e mais próximos de render um estudo candidato ao Nobel. 

Rubén Squartini, físico que trabalha no sítio argentino, vê com desconfiança a diferença entre os dois observatórios. 

"Tenho uma percepção muito subjetiva: a de que depois que construam o Auger Norte, não vão dar dinheiro ao Sul", diz. 

Carlos Escobar, chefe do grupo brasileiro no sítio Sul, reconhece que o Norte é necessário ao grupo como um todo, mas, como Olinto, diz que Mendoza ainda tem algo a oferecer. 

"Temos que mostrar unidade, senão nenhuma instituição vai nos financiar", diz. Ele defende, porém, que uma parte dos US$ 120 milhões necessários ao sítio Norte siga para o Sul. Em vez de ter 21 mil km2, o Norte passaria a ter 18 mil km2 e o sítio da Argentina ficaria com mais 2.000 km2. 

Ronald Shellard, co-presidente do conselho da colaboração do Auger, diz que isso permitiria ao grupo produzir mais ciência de ponta enquanto o sítio Norte não fica pronto. 

Outra possibilidade de ampliar o Auger Sul sem construir novos detectores seria aumentar o espaço entre os instrumentos. A rede de 3.000 km2, passaria a ter 5.000 km2, estima Hans Klages, alemão integrante da colaboração. Fonte:Folha

Olinto diz que uma das prioridades é manter as novas gerações de doutores em física em atividade. "Eles precisam ter coisas novas para descobrir", afirma.


segunda-feira, 16 de março de 2009

Discovery parte para a Estação Espacial após um mês de atraso


O ônibus espacial Discovery decola com destino à Estação Espacial Internacional

O ônibus espacial Discovery decolou neste domingo com destino à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), após atraso de mais de um mês por problemas nos dutos de combustível. 


A nave ficará no espaço 13 dias, um menos que o previsto inicialmente, e seus tripulantes realizarão três caminhadas, em vez de quatro.
A Nasa se viu obrigada a adiar o lançamento da nave em cinco ocasiões, o que a forçou a cortar a duração da missão. Esses problemas também reduziram as caminhadas espaciais de quatro para três. 

O comandante Lee Archambault lidera uma tripulação de sete pessoas, que também inclui o astronauta japonês Koichi Wakata. 

Segundo a agência de prospecção espacial, os meteorologistas preveem 80% de condições aceitáveis para o lançamento hoje. 

A decisão de antecipar a decolagem para hoje foi anunciada neste sábado em entrevista coletiva, depois que a Nasa (agência espacial dos EUA) constatou o avanço dos consertos da avaria que tinha obrigado a atrasá-lo.Fonte:Efe

domingo, 15 de março de 2009

Plutão abriga efeito estufa e é quente no alto


Com um telescópio gigante, astrônomos descobriram que Plutão é quente no alto


Com uma técnica semelhante àquela que será usada pela Missão Kepler, um telescópio terrestre acaba de fazer a primeira observação da atmosfera de Plutão no nível da superfície. 

O planeta-anão, dizem os cientistas, apresenta efeito estufa e tem uma distribuição de temperatura que se parece com o inverso daquela que existe na Terra.
O ar de Plutão, carregado de gás metano, é 40°C mais quente que sua superfície, com congelantes -220°C. (Na Terra, o metano é um dos vilões do aquecimento global.) 

Os astrônomos descobriram também que, quanto mais alto se faz medidas na atmosfera do planeta-anão, mais a temperatura aumenta, ao contrário do perfil térmico terrestre. 

A descoberta foi possível porque o telescópio gigante do ESO (Observatório Europeu Austral), no Chile, flagrou momentos em que o planeta-anão passava na frente de estrelas que estavam ao fundo. Um novo espectrógrafo --aparelho que separa a luz em suas diversas frequências ("cores")-- conseguiu fazer medidas com precisão inédita.Fonte:Folha

Cientistas questionam existência do mais jovem planeta já descoberto


Cientistas e investigadores espanhóis suspeitam que o HL Tau b não seja planeta

Uma equipe internacional de cientistas, com participação de investigadores espanhóis, questionou a existência do planeta mais jovem já descoberto, o HL Tau b."Nossos novos dados sugerem que o HL Tau b existe, mas não é composto pelo mesmo material frio que forma os planetas, e sim por um material muito mais quente, parecido com o que se encontra na formação de estrelas", dizem os investigadores. 

Imagina-se que o HL Tau b tenha menos de 100 mil anos, o que o define como um jovem se comparado ao Sol, que tem 4,5 bilhões de anos, de acordo com a agência espacial norte-americana Nasa. 

