terça-feira, 15 de maio de 2007

Terrenos na Lua




Você está interessado em comprar um terreno na Lua?

Se for o caso, faça contato com um esperto corretor de imóveis de Nevada, nos Estados Unidos, um certo Denis Hope, que viabiliza o negócio. Mas não tenha muita certeza de que vá receber sua propriedade sem maiores problemas, mesmo que esteja economizando para conhecer suas terras numa dessas viagens previstas para transporte de turistas lunares.

E, desde já, considere que suas prováveis dificuldades para tomar posse legal do terreno não será uma experiência inédita. Um brasileiro comprou da agência espacial norte-americana, a Nasa, um dos jipes utilizados pelo programa Apollo há alguns anos e até agora não teve como retirar o veículo do seu amplo estacionamento, na face visível do satélite.
Mais que isso: se um dia ele ou um de seus descendentes -eventualmente embarcado na mesma viagem que você está esperando -- quiser tomar posse do que lhe pertence, certamente terá problemas burocráticos. Possivelmente um grupo de pessoas, ou mesmo uma instituição como a Nasa, irá argumentar que um jipe que integrou a missão Apollo não é um veículo qualquer e, nesta condição, deve ir para um museu. Talvez um museu lunar. Assim seu proprietário formal nunca poderá tomar posse dele.

Estelionato é o termo técnico que os advogados empregam para caracterizar uma venda em que o vendedor não está disposto ou não tem como fazer a entrega do bem que negociou.

O esperto Hope, no entanto, está tirando partido de uma imprecisão no tratado firmado pelas Nações Unidas sobre espaço, de 1967. O tratado diz que a Lua e os demais corpos celestes pertencem a toda a humanidade. Se pertencem a todos não é de ninguém em particular – para certo de raciocínio -- e assim o corretor vai enchendo seu cofre de dinheiro. Já teria ganhado uns US$ 9 milhões até agora – quase R$ 20 milhões, uma mega-sena bem convidativa – vendendo terrenos na Lua.

A jogada do Hope pode ser típica de um espertalhão, mas talvez possa não estar longe o dia em que os terrenos lunares de fato serão negociados, possivelmente por um análogo da ONU, uma espécie de Federação, para tratar de questões relacionadas ao Sistema Solar.

Desde já é possível fazer algumas considerações gerais sobre como o território lunar será dividido.
As grandes redes de hotéis – as cadeias Hilton e Marriot já compraram terrenos na Lua, segundo a versão de Hope – deverão construir seus abrigos lunares na face visível. De lá será possível observar a Terra, inclusive nas suas diferentes fases – crescente, cheia, decrescente e nova. Imagine o leitor a beleza de uma Terra Cheia, observada da Lua. Um viajante futuro poderá ler um livro iluminado pela luz refletida pela Terra, amplificada por sua atmosfera.

Os mais gordinhos adorarão viajar para a Lua. Lá, as balanças irão registrar apenas um sexto do que mostrariam na Terra. Alguns esportistas também curtirão uma viagem lunar. Imagine o que pode ser o recorde de arremesso de discos ou salto com varas na superfície da Lua!

Para o lado oculto deverão ser direcionados os observatórios astronômicos destinados a investigar o espaço profundo, livre de radio-ruídos e outras interferências da Terra.

Muita gente ainda se refere ao lado oculto como o lado escuro da Lua, o que não é verdade. Como mostrou uma das pérolas da história do rock, o disco Dark side of the moon, da banda inglesa Pink Floyd, “não existe um lado escuro da Lua”.

Controvérsias No Universo

A notícia desta semana do encontro de um planeta com características semelhantes à Terra em torno da estrela Gliese 581, a uns 20 anos-luz do Sistema Solar, na constelação de Lira, não deixa de ser um alento para os chamados pluralistas. Ainda que seja cedo demais para qualquer especulação mais consistente sua sobre possível habitalidade.

Pluralistas são, ao menos desde os anos 60, os defensores da idéia de que não somos a única espécie inteligente no Universo. Carl Edward Sagan (1934-1996) astrônomo e divulgador de ciência foi um dos representantes mais ativos desse grupo.
Em oposição aos pluralistas estão os singularistas, com abordagem pessimista ao menos quanto à possibilidade de termos companhia cósmica. O físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) notabilizou-se com um representante desse segundo grupo a partir de uma pergunta que ficou famosa: “onde estão todos os outros?”, referindo-se à existência de possíveis civilizações alienígenas.


Para os exobiólogos, pesquisadores de vida fora da Terra, o encontro de microorganismos em Marte ou na lua Titã, de Saturno, seria uma recompensa mais que gratificante para uma busca que se consolidou especialmente com a astronáutica e a possibilidade de enviar sondas automáticas a outros mundos do Sistema Solar.

A população de forma geral, no entanto, quando ouve falar de “habitabilidade” pensa quase sempre na possibilidade de formas de vida inteligente.
A verdade é que esta questão é quase sempre mais complexa que estamos dispostos a acreditar. O que não leva, necessariamente, a pensar que sejamos as únicas espécie inteligente do cosmos e, neste sentido, integrarmos o singularismo.
Marte talvez seja um exemplo razoável para estas considerações.

Marte também está na zona de habitabilidade – provavelmente com a água em seus três estados ainda hoje, e não há mais dúvida de que ela cobriu a superfície desse mundo no passado.


Apesar de ser o mundo mais receptivo do Sistema Solar, depois da Terra, Marte não abriga uma civilização como se chegou a pensar, ingenuamente, até início do século 20.


Os eventuais contatos entre possíveis civilizações da Galáxia, ainda que não impossíveis – não existem razões intransponíveis para isso – também não são nada triviais.


