sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Gigante Vermelha Gerou Espiral de Matéria e Gás
O Observatório Europeu do Sul (ESO) descobriu uma estrutura espiral de gás totalmente inesperada ao redor da estrela gigante vermelha, a R Sculptoris. Essa é a primeira vez que os astrônomos encontram uma composição dessas ao redor de uma estrela com essas características.
A R Sculptoris é considerada uma estrela que libera gases que ajudam na criação de objetos celestes. Os astrônomos encontraram o espiral ao analisar uma imagem que foi captada por cientistas graças ao Telescópio ALMA.
Ele fica na região do Atacama, no norte do Chile. O telesócpio ainda está em construção, mas até 2013 terá 66 antenas ao longo de 16 quilômetros funcionando como um único equipamento.
A descoberta pode indicar a provável existência de uma segunda estrela em órbita da primeira estrela. Porém, ela nunca tinha sido observada antes.
Os astrônomos também ficaram surpresos por uma estrela gigante vermelha ejetar muito mais material do que o esperado. Por liberar muita matéria, essas estrelas contribuem para a poeira e gás que constituem a matéria-prima na formação de futuras gerações de estrelas, sistemas planetários e até mesmo a vida.
A R Sculptoris pode ter perdido o equivalente a três vezes a massa de Júpter durante longo pulso térmico
Conforme envelhecem, estrelas trocam de pele lançando camadas de poeira e gás no espaço
Um novo olhar sobre a camada ao redor de um tipo de estrela em envelhecimento, chamada de gigante vermelha, mostra que o casco ejetado pela estrela carrega a impressão de sua formação e subsequente evolução, em sua estrutura.
Matthias Maercker do Observatório Europeu do Sul e da Universidade de Bonn, na Alemanha, e seus colegas, miraram a R Sculptoris, uma gigante vermelha na constelação Sculptor, ao sul, com o Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array (ALMA). O complexo de radiotelescópios já está produzindo ciência, apesar de ainda estar em construção na grande altitude do Deserto do Atacama, no Chile. O ALMA consistirá de 50 antenas parabólicas bem espaçadas, cada uma com 12 metros de diâmetro, além de um agrupamento compacto de 16 pratos adicionais. No mês passado, 40 das 66 antenas planejadas já tinham entrado em funcionamento. Dados dessa miríade de pratos podem ser combinados por um equipamento computadorizado para fornecer uma única radioimagem de alta resolução de um objeto astronômico.
A observação no ALMA revelou que a camada ao redor da R Sculptoris não é esférica, como se supunha, mas que foi torcida em uma espiral, como mostra a visualização acima. Acredita-se que essa estrutura espiral marque a presença de uma companheira estelar; dessa forma, agora parece que a R Sculptoris tem uma parceira binária que ainda não foi observada. Maercker e seus colegas publicaram os resultados de suas observações no volume de 11 de outubro da Nature. (Scientific American é parte do Nature Publishing Group).
Os pesquisadores também puderam inferir um cronograma para a criação da camada, a partir de sua estrutura. A R Sculptoris parece ter ejetado material em uma espécie de convulsão estelar chamada de pulso térmico cerca de 1800 anos atrás. O pulso térmico durou aproximadamente 200 anos, concluíram Maercker e seus colegas. Durante esse tempo a estrela expulsou poeira e gás em quantidade equivalente a mais ou menos três vezes a massa de Júpiter.
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