As conclusões deste trabalho foram publicadas no ''The Astrophysical Journal Letters", como informou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).Fonte:Efe,Madrid,13-03-2009

Nasa finaliza reparos no ônibus espacial Discovery e prepara lançamento


Ônibus espacial Discovery aguarda lançamento na plataforma (Foto: Nasa)

Voo teria começado na quarta-feira, não fosse vazamento em tanque.
Agência tem confiança de que poderá fazer tentativa neste domingo.
A Nasa, agência espacial norte-americana, vai tentar novamente lançar neste domingo o ônibus espacial Discovery para uma missão à Estação Espacial Internacional, após ter feito reparos devido a um vazamento de combustível que provocou a prorrogação do envio da nave na semana passada.
O lançamento está previsto para as 20h43 (hora de Brasília), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.


Os engenheiros da Nasa instalaram novos lacres em uma válvula do tanque para resolver o problema que causou o atraso na primeira tentativa de lançamento, na quarta-feira, devido ao vazamento de gás hidrogênio do tanque de combustível do ônibus espacial.
O vazamento foi descoberto quando técnicos que trabalhavam na plataforma de lançamento começavam a encher o tanque do ônibus com 1,9 milhão de litros de hidrogênio líquido e oxigênio líquido.
O ônibus espacial deverá ficar duas semanas em órbita para entregar um jogo de painéis solares de 300 milhões de dólares e um novo destilador para o sistema de reciclagem de urina da estação.
Os painéis estão dentro de um módulo de 16 toneladas que irá completar a estrutura principal exterior de 11 segmentos da Estação Espacial Internacional.Fonte :Reuters

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Telescópios do Havaí detectam metano na atmosfera de Marte


Grande abismo em Marte, provavelmente escavado pela água; telescópios detectaram metano, de origem incerta, no planeta

Uma série de observações da atmosfera de Marte, feitas por três telescópios no Havaí, mostram uma vasta quantidade de metano --gás tipicamente envolvido em processos biológicos-- misturado com vapor-d'água durante o verão boreal. 

A Nasa afirma que não há evidência de que seres vivos estejam produzindo o metano (também produto de atividade vulcânica), mas diz que a mistura de gases é a notícia mais favorável à existência de vida no planeta vermelho até agora.
hoje da revista "Science", e os pesquisadores concederam uma entrevista coletiva para divulgar a notícia. 

"A questão que mais atrai está relacionada mesmo à origem do metano em Marte", afirma Michael Mumma, da Nasa (agência espacial norte-americana). 

Segundo o cientista, o gás, que é a molécula mais simples de carbono com hidrogênio, foi produzido por fontes existentes em áreas aquecidas no hemisfério Norte marciano. 

"Organismos vivos produzem mais de 90% do metano atmosférico da Terra; o resto é de origem geoquímica. Em Marte, o metano poderia ter a assinatura dessas duas origens." 

A atmosfera marciana é feita em sua maior parte de gás carbônico, monóxido de carbono, um pouco de oxigênio e vapor-d'água. Mas nenhum processo conhecido produz metano, e outros compostos na superfície poderiam desintegrá-lo. "A presença significativa de metano implica a liberação recente a partir de reservas subterrâneas", afirmam os cientistas. Mas, segundo eles, a fonte primária do gás é incerta. Ela pode ser ligada à vida ou não. 

Apagão em estrela dupla Eta Carinae



Astrônomo Augusto Damineli, em sala de controle do Soar; ele já estava em La Serena se preparando para o evento havia um mês.
Imagem mostra sistema da Eta Carinae; conforme previsto por pesquisador brasileiro, estrela sofreu um apagão nesta segunda



Às 3h35 da manhã (4h35 de Brasília) de segunda-feira em La Serena, no Chile, o astrônomo Augusto Damineli, 61, sentava-se na cadeira que permite controlar o telescópio Soar (Observatório do Sul para Pesquisa Astrofísica). Ansioso, testemunhou um fenômeno que poucos tiveram oportunidade de ver, ocorrido em Eta Carinae, uma estrela que ele estuda há 20 anos. Ontem, bem no dia em que Damineli havia previsto, a estrela sofreu um apagão. 

O prédio de controle do Soar, na verdade, fica a 80 km do equipamento, que está no topo de Cerro Pachón, a 2.701 metros de altitude. "Astrônomo não pode pôr muito a mão no telescópio", brinca o cientista brasileiro. Em La Serena, 475 km ao norte de Santiago, na beira do Pacífico, o observatório fica próximo de centros produtores de vinho e pescado. E, ontem, não faltou motivo para abrir uma garrafa.
Controle remoto 

"Patrício! A Eta Carinae." O pedido que parte de La Serena vai em direção ao astrônomo chileno Patrício Ugarte, que está no morro. Ele, sim, é quem pode pôr as mãos no telescópio. Segundos depois, é possível ver e ouvir a resposta (via teleconferência): "Pronto!". 