Distâncias, padrões tecnológicos e até mesmo formas completamente distintas de vida podem ser alguns dos obstáculos para uma pergunta cósmica que se iniciaria com um “alô, tem aqui aí?”, seguido de uma resposta como “sim, estamos aqui”.


Mais de um escritor, no entanto, já garantiu que a realidade é mais rica que a ficção.

A detecção de uma civilização alienígena talvez ainda demore séculos ou eventualmente nunca venha a acontecer, até o ponto de desistirmos e nos conformamos com nossa imensa solidão entre as estrelas.


Mas isso não significa que não possa ocorrer, caracterizando o que seria a maior conquista da história da ciência.
Argumentos razoáveis existem dos dois lados, tanto de pluralistas quanto singularistas.
O problema é que nem sempre argumentos razoáveis dão conta da realidade.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

17 anos de Hubble!!!!


Amanhã, terça-feira, dia 24 de abril, o Hubble completa 17 anos de idade! Vai ter velinha, bolo e champanhe lá no instituto do Hubble em Baltimore e eu, claro, não vou perder esta.
Quem diria que ele chegaria a esta idade e continuando a revolucionar a astronomia? Logo no começo quando produzia imagens fora de foco ele foi considerado um dos maiores fiascos da astronomia. O telescópio que tinha custado mais de US$ 1 bilhão estava prestes a virar sucata espacial. Mas a Nasa respirou fundo e decidiu investir e consertar a barberagem que ela mesmo havia causado. Foi tentando economizar nos testes que eles erraram e não detectaram uma falha no espelho que era 1 micron mais plano do que deveria ser.

17 anos depois, ele continua a nos deixar boquiabertos com a beleza do universo. Mas foram mais de US$ 4 bilhões de investimento e atualmente o telescópio funciona precariamente por falta de manutenção. Depois de muito debate e muito lobby no congresso, no ano passado a Nasa decidiu que mandará uma missão do ônibus espacial para substituir alguns dos instrumentos e fazer a manutenção necessária para mante-lo saudavel pelo menos por mais uns 5 anos pela frente. Temos apenas que ser pacientes porque a fila para pegar o ônibus
é longa, e torcer para o telescópio continue funcionando mesmo que precariamente.

O Hubble foi inicialmente planejado para operar por 15 anos (até 2005).



Das inúmeras imagens já tiradas, selecionei as que a meu ver são as de maior impacto na astronomia. Claro que estou deixando de fora centenas de outras imagens, mas estas já devem dar um gostinho da potência e importância do Hubble. Vou colocar links diretos, não desanime porque os textos estão em inglês, a maioria das imagens não necessitam tradução, falam por elas mesmas. Clique e comece a sonhar, se transporte ao infinito. Deixe o seu comentário aqui no blog dizendo qual a sua imagem favorita e se ela consta da minha seleção ou não! Boa Viagem!!


- Eta Carina, uma estrela à beira da morte http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/09/image/a

- Os detalhes do ambiente onde as estrelas nascem e como elas morrem http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1995/44/ http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2004/27/image/a

- A detecção de galáxias primordiais nos confins do Universo http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/52/

- As imagens profundas revelando como galáxias evoluem http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1996/01/

- Uma estimativa mais precisa da idade, tamanho, e evolução do Universo http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2004/07

- O acompanhamento ao vivo da colisão entre o Cometa Shoemaker-Levy e o planeta Júpiter http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1995/15/

- O monitoramento das condições meteorólogicas em outros planetas do sistema solar. http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1997/15/

- A detecção de vários discos proto-planetários ao redor de estrelas http://www.seds.org/hst/OrionProplyds.html

- A revelação de que os objetos conhecidos como quasares habitam galáxias http://hubblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/1994/16/

- As evidências de que buracos negros supermassivos habitam núcleos de galáxias.http://csep10.phys.utk.edu/astr162/lect/active/smblack.html

Achado primeiro planeta extra-solar habitável



Situado a 20,5 anos-luz do Sol, Gliese 851c teria condições de abrigar água líquida em sua superfície

Situada a 20,5 anos-luz do Sistema Solar, a Gliese 581 é uma das cem estrelas mais próximas do Sol (foto: Digital Sky Survey).

Representação artística do sistema planetário em órbita da estrela Gliese 581. No primeiro plano, o planeta extra-solar recém-descoberto, capaz de ter água líquida em sua superfície (arte: ESO).

Um planeta parecido com a Terra, possivelmente com condições de abrigar vida, foi descoberto por astrônomos europeus. Com cinco vezes a massa da Terra e o raio 50% maior que o de nosso planeta, Gliese 851c é o menor planeta extra-solar já encontrado. Sua temperatura média foi estimada entre 0 e 40ºC, o suficiente para abrigar água líquida em sua superfície.

O planeta percorre uma órbita de 13 dias em torno da estrela Gliese 851, uma anã-vermelha situada a 20,5 anos-luz do Sistema Solar, na constelação de Libra. A distância entre os dois astros é 14 vezes menor que aquela que separa a Terra do Sol. Ainda assim o planeta está situado em uma região habitável, já que Gliese 581 tem um terço da massa do Sol e uma luminosidade 50 vezes menor.

A superfície do planeta deve ser rochosa ou coberta por oceanos, de acordo com modelos usados pela equipe de Stéphane Udry, do Observatório de Genebra (Suíça), responsável pela descoberta. Os pesquisadores submeteram um artigo que descreve o novo astro para publicação na revista Astronomy and Astrophysics .

Gliese 851c foi identificado por um aparelho acoplado a um telescópio do Observatório do Sul da Europa situado no Chile. “O instrumento mede variações na velocidade radial da estrela provocadas pela atração gravitacional que o planeta exerce sobre ela”, explica à CH On-line Thierry Forveille, astrônomo do Observatório de Grenoble (França) e co-autor do estudo. “O método é o mesmo usado na descoberta da maior parte dos planetas extra-solares, mas os avanços na precisão das medições têm permitido encontrar planetas de massa menor.”


Sistema com três planetas
A mesma equipe havia identificado há dois anos um outro planeta na órbita da Gliese 851, com massa 15 vezes maior que a da Terra, similar à de Netuno. Novas medições acabaram mostrando que havia mais dois planetas no sistema – além do Gliese 851c, o grupo descreve no mesmo artigo um terceiro planeta, com massa oito vezes maior que a da Terra.

A equipe espera confirmar em breve que há água líquida na superfície do novo astro. “Se tivemos sorte, a orientação da órbita de Gliese 851c permitirá que comparemos a luz da estrela quando o planeta está diante e atrás dela. Com isso, poderemos isolar a luz do planeta e, assim, identificar assinaturas específicas da sua atmosfera e da água em particular”, conta Forveille.

O francês reconhece, no entanto, que a probabilidade de que o grupo tenha essa sorte é de apenas alguns pontos percentuais. “Caso isso seja impossível, teremos que esperar o desenvolvimento de instrumentos e satélites que permitam analisar sinais fracos ao lado de sinais muito mais brilhantes, o que pode demorar mais alguns anos.”


Ossos para Marte




Regime atual de exercícios da ISS não manteria a resistência óssea adequada para astronautas viajarem em segurança com gravidade zero para lugares distantes.


O regime atual de exercícios da Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) não manteria a resistência óssea adequada para os astronautas viajarem em segurança com gravidade zero para lugares distantes como Marte. De acordo com pesquisa médica recente organizada por Thomas F. Lang, da University of California em São Francisco, tripulantes da ISS perdem tanta densidade óssea por mês quanto a maioria das mulheres depois da menopausa perdem por ano. Depois de um vôo para Marte, astronautas poderiam se tornar vulneráveis a fraturas.

Mas toda a esperança pela exploração espacial de longa distância não está perdida, avalia a cientista do programa ISS, Julie Robinson, que apresentou os dados de Lang em 8 de janeiro, no encontro do American Institute of Aeronautics and Astronautics, em Reno, Nevada.

Robinson diz que as cintas usadas para fixar a tripulação da ISS às esteiras de exercícios, simulando a ação da gravidade, serão redesenhadas para aplicar maior tensão, sem causar desconforto. A Nasa também avaliará o benefício das medicações para o fortalecimento dos ossos. “Esse problema tem solução”, diz Robinson.


COROT inicia busca de planetas extra-solares




Programa que tem participação brasileira estimula segunda geração de projetos para identificação de mundos como a Terra.

Concepção Artística de um exoplaneta orbitando uma das bilhões de estrelas da Via Láctea: desejo é encontrar mundos como a Terra

Em órbita polar, telescópio Corot perscrutará até 100 mil estrelas na busca de um mundo que, como a Terra, também possa abrigar a vida


Desde o início de fevereiro, informações coletadas pelo telescópio orbital Corot são utilizadas para pesquisa envolvendo dinâmica estelar e a busca de exoplanetas. Em seguida à conclusão dos primeiros ajustes, o telescópio já rendeu os primeiros resultados científicos e deu ao Brasil a perspectiva de participar de programas mais ousados.

Com o sucesso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na recepção de dados do Corot – a partir de 12 de janeiro, na base de lançamento de Alcântara, no Maranhão – pesquisadores tiveram receptividade para inserir o Brasil no pré-projeto do satélite Platão, previsto para ser lançado a partir de 2015. “Depois de alguns papéis em programas de recepção por satélite, ganhamos status por entrar no topo de uma área de pesquisa. E isso abre possibilidades de novas colaborações técnicas e científicas”, comemora o astrônomo Eduardo Janot Pacheco, presidente do comitê Corot-Brasil.

Desenvolvido pelo mesmo grupo do Corot – França, Alemanha, Itália e Bélgica, e sob liderança da Agência Espacial Européia (Esa) – o projeto Platão deve lançar um telescópio para estudos físicos de exoplanetas, que agora estão sendo procurados pelo Corot. Será um avanço qualitativo. Enquanto o Corot dispõe de telescópio de 27 cm de diâmetro, o Platão deve ter um equipamento de pelo menos 2 metros. O instrumento vai operar na luz visível e ultravioleta, além de registrar atividade eletromagnética, com um módulo de interferômetro.

Os principais objetivos do Corot são identificar exoplanetas – ao passarem à frente de suas estrelas-mães – e estudar a dinâmica estelar por meio da astro-sismologia. A partir da freqüência das ondas vistas na superfície da estrela, obtidas com variações de brilho, temperatura, efeito Doppler ou outros sinais, é possível deduzir a estrutura e comportamento interior.

O telescópio deve observar dezenas de estrelas semelhantes ao Sol, com idades inferiores, próximas ou mais avançadas. “É uma área essencial de pesquisa, levando em conta nossa dependência solar”, diz Janot Pacheco. Ele aponta a redução de temperatura que ocorreu na Terra na segunda metade do século 17, relacionada ao Sol. Esta alteração, que provavelmente foi de cerca de 2ºC, trouxe menor produtividade agrícola e fome.

Primeiros resultados
O primeiro emprego científico dos dados do telescópio foi o mapeamento da forma e intensidade da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, elaborado por Leonardo Pinheiro da Silva, da Escola Politécnica da USP. A anomalia é uma diminuição do campo magnético terrestre, sobre a região Sul do Brasil, caracterizada pela incidência de partículas solares, com freqüência responsável por falhas nas telecomunicações por satélite nesta região. Silva, um dos cinco engenheiros brasileiros envolvidos com o programa, usou dados obtidos de nove passagens do Corot sobre o Brasil, nas primeiras recepções, para o mapeamento.