O espelho de 4,2 metros do Soar, a partir das coordenadas dadas por Ugarte, já está olhando para Eta Carinae. Damineli, com auxílio do também brasileiro Luciano Fraga, que há um ano e sete meses trocou Florianópolis pelo norte do Chile, faz as primeiras medições, via computador. 

Basta um único gráfico, que mostra a presença dos elementos químicos ferro e nitrogênio --medidos nos gases que circundam Eta Carinae-- para comprovar a previsão. "Chegou lá", comunica Damineli. A "assinatura" do apagão é uma diminuição na luminosidade de nitrogênio e hélio detectados pelo telescópio, que enxerga frequências de luz invisíveis ao olho humano. O apagão não é visível a olho nu, mas no Soar o sinal é mais do que claro. 

Cinco anos e meio 

O fenômeno, como havia sido previsto pelo próprio pesquisador brasileiro, voltou a ocorrer depois de 5,5 anos, dentro da margem de erro, que era de dois dias para mais ou para menos. "Isso que é precisão", Damineli diz à estrela que observa. "Se eu tiver uma neta, vou colocar o nome de Carina." 

Damineli explica que Eta Carinae, na verdade, não é uma estrela única, e sim um sistema com duas. Ontem, no céu, perto do Cruzeiro do Sul, a estrela Eta Carinae B estava no momento mais profundo de seu mergulho no campo de influência da estrela A, que possui 2,5 milhões de anos. 

Os gases e o plasma dessa estrela pertencente à classe das hipergigantes azuis são tão coesos que é possível dizer que uma estrela "entra" na outra. O que ocorre é uma colisão violenta de seus "ventos" --as partículas carregadas que as estrelas lançam a grandes velocidades no espaço. 

"Na área de choque dos ventos das duas estrelas, a temperatura é de 100 milhões de graus Celsius", explica Damineli. O vento da menor delas, de 3.000 km/s, bate no vento da maior, que trafega a 600 km/s. E esse "atrito" induz o apagão.
O registro do fenômeno ontem em La Serena --cidade onde nunca chove, mas fica nublada nas manhãs de verão-- é como "marcar um gol", diz Damineli. Ele já estava lá se preparando para o evento havia um mês. Na semana entre Natal e Ano Novo, subiu até o telescópio acompanhado apenas de um colega para fazer pessoalmente algumas observações. 

Ciência nas alturas 

"Lá em cima é muito bom", diz Damineli, revelando também o seu gosto pela astronomia romântica. Hoje, devido à tecnologia, boa parte dos equipamentos podem ser operados remotamente, de qualquer parte do mundo. "Não poderia perder a oportunidade de observar esse apagão." Sua presença lá era considerada importante, já que boa parte da biografia "quase acabada" de Eta Carinae saiu de estudos feitos por seu grupo, na USP (Universidade de São Paulo). 

A primeira observação que Damineli fez de Eta Carinae foi em 1989, no Brasil, onde não há nenhum telescópio --nem tempo bom-- como o Soar. Depois disso, Damineli assistiu a três apagões, com o de ontem. 

Ele quem primeiro defendeu o modelo de que Eta Carinae era um sistema duplo, e não uma única estrela. Além da previsão do ciclo exato de 5,5 anos para ocorrer o apagão. Sua teoria ainda não é unanimidade na comunidade de astrônomos, mas a observação de ontem deve lhe dar força. 

O apagão não é como um eclipse nem pode ser visto dentro da faixa de luz do visível. São apenas os canais de alta energia da estrela maior que somem. A presença do astro menor muito próximo do maior (a distância que normalmente é de 4,5 bilhões de quilômetros cai para 150 milhões de quilômetros) ofusca a energia que emana da Eta Carinae A. Damineli constatou isso por meio de sinais dentro da faixa do ultravioleta. 

Matéria da vida 

Eta Carinae, exótica por si só, chama a atenção dos cientistas há tempos. São publicados em todo mundo dois estudos por mês sobre a estrela. Mas há razões científicas importantes para estudar esse verdadeiro fóssil estelar --corpos celestes como esse existiam aos milhões nos primeiros 2 bilhões de anos do Universo, que hoje tem 13,7 bilhões de anos de idade. 

"Estrelas como a Eta Carinae são especialistas em produzir e liberar oxigênio. Essas estrelas são responsáveis pelo preenchimento de várias casas [elementos] da nossa tabela periódica", afirma Damineli. Estudar o coração da Eta Carinae e entender por completo como ele se expressa é conhecer mais sobre as condições químicas para o surgimento da vida. Ajudaria a entender por que a água, no Sistema Solar, é algo tão abundante. Para Damineli, "rastros de atividade biológica precisam ser procurados fora do Sistema Solar". 

Mesmo com o êxito de ontem, Damineli revela: "esse provavelmente foi meu último apagão. Agora, o resto será com os meus alunos". Sua próxima missão é bem mais ousada: "Temos dados suficientes para mostrar que o modelo atual da Via Láctea está errado", afirma. 

De um jeito ou de outro, mesmo que Damineli não volte ao Soar para observar Eta Carinae, o próximo apagão já tem data: o inverno de 2014.Fonte:Folha

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Europeus revelam robôs projetados para ir a Marte em 2015

Engenheiros da ESA (Agência Espacial Européia) revelaram com exclusividade à BBC dois veículos robóticos que estão sendo projetados para explorar a superfície de Marte em 2015.

Os veículos ainda em fase de testes, que receberam os nomes de Bruno e Bradley, têm seis rodas e são apontados como os mais robustos e mais fáceis de manobrar de sua categoria, informou o repórter da BBC News Pallab Ghosh.

De acordo com Chris Draper, gerente do projeto ExoMars da empresa aeroespacial britânica Astrium, a idéia é que o novo veículo robótico seja enviado a Marte e chegue a lugares aonde outros nunca conseguiram ir.

"Obviamente, os robôs americanos (que viajaram com as sondas Spirit e Opportunity) construídos pela Nasa tiveram grande sucesso --conseguiram viajar longas distâncias e ter uma vida útil mais longa que o planejado. Mas esperamos que, com nosso 'bebê', consigamos chegar ainda mais longe", afirmou.

Cada uma das seis rodas do veículo pode ser guiada separadamente. Ele pode ainda, diante de uma ladeira íngreme ou escorregadia, ancorar-se em cinco das seis "pernas" e avançar uma por uma, para superar obstáculos.

Navegação inteligente

Além disso, os protótipos possuem um sistema de navegação inteligente que lhes permite planejar sua própria rota --um mecanismo que pode se revelar crucial quando a máquina estiver se aproximando de uma situação perigosa, como um precipício.

Por causa da distância entre os dois planetas, uma ordem emitida da Terra pode levar até 20 minutos para chegar a Marte, o que impossibilita o envio de comandos instantâneos para mudar a direção do robô.

A ExoMars tem como missão principal procurar sinais de vida passada ou presente em Marte. Para tanto, terá de chegar a lugares que oferecem mais condição de vida e recolher material a até dois metros de profundidade no solo. As amostras serão analisadas por um laboratório a bordo.

Dotado da maior variedade de instrumentos científicos já transportada a Marte, o robô poderá submeter o material a um grande número de testes se houver indicação da existência de organismos.

Brasileiros descobrem que galáxias "aposentadas" se disfarçam de ativas

Galáxias que mostram serviço, mas que há muito tempo pararam de trabalhar, andam enganando astrônomos há mais de 25 anos, concluiu um grupo de brasileiros liderado pela francesa Grazyna Stasinska, do Observatório de Paris.

Uma galáxia que trabalha de verdade possui um suprimento grande de gás que pode ou se condensar, formando novas estrelas, ou espiralar, como água pelo ralo, para dentro dos buracos negros com massas milhões de vezes maiores que a do Sol que a maioria das galáxias têm em seus núcleos.

Os astrônomos são capazes de analisar a luz emitida pelo gás quente galáctico e distinguir as galáxias onde o gás é aquecido predominantemente por estrelas recém-nascidas.

Eles também conseguem distinguir algumas galáxias cujo gás interestelar é esquentado principalmente por um disco de gás ultraquente em volta do buraco negro central.

Asilo estelar

Existe um tipo duvidoso de galáxia, porém. Chamadas de Liners (sigla em inglês para regiões de emissão nuclear de baixa ionização), elas podem perfazer até metade das galáxias do Universo próximo. "Acredita-se que elas tenham um disco fraquinho", explica a astrônoma Thaisa Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que não participou do novo estudo. Este propõe uma nova explicação para a origem de parte das Liners.

De acordo com os pesquisadores, algumas Liners podem ser galáxias "aposentadas", que não têm mais gás para trabalhar e só têm estrelas velhas.

Que estrelas velhas, como as anãs brancas, aquecem o gás da galáxia de maneira muito semelhante à dos discos de buracos negros gigantes, já se sabe há mais de 25 anos.

O problema é que até agora não havia a quantidade de dados nem as ferramentas para analisar a luz das galáxias suficientes para testar a idéia.

"As galáxias aposentadas estavam no nosso nariz havia muito tempo, mas não as identificávamos", disse Roberto Cid Fernandes, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele é um dos autores do estudo, que será publicado em breve na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". "Achamos uma população [de galáxias] que esperávamos que existisse mas que estava esquecida", diz Fernandes.