Com órbita polar, o telescópio Corot dá uma volta na Terra a cada 100 minutos. Mesmo que nem todas as órbitas passem sobre o Brasil, o Corot sobrevoa a área de recepção de Alcântara várias vezes ao dia. O Corot tem capacidade reduzida de armazenamento de dados, e precisa “descarregar” suas informações com freqüência. Para isso dispõe de bases no Ártico e na Europa (Viena, na Áustria). O uso da base de Alcântara permitiu um aumento no número de estrelas observadas de 70 mil para 100 mil, e esta é uma das potencialidades do Brasil em projetos deste tipo.

Em função da participação no programa, outro engenheiro, Vanderlei Cunha Parro, criou um centro de estudos de softwares para satélites no Instituto Mauá de Tecnologia. Além do uso nos satélites, esses programas são utilizados em aplicações ininterruptas, de alta confiabilidade, de aeronáutica a siderurgia.

Além das pesquisas relacionadas à astro-sismologia e à busca de exoplanetas, o Corot também selecionou projetos paralelos. No Inpe, em São José dos Campos, Walter González lidera um estudo das emissões de ondas de rádio por planetas, caso de Júpiter, em interação com partículas emitidas pelo Sol, o vento solar. Os elétrons do vento solar atingem o campo magnético jupiteriano em cerca de dez dias e mergulham em espiral, emitindo ondas de rádio. Em exoplanetas, há possibilidades de recepções muito mais intensas, devido à maior proximidade desses corpos com suas estrelas-mães. “Nesta área ocorrem muitas surpresas. Às vezes temos boas teorias, mas as medições podem dar resultados diferentes”, diz Francisco Jablonsky, também envolvido com o projeto.

O grupo brasileiro deve utilizar o Corot para prever interações de ventos estelares e exoplanetas. As emissões identificadas, a partir das alterações ópticas nas estrelas, orientarão o direcionamento de radiotelescópios, na Índia, para investigar a interação com planetas já identificados. Os pesquisadores brasileiros trabalham em cooperação com equipes do Giant Meter Radio Telescope (GMRT), na Índia.

Eclipses estelares
Adriana Silva, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, utiliza as imagens do telescópio para estudar manchas estelares, tirando partido da passagem de planetas à frente das estrelas. Outros grupos estão envolvidos com os eclipses estelares causados por sistemas planetários em formação, com estudos detalhados da rotação de estrelas parecidas com o Sol e sua pulsação, entre outros.

Pesquisas brasileiras na área de exobiologia também devem beneficiar-se das descobertas do Corot, embora não estejam ligadas diretamente ao programa. A partir da detecção de planetas semelhantes à Terra, os pesquisadores poderão identificar os que possuem atmosfera e estudar a composição em busca de traços de vida. “O Corot fará a seleção de alvos para trabalhos futuros, com o auxílio de telescópios como o Keppler, Darwin e TPF, previstos para serem lançados a partir de 2008”, diz Carlos Alexandre Wuensche, pesquisador da área de astrofísica do Inpe. O Brasil tem cinco pesquisadores co-investigadores do Corot, com direito a acessar e analisar informações levantadas pelo telescópio.

Foguete confiável
O Corot foi lançado por um foguete russo Soyuz 2-1B, da base de Baikonur, no Cazaquistão, em 27 de dezembro passado. Embora a França seja a líder do projeto e disponha da base de Kourou, na Guiana Francesa, a escolha do sistema russo ocorreu por razões técnicas e de mercado. O Corot tem apenas 600 kg, carga leve para os foguetes franceses Ariane 5, que operam em Korou.
Além disso, acordos anteriores entre franceses e russos permitiram que o Corot fosse lançado por cerca de US$ 18 milhões, enquanto lançamentos como este custam entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. “Ainda poderíamos ter lançado da Índia, com custos menores, mas a alta confiabilidade do foguete russo definiu esta opção.

O telescópio Corot iniciou suas observações científicas em 3 de fevereiro e até 3 de abril deve se voltar para a direção contrária ao centro da Galáxia, região rica em estrelas. Neste primeiro momento, o objetivo é encontrar exoplanetas com períodos de translação entre 10 e 18 dias, faixa em que não existem exemplos conhecidos. Após esta data, o telescópio irá se voltar para as regiões do Escudo e Cauda da Serpente, na direção do centro galáctico, e do Unicórnio, no sentido oposto. Ele fará este movimento alternado a cada seis meses.

Ainda que as perspectivas do Corot sejam promissoras, os resultados científicos devem exigir algum tempo para demonstrar resultados. Segundo o critério estabelecido, após o encontro de um candidato a exoplaneta, serão feitos os procedimentos para comprovação, como repetições e observações de solo. Para Janot, os anúncios devem ocorrer cerca de três meses após as descobertas, mesmo com um equipamento extremamente sensível.





Energia à vontade



Para onde quer que olhemos, vemos energia. Mesmo assim, a maioria das pessoas não faz idéia do que seja isso.

Para onde quer que olhemos, vemos energia. Mesmo assim a maioria das pessoas não faz idéia do que seja isso. Einstein escreveu em 1905 que matéria e energia são equivalentes. Uma pode transformar-se na outra. Numa fatia de queijo cheddar a Natureza consegue armazenar quase 1 trilhão de ergs de energia. Se você pudesse converter a massa do queijo em energia, em vez de derretê-lo, manteria uma lâmpada de 100 W acesa por 15 minutos.

Os astrônomos juntam massa e energia do Universo como se fossem uma coisa só. A menos que existam outros universos que não conhecemos, esse total de energia é finito. No entanto não podemos gastá-lo. É que energia nunca é perdida, nem destruída, nem criada. A energia muda de forma, mas nunca diminui, nem um pouquinho.