Os pesquisadores usaram um programa de computador que Fernandes criou em 2005 para analisar imagens de mais de meio milhão de galáxias obtidas pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), um grande esforço de mapeamento do céu que usa um telescópio de 2,5 metros de diâmetro no sul dos EUA.

O software, chamado de "Starlight", analisou a luz de cada galáxia, separando a contribuição de suas estrelas por "faixa etária". "Se a galáxia tem gás para formar estrelas, ela possui estrelas muito jovens que produzem muita radiação ionizante que aquece o gás", explica Fernandes. A luz de uma galáxia cheia de estrelas jovens é muito diferente da luz de uma estrela com um buraco negro com um disco de gás quente.

"Uma galáxia pode ter estrelas velhas e jovens ao mesmo tempo, como a nossa. O Sol é uma estrela velha e temos estrelas jovens aqui por perto", explica Fernandes.

De acordo com Fernandes, as estrelas jovens ofuscam o brilho das estrelas velhas, que só podem ser vistas em uma galáxia onde só elas existem.

"O que o grupo do Cid descobriu foi que muitas das Liners são galáxias formadas predominantemente de estrelas velhas", explica Thaisa.

"Nessa população mais velha, há um tipo de estrela que pode dar origem a uma emissão parecida com a que é produzida quando o gás cai dentro do buraco negro do núcleo da galáxia." Isso faz parecer que a galáxia está em plena atividade, já que galáxias jovens e trabalhadoras lançam seu grande estoque de gás para dentro do seu também ativo buraco negro central.

Caso a caso

Apesar de a amostra do SDSS ser enorme se comparada com o conjunto de apenas 50 galáxias que os primeiros estudos sobre o tema analisaram, vale lembrar que o Universo possui algo em torno de 100 bilhões de galáxias.

Fernandes estima que o SDSS não registra pelo menos metade das galáxias "aposentadas", por sua luz ser fraca.

O astrônomo João Steiner, da Universidade de São Paulo, foi um dos primeiros a propor, em 1983, que alguns Liners fossem galáxias aquecidas pelos megaburacos negros em seus centros. Para Steiner a questão não está resolvida e cada caso é um caso. "As Liners não são uma população de galáxias heterogênea"; pode haver diversos fenômenos físicos produzindo essa mesma luz, diz.Fonte:Folha

Telescópio espacial faz mapa de buracos negros gigantes no Universo


Mapa do céu em raios gama divulgado por agência espacial; faixa brilhante no centro vem de emissões no plano da Via Láctea

Quem sente desconforto ao imaginar que o Universo é salpicado de megaburacos negros pode olhar a imagem à direita e entrar em pânico: boa parte dos pontos avermelhados no mapa são as adjacências de um desses monstros cósmicos.

O mapa, divulgado ontem, foi produzido pelo telescópio espacial Fermi, da Nasa. Ele mostra como é o Universo visto em raios gama, a radiação mais energética do espectro.
O Fermi (antes chamado Glast) foi lançado neste ano para investigar as fontes de raios gama existentes no cosmo. Os cientistas acreditam que essa radiação emane principalmente de núcleos de galáxias, habitados por buracos negros com massas milhões de vezes maiores que as do Sol.

O novo instrumento deve investigar, ainda, as misteriosas explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do Universo -provavelmente também ligados à atividade dos núcleos galácticos.

"Esses jatos têm muito a nos ensinar sobre aceleração de partículas", disse à Folha o físico brasiliense Eduardo do Couto e Silva, da Universidade de Stanford (EUA), vice-diretor do Centro de Operações Científicas do Glast/Fermi.

Segundo ele, o Fermi é tão bom que em quatro dias de operação conseguiu um mapa do céu em raios gama que seu antecessor, o Egret, levou um ano para fazer.

Outra vantagem do novo instrumento, diz, é poder observar uma mesma região do espaço repetidas vezes. "As fontes que emitem raios gama estão em constante mudança. Agora, poderemos ver como esses astros evoluem.

Objeto na Via Láctea pode explicar evolução dos magnetares


Astrônomos descobriram possível magnetar que emitiu 40 flashes de luz visíveis antes de desaparecer; objeto pode ser "elo perdido"

Cientistas espanhóis encontraram na Via Láctea um estranho objeto que poderia ser o "elo perdido" dos magnetares, um grupo de estrelas de nêutrons jovens com um campo magnético muito intenso.

O estudo, realizado por pesquisadores do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, analisa o comportamento "único" do objeto encontrado, que experimentou 40 erupções detectadas na categoria visível do espectro eletromagnético.
No espectro eletromagnético deles foram detectadas 40 erupções. A atividade durou apenas três dias e pôde ser observada a partir de vários observatórios astronômicos.

O pesquisador Alberto Castro Tirado afirma que os magnetares pertencem à categoria de estrelas de nêutrons ou pulsares (com massa original maior que a do Sol e fruto da explosão de uma supernova) e alguns se diferenciam por seu campo magnético.

Os magnetares objetos únicos, segundo Castro, com os campos magnéticos mais potentes do Universo, mas inativos durante décadas, daí que poucos sejam poucos conhecidos. Além disso, uma de suas erupções pode emitir tanta energia quanto o Sol ao longo de mil anos.

A família das estrelas de nêutrons está incompleta e, até agora, foi possível demonstrar que no extremo mais energético estão os magnetares, objetos jovens que, em alguns casos, são detectados por suas intensas e efêmeras emissões em raios gama.

No lado oposto, foram encontradas estrelas de nêutrons isoladas, objetos muito frágeis e velhos que emitem raios X com pouca intensidade, devendo existir milhões de magnetares mortos na galáxia.

Embora alguns cientistas já tenham apontado uma possível evolução dos magnetares para uma velhice tranqüila e débil, nunca havia sido detectado um objeto que pudesse se encaixar entre os dois estágios e provar assim esta evolução.

O comportamento do objeto encontrado confundiu em um primeiro momento os pesquisadores, já que as primeiras observações pareciam indicar que se tratava de uma explosão de raios gama produzida pela morte de uma estrela de uma galáxia distante.

No entanto, depois se comprovou que o objeto não só estava perto, na Via Láctea, mas também mostrava um comportamento diferente, afirmou o cientista.Fonte:Efe

Robô da Nasa parte para nova missão em Marte

Sonda Opportunity viajará dois anos até cratera Endeavour.
A agência espacial americana (Nasa) vai enviar sua sonda Opportunity em uma missão de dois anos para tentar chegar a uma cratera chamada Endeavour, em Marte.

Depois de alcançar a cratera Victoria, que tem quase um quilômetro de diâmetro, o robô terá de se mover cerca de 11 quilômetros para chegar até seu novo alvo, uma distância que vai dobrar o que a Opportunity já percorreu no planeta.

Segundo o repórter da BBC Stephen Jensen, a sonda já enviou ótimas imagens da cratera Victoria.
Durante o caminho até a Endeavour, a Opportunity vai continuar estudando as pedras da superfície de Marte, mas nos meses de inverno a sonda não poderá se mover, pois não há luz do Sol suficiente para gerar energia.

A sonda já coletou informações importantes a respeito da geologia do planeta, incluindo provas de que já existiu água em Marte.

Além das expectativas

A cratera Endeavour é muito maior do que qualquer outra investigação feita pelas sondas - tem 22 quilômetros de diâmetro - e vai ampliar os tipos de rochas estudadas.

As duas sondas de exploração de Marte, Opportunity e Spirit, chegaram em 2004 em uma missão que, inicialmente, deveria durar apenas três meses.

O desempenho dos dois robôs excedeu as expectativas de todos. No entanto, a Nasa admite que a nova missão da Endeavour será muito difícil.

"Podemos não chegar até lá, mas, cientificamente, é a coisa certa a fazer", disse Steve Squyres, da Universidade de Cornell, principal investigador para instrumentos científicos da Opportunity e da Spirit.
"A cratera é incrivelmente grande, comparada com tudo o que vimos antes."

A equipe da missão em Marte prevê que a Opportunity possa viajar cerca de 100 metros por dia, numa jornada que deve levar dois anos.

Imagens detalhadas do satélite Mars Reconaissance Orbiter vão ajudar a escolher a melhor rota para a sonda. E um novo programa recentemente carregado na Opportunity permitirá que o robô tome suas próprias decisões sobre como contornar rochas maiores que fiquem no caminho.

A sonda não terá de lidar com os problemas de movimentação já enfrentados pela Spirit, que teve um defeito em uma das rodas e agora se move apenas de marcha à ré.Fonte:G1

Sobe ao espaço com sucesso nave chinesa com três astronautas




Imagens da televisão estatal chinesa mostram momento da decolagem (Foto: AP/CCTV)

Lançamento marca terceira ida de tripulação da China ao espaço.
Missão Shenzhou 7 deve incluir primeira caminhada espacial do programa.
A China lançou com sucesso sua terceira -- e mais audaciosa -- missão tripulada. Depois de se tornar a terceira potência nacional a enviar gente ao espaço por seus próprios meios (depois de Rússia e EUA), os chineses agora pretendem realizar sua primeira caminhada espacial.

"Este vai ser um enorme passo adiante para a tecnologia aeroespacial do nosso país. Vocês certamente serão capazes de cumprir esse papel sagrado e glorioso. A pátria e seu povo esperam seu retorno triunfante", declarou o presidente chinês Hu Jintao à equipe de astronautas, pouco antes da partida.
A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.

Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.