Digamos que você suba de carro até o topo de uma colina. Depois desce em ponto morto. Você começou liberando a energia química da gasolina que estava armazenada em suas ligações moleculares. Energia que está armazenada à espera para ser liberada é chamada energia potencial. Ao fazer seu carro se mover, a energia potencial do combustível se transforma em energia de movimento: energia cinética. Até a luz, já que ela se move, possui energia, o que significa que tem uma massa equivalente. Ela só não tem uma “massa de repouso” porque, diferente de tudo o mais, ela é estranhamente compelida a estar sempre em movimento. Se você pudesse fazer a luz parar, ela desapareceria.

Já acertaram o seu rosto com uma torta de creme? Vá por mim, não machuca muito quando ela é apenas comprimida contra o rosto. Mas pode ser doloroso se a torta for atirada de longe, pois uma torta em movimento tem energia cinética. Qualquer corpo celeste que gire, mova-se ou contenha átomos que se agitam – em outras palavras, tudo – está repleto de energia cinética. A energia cinética está por toda parte.

Quando seu carro subiu a ladeira, na verdade ganhou energia – a energia potencial da gravidade. Isso significa que, ao chegar ao topo, você ganhou uma passagem grátis de volta para baixo. Essa passagem nunca expira. A energia potencial gravitacional pode esperar pacientemente por milhões de anos. Mas suponha que você a gaste imediatamente descendo a ladeira em ponto morto, ganhando energia cinética enquanto gasta essa energia potencial gravitacional. Quando você pisar nos freios no sopé do morro, a energia cinética do carro se transformará em aquecimento dos freios. Calor é simplesmente uma manifestação do movimento dos átomos e significa mais energia cinética. Em resumo, sua viagem curta e sem propósito serviu para demonstrar mudanças entre formas de energia. Nenhuma energia líquida foi destruída. Nenhuma foi perdida. Existe apenas energia potencial e cinética por toda parte sob vários disfarces.

Considere agora Betelgeuse. Essa estrela está para causar uma surpresa desagradável para qualquer advogado alienígena que tenha escritórios em seus planetas. Qualquer dia o velho núcleo de Betelgeuse não vai mais gerar energia suficiente para continuar pressionando sua superfície para fora contra sua assombrosa gravidade, 5 milhões de vezes maior que a da Terra. Aquela energia potencial se oculta por lá como uma bomba-relógio. No dia em que a estrela colapsar, uma quantidade tão grande de energia potencial se transformará em energia cinética que o movimento dos átomos (calor) aumentará repentinamente para níveis inimagináveis, dando vazão a um novo tipo de energia potencial armazenada dentro dos átomos. É a supernova. Você não iria querer estar por perto.

Energia e força parecem coisas semelhantes, mas são diferentes. Força é um puxão ou um empurrão entre dois objetos. Algumas forças, como a da torta, atuam através de contato direto. Outras, curiosamente, atuam através do espaço vazio. O contato direto não é necessário.

Existem quatro forças fundamentais: a força forte, a força fraca, o eletromagnetismo e a gravidade. A força forte mantém os prótons juntos, o que é uma coisa boa se você tem apreciação pelo seu corpo e seus átomos. Essa força também mantém intactos os nêutrons. Remova um nêutron do seu átomo, e ele se desfaz em 15 minutos. Deixe-o lá e ele durará uma eternidade.

A força forte só funciona em distâncias curtas da ordem do diâmetro de um núcleo. É por isso que átomos gigantes como o urânio são instáveis. Eles são grandes demais. Onde se encontram os seus prótons mais externos, a força é tão fraca que ocasionalmente se anula, transformando o átomo num elemento diferente. Esses prótons já não formam os elementos como antes.

A força fraca também só funciona dentro de átomos e pode induzir a radioatividade. Então vem o eletromagnetismo. O seu alcance é infinito. Essa força maravilhosa faz motores funcionar e cria partículas de luz (fótons). Fótons carregam essa força de um lugar para outro. Quando você observa qualquer coisa através de um telescópio, o que realmente ocorre é que a luz traz a força eletromagnética de impérios muito distantes e a entrega à sua retina, onde causa reações bioquímicas ou, em uma palavra, a visão. Luz não é apenas o que você vê. É o que faz você ver.

A quarta força, a gravidade, é a mais misteriosa. Ninguém realmente sabe o que ela é. Seu alcance, como o do eletromagnetismo, também é infinito. A gravidade nunca cai a zero. Ela mantém estrelas e galáxias unidas, como também pode destroçá-las. Força e energia. Elas são o coração e a alma da astronomia.

A cauda de dois cometas



O cometa McNaught estende-se pelo céu austral em 19 de janeiro de 2007, e os componentes de sua cauda de poeira pendem sobre o horizonte oeste logo após o pôr-do-sol. A foto mostra o cometa observado no céu do Colorado, ao escurecer, com sua cabeça mergulhada 20º no horizonte




O cometa de Chéseaux também mostrou uma cauda de diversos componentes, que apareceu no céu do leste antes do nascer do Sol. Esta gravura, feita à mão, registra uma dúzia de estacas separadas, como foram vistas de Berlim antes do início da aurora em 7 de março de 1744




A cauda cheia de raios do cometa McNaught lembra de forma impressionante a do grande cometa de 1744

Assim como acontecia com o personagem Ferdinando, dos clássicos quadrinhos de Al Capp, havia sempre uma nuvem sobre a minha cabeça. Eu vi o melhor cometa das últimas décadas, o C/2006 P1 (McNaught), apenas uma vez – de um avião a 12.500 m de altitude. Assim como muitas pessoas ao norte do Equador, apreciei o cometa de forma indireta, pelas imagens dos observadores mais favorecidos do Hemisfério Sul.