A espaçonave Shenzhou 7 (nome que pode ser traduzido como "nave divina"), acoplada ao topo do foguete Chang Zheng 2F (em português, "longa marcha"), decolou da base de Jiuquan nesta quinta-feira (25). O sucesso da Shenzhou 7 é fundamental para a meta chinesa no sentido de construir uma estação espacial própria -- projeto que eles pretendem iniciar até 2020.

Pela primeira vez, um trio de taikonautas (como a imprensa internacional costuma chamar os viajantes espaciais chineses) viaja junto ao espaço. A equipe é composta por Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, todos com 42 anos. Embora todos pertençam ao exército chinês (como pilotos de caça), a China enfatiza que sua missão não terá objetivos militares.

Abertura


Os chineses começam a se abrir um pouco mais com relação a seu programa espacial tripulado. Tanto que houve um encontro da tripulação com a imprensa, na noite desta quarta-feira (24).

"A missão Shenzhou 7 marca um avanço histórico no programa tripulado chinês. É uma grande honra para nós três voar nessa missão, e estamos totalmente preparados para o desafio", disse Zhai Zhigang à imprensa, segundo a agência chinesa Xinhua. "Fui incluído na fase final de treinamentos três vezes, durante as missões Shenzhou 5, 6 e 7", afirmou, comemorando sua escalação para o vôo de 2008.

A inédita caminhada espacial a ser promovida por um dos três tripulantes -- ponto alto da missão -- deve ser transmitida ao vivo pela televisão chinesa.

Caso tudo dê certo, o astronauta escolhido para andar no espaço passará 40 minutos fora da espaçonave. É uma oportunidade para a China testar seus trajes espaciais e sua mobilidade -- elementos essenciais para a futura construção de uma estação.
O traje chinês, assim como a espaçonave, é fortemente baseado em tecnologia russa. A Shenzhou é uma versão aprimorada da Soyuz, nave usada há décadas pelos russos em seu programa espacial. As principais diferenças estão no módulo de experimentos, que é maior e tem mais funcionalidades na Shenzhou do que na Soyuz.

A nave chinesa também tem mais painéis solares e, portanto, mais eletricidade que sua contraparte russa.



Passos seguros


A China iniciou seu projeto de vôo espacial tripulado em 1999. Após quatro missões-teste, sem tripulação humana, em 2003 partia a nave Shenzhou 5, com Yang Liwei -- o primeiro ser humano colocado no espaço pela China.

Uma segunda missão veio em 2005, quando os astronautas Fei Junlong e Nie Haisheng passaram cinco dias no espaço, a bordo da Shenzhou 6. O vôo confirmou a durabilidade e confiabilidade da espaçonave.

Agora, vem o primeiro vôo com a capacidade máxima a bordo -- três tripulantes -- e com uma caminhada espacial nos planos.
Na foto:Já com traje espacial, trio se dirige para a Shenzhou (Foto: AP/Xinhua)
e sem o traje espacial.Fonte:G1

Eta Carina - uma Estrela em Agonia


Eta Carina numa composição de imagens dos telescópios Chandra [raios X] e Hubble [óptico].Figura

Astrônomo brasileiro comenta notícia publicada na Nature, em 11 de setembro de 2008, sobre a morte anunciada da mais luminosa estrela da Via Láctea.

O astrônomo Natahn Smith da Universidade da California em Berkeley anuncia evidências de que a estrela luminosa azul eta Carina está já em processo de morte. O evento ocorrido em 1843, quando a estrela foi vista em pleno dia não foi uma erupção, mas a primeira de uma série de explosões nucleares que precedem a explosão final da estrela que acontecerá em breve ─ numa escala de décadas a séculos.

Até hoje se imaginava que grandes estrelas, com massa maior que 10 vezes a do Sol terminavam sua vida numa grande explosão, denominada de supernova ─ um único evento que libera a energia que o Sol emitirá ao longo toda sua vida de 10 bilhões de anos, ou seja, o equivalente a quarenta bilhões de magatons a cada segundo.

A novidade é que estrelas supermassivas como eta Carina parecem sofrer uma série de explosões nucleares preliminares, antes da explosão final. São como "ataques cardíacos" em que ocorre explosão nuclear parcial do núcleo. Numa oscilação instável, são criados pares de partículas e anti-partículas que detonam parcialmente o núcleo da estrela. No entanto, este volta a se recompor, mas instabilidades fazem o fenômeno acontecer repetidamente até que o núcleo central inteiro explode, brilhando mais que uma centena de galáxias como a nossa. São as chamadas explosões de hipernovas, como a 2006gy, observada em 2006. Nesse caso, antes da explosão final, a estrela havia passado dez anos antes por uma erupção como a que eta Carina teve há dois séculos atrás.