Mas para mim as imagens mais interessantes foram feitas em meados de janeiro, de lugares mais ao norte. Essas imagens mostram raios brilhantes de luz pairando como fantasmas sobre o horizonte a sudoeste, depois do crepúsculo. Imediatamente senti que já havia visto aquilo no passado.

E era verdade. As imagens eram de um livro que eu guardara como um tesouro da infância: A picture history of astronomy (Uma história da astronomia por imagens), de Patrick Moore, publicado em 1961. Entre as imagens de cometas famosos havia uma gravura de um objeto espetacular visto em 1744, identificado como o cometa “de Chéseaux”. A estampa mostrava um espetáculo com cinco caudas, iluminando o céu da Europa antes do amanhecer, a partir de um núcleo que não podia ser visto. Os astrônomos viram muitos cometas se aproximarem do Sol nos últimos dois séculos e meio, desde o cometa de Chéseaux, mas nenhum teve as características daquele – até agora.

O Grande Cometa de 1744 – oficialmente designado C/1743 X1 (Klinkenberg-de Chéseaux) – não tem qualquer relação física com o McNaught. No entanto, os dois compartilham histórias de observação e propriedades orbitais consideravelmente parecidas.


Jean-Philippe Loys de Chéseaux foi um rico proprietário de terras e astrônomo suíço que encontrou um cometa em 13 de dezembro de 1743. Apesar de o astrônomo holandês Dirk Klinkenberg tê-lo descoberto quatro noites antes, as rigorosas observações de Chéseaux permitiram a determinação da órbita do cometa. O C/1743 X1 tinha uma órbita parabólica que o levou a 33 milhões de km do Sol, no periélio, em 1o de março de 1744. A órbita também se inclinou acentuadamente (47º) para a eclíptica.

O cometa brilhou por algumas das semanas seguintes e, por volta de fevereiro de 1744, seu brilhou rivalizou com o da estrela Sirius. Ele então exibiu uma cauda curva com cerca de 15º de comprimento. O C/1743 X1 seguiu um trajeto que o levou a tangenciar o disco do Sol e, no final de fevereiro, foi visto a olho nu apenas seis minutos antes do nascer do Sol. No dia 28, observadores o avistaram em diversos momentos do dia, a cerca de 12º do astro.

Durante a semana seguinte, o cometa deslizou para baixo do horizonte. Então, nas manhãs de 7 e 8 de março, De Chéseaux mostrou um espetáculo fantástico: com a cabeça do cometa aproximadamente 20º abaixo do horizonte, seis magníficas caudas brilharam acima da linha do horizonte, a leste. Outros observadores confirmaram esta visão.

A órbita do cometa McNaught tem muitas características em comum com a do de Chéseaux. Ela também é parabólica (ou quase) e tem um periélio bastante próximo do Sol, a 26 milhões de km, além de uma alta inclinação (77º). O McNaught também ficou espetacularmente brilhante próximo ao seu periélio e foi visto à luz do dia. E ele também se moveu tangenciando o Sol em seu caminho para o periélio, e então mergulhou para fora da vista dos observadores do Hemisfério Norte.

Um olhar rápido sobre as trajetórias orbitais dos dois cometas mostra que elas são quase simétricas, como se fossem um objeto e seu reflexo no espelho. Apesar de atingirem o periélio em lados opostos do Sol, ambos chegaram do norte, fizeram uma grande curva no periélio e então se voltaram para o sul. Os observadores viram C/1743 X1 antes do amanhecer e o C/2006 depois do pôr-do-Sol.

Os dois cometas liberaram imensas quantidades de poeira quando passaram próximo ao Sol, no periélio. Mais provavelmente, essa poeira foi ejetada em uma série de explosões, talvez relacionadas aos períodos de rotação dos respectivos núcleos. A pressão da radiação solar então alongou essas nuvens de poeira em lençóis. Nos dois casos, nossa perspectiva da Terra favoreceu a dispersão da luz do Sol pelos grãos de poeira enquanto eles se espalhavam a partir de suas primeiras localizações. Alinhamentos geométricos tão precisos entre o Sol, a Terra e um cometa não acontecem a toda hora – só conhecemos estas duas vezes – mas os resultados são verdadeiramente espetaculares.

domingo, 25 de março de 2007

O Céu Estrelado

Para observar o céu, tudo o que você deve fazer é afastar-se da iluminação urbana. Procure um lugar, de preferência mais elevado, para ampliar os limites do horizonte. Se possível, use uma dessas espreguiçadeiras de praia que permitem deitar de costas, numa posição confortável, com toda a abobada celeste frente aos seus olhos. Caso contrário, cubra o chão com algum material capaz de proteger contra a umidade do solo e a eventual picada de insetos ou outros pequenos animais. Faça tudo isso, de preferência, ainda com a luz do dia, eventualmente na companhia de uma ou mais pessoas. E prepare-se para o grande espetáculo, logo que a noite chegar.

Comece sua viagem pelo espaço-tempo. O céu estará aberto aos seus olhos como uma imensa catedral onde pelo menos 7 mil estrelas visíveis a olho nu parecem crepitar como fogueiras distantes. De alguma maneira, são fogueiras distantes, mas o combustível que as alimenta é de natureza termonuclear. A fusão nuclear - envolvida com a transformação de elementos químicos, como previam os alquimistas - é a usina de força das estrelas. Se o fogo e a panela dos alquimistas eram fraco e reduzido para promover a transmutação dos elementos, o enorme caldeirão estelar, com temperaturas de milhões de graus no núcleo, pode fazer essas transformações. E, em conseqüência disso, liberar energia. Entre essas formas de energia, a luz visível que suas retinas recebem. Ela chega de profundezas variáveis do espaço-tempo. Alguns exemplos: Sírius, a estrela mais brilhante do céu (Alfa do Cão Maior) está a 8,7 anos-luz da Terra. Aldebaran (Alfa de Touro) encontra-se a 64 anos-luz e Antares (Alfa do Escorpião) está a 365 anos-luz.

O que significa isso?

Significa que a luz que saiu de Aldebaran, por exemplo, viajou 64 anos (deslocando-se a 300 mil km por segundo, a luz percorre perto de 9,5 trilhões de km em um ano, distância que os astrônomos chamam de um ano-luz) antes de atingir sua retina e ser interpretada pelo cérebro como a luz de uma estrela. Se você quiser saber a distância, em quilômetros, até Aldebaran, basta multiplicar 64 por 9,5 trilhões (60,8 quatrilhões de km). Mas esse é um número tão grande e difícil de se imaginar que os astrônomos preferem representar apenas como 64 anos-luz.
Estrelas duplas

A nomenclatura das estrelas duplas é simples. A "principal" é a dupla mais brilhante do par e os astrônomos as consideram o centro do sistema. A estrela mais pálida é a companheira, ou "secundária". A "separação" mede a distância entre as estrelas em segundos de arco. Os astrônomos medem o ângulo de posição em graus do norte (0°) para oeste (90°) e retornando ao norte (360°)

A ESTRELA PRINCIPAL de Ras Algethi (Alfa [] Herculis) varia de magnitude 2,7 a 3,9, enquanto a companheira mantém magnitude 5,4;

A 70 OPHIUCHI exibe cores incomuns para uma estrela dupla. O par combina uma principal amarela de magnitude 4,2 com uma companheira vermelha de magnitude 6,2. OPHIUCHUS, A PORTADORA DA SERPENTE, é uma constelação ao norte do centro da Via Láctea. Hercules fica em sua margem norte;

OMICRON (o) CYGNI é um par bastante separado (106") que fica a 5° a oeste-noroeste de Deneb (Alfa Cygni). Com baixa magnificação, esta estrela dupla imita Albireo, amarela e azul;

CYGNUS, O CISNE, fica ao longo dos densos campos de estrelas da Via Láctea e por isso mesmo é repleto de grandes estrelas duplas para telescópios de todas as aberturas;

ALBIREO (Beta [b] Cygni) marca a cabeça de Cygnus, o Cisne. Albireo pode ser a estrela dupla mais conhecida do céu. Suas componentes dourada e safira brilham com magnitudes 3,4 e 4,7;

BOÖTES possui muitas estrelas duplas, mas poucas tão brilhantes quanto Izar;

IZAR (Epsilon [e] Boötis) combina a luz de estrelas de magnitudes 2,6 e 4,8. Se você tiver dificuldade para encontrá-la, apenas olhe 10° a nordeste de Arcturus (Alfa Boötes). As componentes desta estrela dupla se separam por apenas 3", então use magnificação alta para separá-las;

Gama () Delphini fica a cerca de 15° a leste-nordeste da brilhante Altair (Alfa Aquilae), na ponta do paralelogramo que forma a pequena constelação Delphinus. Tipicamente, os observadores descrevem as cores deste par como amarelo e verde-limão;

DELPHINUS, O GOLFINHO contém diversos objetos interessantes, como o aglomerado globular NGC 7006. Sua estrela dupla mais interessante é Gamma.

Estrelas Duplas No Céu





As estrelas duplas são alvos fáceis para telescópios de todos os tamanhos. Muitas combinam estrelas de cores deslumbrantes. Por serem fontes pontuais, você pode observar as mais brilhantes mesmo sob céu claro ASTRONOMY: THEO COBB; BACKGROUND IMAGE: JOHN CHUMACK

Observar estrelas duplas é uma das experiências mais fascinantes, ainda que menosprezada, na investigação do céu. Mesmo pequenos telescópios podem enxergar milhares destas jóias e nenhum par é exatamente parecido. Além disso, você pode apreciá-las em noites que servem para tudo, exceto para observar outras maravilhas do céu profundo, devido à neblina, interferência luminosa da Lua ou artificial.

Enquanto duplas de azuis e brancas bem conhecidas como Mizar (Zeta [z] Ursa Majoris) e Castor (Alfa [a] Geminorum) ou algumas douradas como Algeiba (Gamma [g] Leonis) aparecem bem no telescópio, são os pares com contrastes marcantes de cores que empolgam a maioria dos observadores.

Você descobrirá alvos entre as estrelas vistas a olho nu, que se distinguem bem quando vistas pelo telescópio. Como disse J. Dorman Steele há mais de um século, "cada cor que fulgura nas flores do verão incandesce nas estrelas à noite". E enquanto muitas destas cores são ilusórias - resultado dos efeitos do contraste entre estrelas de brilho diferente - em outros casos elas são reais.

Aqui estão 21 das duplas coloridas de que mais gosto. Organizadas em ordem de ascensão reta, elas fornecerão a você um ano inteiro de prazer em suas observações. Para melhor resultado, use a menor magnificação capaz de separar cada par. Às vezes, desfocar um pouco a imagem (o que uma vista ruim já faz) ajudará a perceber tonalidades sutis, pelo espalhamento da luz por uma área maior de sua retina.

Presentes duplos da primavera
A constelação de Cassiopéia abriga uma gema pouco conhecida - a Struve 3053 - cujos tons dourado e azul fazem alguns observadores relembrar a famosa Albireo, que é vista no inverno. Apesar de ser notavelmente mais pálida, a Struve 3053 é uma presa fácil para um telescópio de 8 cm (3 polegadas) com 30x. Ela é melhor observada com um telescópio de 20 cm (8 polegadas) a 60x.