Até há pouco tempo, se imaginava que a grande erupção de eta Carina tivesse sido um fenômeno periférico, ocorrido próximo à superfície da estrela. Uma espécie de "doença de pele devido ao estágio senil da estrela". Mas os dados de N. Smith, obtidos com o telescópio Gemini Sul ─ localizado em Cerro Pachón, no Chile ─ mostram duas evidências de que se tratou de uma verdadeira explosão. Por um lado, Smith mediu a massa do Homúnculo ─ nebulosas ejetada pela estrela a 650 km/s ─ obtendo o valor de 12 massas solares, o que exigiria uma potência igual à de uma supernova comum. Por outro lado, ele encontrou bolsões de gás ejetados com velocidades de até 4000 km/s, que não podem ser emitidos por estrelas tão frias como eta Carina (15000 K). Smith mostra que esse gás não vem da estrela secundária ─ invisível e muito mais quente (37000K) ─ proposta em 1997 por Damineli, Conti e Lopes, pois sua composição química é a mesma da estrela principal, mais luminosa.

Quando ocorrerá a gigantesca explosão que destacará a Via Láctea dentre todas as outras do Universo local? Bem, eta Carina já exibiu duas outras grandes explosões, uma em 1890 e outra entre 500 e 1000 anos atrás. A próxima pode ser a derradeira e pode acontecer nas próximas décadas, séculos, ou no máximo, em um milênio!

Por :Augusto Damineli É chefe do departamento de astronomia do Instituto Astronômico, Geofísico e de Ciências Atmosféricas (IAG-USP), é o representante brasileiro da IAU para as comemorações do Ano Internacional da Astronomia

Estrelas supermassivas sinalizam buracos negros


Nuvens de gás orbitando buracos negros sobrevivem por tempo suficiente para formar estrelas

Pesquisadores relatam ter descoberto como um aglomerado de estrelas massivas no centro da Via Láctea, a poucos trilhões de quilômetros de um buraco negro supermassivo.

Esse grupo de estrelas ─ cerca de 100 delas, dispostas em um disco alongado ─ desafia teorias de formação de estrelas que prevêem sua formação quando nuvens de hidrogênio coalescem sob a ação de sua força gravitacional.

A gravidade nas proximidades de um buraco negro supermassivo ─ com milhões de vezes a massa do Sol ─ deveria ter estraçalhado essa nuvem como uma gota de tinta num batedor de ovos, antes que tivesse a oportunidade de formar estrelas.

Para tentar resolver esse mistério, pesquisadores da University of St. Andrew e da University of Edinburgh, ambas na Escócia, simularam o destino de uma nuvem de hidrogênio com 10.000 massas solares que, de repente, flutuou nas proximidades de um buraco negro. Verificou-se que, embora uma boa parte da nuvem tivesse sido ejetada (ver imagem), ondas de choque e outras turbulências teriam extinguido um décimo do seu momento angular interno, fazendo com que ela entrasse em órbita ao redor do buraco negro, durante um período suficiente para permitir a formação de estrelas.

Buraco negro envolvido por disco de gás hidrogênio (vermelho) em simulação que mostra como estrelas se formam em torno do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.Veja a figura

Resultados publicados na revista Science explicam porque todas as estrelas observadas são muito mais massivas que o Sol, enquanto que estrelas que se formam em outras regiões do espaço, normalmente têm tamanhos diferentes: a compressão pelo buraco negro aquece o gás e só uma grande massa de gás teria a gravidade necessária para vencer sua própria expansão e colapsar gerando uma estrela.

Pesquisadores não estão certos sobre o que fazer com essas estrelas, que acreditam ter cerca de seis milhões de anos. São muito jovens para terem se formado a grandes distâncias do buraco negro e espiralado em sua direção, comenta Ian Bonnell , autor do estudo e astrofísico de St. Andrews. “Elas realmente não deveriam estar lá, a menos que tivessem se formado nesse local”.

As descobertas coincidem com outras simulações indicando que grandes estrelas tendem a se formar em torno de buracos negros, muito embora haja divergências em relação aos detalhes, avalia Reinhard Genzel, diretor do Instituto Max Plank para Física Extraterrestre, em Garching, Alemanha.

O que as simulações ainda não explicam é a origem de cerca de 25 estrelas massivas distribuídas aleatoriamente ─ ainda mais para dentro do núcleo galáctico ─ que fornecem evidências importantes sobre o buraco negro da Via Láctea.

Suspeita-se que possam ser remanescentes de sistemas binários de estrelas que vagavam pelas proximidades do buraco negro e foram separadas violentamente, sendo uma delas ejetadas para fora da Via Láctea e a outra permanecendo em torno do buraco negro. “Por mais maluca que possa parecer, essa é a opção mais provável” conclui Genzel.Por Scientific American