Eta () Cassiopeiae é uma bela dupla em que a estrela principal, amarela e de quarta magnitude, brilha mais que sua companheira, que é roxo-avermelhada. Ela já foi descrita como castanha, lilás, lavanda e mesmo alaranjada por outros observadores. Um telescópio de 5 cm (2 polegadas) a 25x mostra a cor característica da componente menos brilhante, mas Eta se torna mais surpreendente à medida que a abertura aumenta. Com um telescópio de 25 cm ou 30 cm a 60x ou mais, prepare-se para ficar boquiaberto.

Uma das estrelas duplas mais coloridas é Almach (Gama [] Andromedae). A estrela principal tem cor topázio e sua companheira aparece em tom de água-marinha. As cores são lindas com um telescópio de 10 cm, de 50x a 100x. Devido às estrelas estarem separadas por apenas 10", a visão não perde impacto quando feita com telescópios grandes. Os observadores tendem a usar magnificações mais altas com telescópios maiores, de maior distância focal. Muitas vezes isso separa excessivamente os pares.

Abaixo de Órion, em Lepus, você encontrará Gama () Leporis, uma dupla grande e atrativa para telescópios pequenos. A estrela principal é amarelada e a outra, castanho-avermelhada. O colunista de Astronomy Phil Harrington descreve o par como "banhado com cor viva", e o considera um dos mais admiráveis do céu. Enquanto uma bela vista pode ser obtida com um refrator de 5 cm a 25x, a dupla é muito separada para obter melhores resultados com magnificações maiores.

Em um artigo há alguns anos, chamei h3945 em Canis Major de "Albireo do verão", e o apelido parece ter pegado. Este conjunto magnificamente colorido brilha com tons de vermelho-fogo e azul-esverdeado. As duas estrelas são impressionantes com um telescópio de 8 cm a 30x e maravilhosas com instrumento de 15 cm a 50x. O prefixo "h" indica que é uma das muitas duplas descobertas pelo astrônomo inglês John Herschel (1729-1871).

Pares especiais do outono
Iota () Cancri é uma estrela dupla laranja e azul que você pode distinguir até com binóculos com aumento de 7x. É uma vista admirável mesmo para o menor telescópio. A conhecida observadora de estrelas duplas Sissy Haas, da Pensilvânia, pensa que o par tem o contraste de cor mais evidente do céu visto por seu refrator de 5 cm. Ela considera Iota melhor que Albireo. A percepção de cor varia entre as pessoas, então assegure-se de checar Iota por si mesmo.

Alaranjado vivo e esmeralda devem ser as melhores cores para descrever a 24 Comae Berenices. Ela permite uma visão excelente com um telescópio de 10 cm a 45x, e está esperando por você entre as muitas luzes pálidas desta constelação rica em galáxias. Você não precisará de um telescópio maior para observar a estrela principal, de magnitude 5, e a secundária, de 6,3.

Chamada de Pulcherrima, "a mais bela", pelo observador russo Wilhelm Struve (1793-1864), Izar (Epsilon [] Boötis) exige magnificação relativamente alta e boas condições para uma distinção clara por telescópios pequenos. Um telescópio de 13 cm a 100x é capaz disso. O de 8 cm a 150x mostra seus discos amarelo-dourado e verde-azulado quase se tocando - uma vista verdadeiramente fascinante!
Xi () Boötes é um par amarelo e roxo-avermelhado que causa surpresa e empolgação a qualquer um que a vê pela primeira vez. De visão absolutamente refinada com um telescópio de 15 cm a 50x, seus tons são bem vistos com telescópios grandes, que muitas vezes saturam as cores das duplas mais brilhantes devido ao excesso de luz. Nestes casos, é bom diminuir a abertura.

Se você gostou de Xi Boötes, Kapa () Herculis aparece como um clone maior dela. É fácil distingui-la com um telescópio de 5 cm a 25x, com as cores amarelo e castanho-avermelhado, e a lateral possivelmente tingida de um tipo de alaranjado. As estrelas se separam por 27" e brilham com magnitude de 5,1 e 6,2.

Antares (Alfa [] Scorpii) é a mais difícil mas a mais espetacular (ao menos quando vista por grandes telescópios) de nossa lista. A estrela maior, vermelho-fogo, é acompanhada de perto por uma parceira que só pode ser descrita como verde-esmeralda. Mas esta cor verde é verdadeira?

O observador e escritor William H. Smyth (1788-1865) observou a estrela companheira ao emergir, antes da principal, de um eclipse da Lua. O tom esverdeado visto por ele, então, não resultou de um efeito de contraste com a estrela principal. Observações similares recentes atribuem uma cor azul à companheira.

Você pode distinguir as estrelas de Antares com um telescópio refrator de 13 cm, a 100x, em noites de boa visibilidade. Vista com um refrator de 33 cm a 190x, esta é possivelmente a estrela dupla mais espetacular do céu!

A aconchegante par laranja e verde-azulado Ras Algethi (Alfa Herculis) remete os observadores a Antares. Um telescópio de 5 cm a 75x distinguirá bem as duas, e elas formam uma vista adorável com um telescópio de 20 cm a 100x. A magnificação necessária para separar Ras Algethi depende do brilho da estrela variável principal.

Omicron () Ophiuchi tende a ser suplantada pelos diversos aglomerados globulares encontrados nesta região, mas não a perca de vista. Essas jóias alaranjada e azul, separadas por apenas 10", são maravilhosas vistas por um telescópio de 8 cm, a 30x.

Já 95 Herculis é preciso ver para acreditar! As cores são exatamente como Smyth descreveu há mais de 150 anos: verde-maçã e vermelho-cereja. Estes tons surpreendentes brilham sutilmente, mas com persistência em todas as aberturas de telescópio, e são melhor vistas com o de 15 cm, a 50x.

A dupla 70 Ophiuchi tem um tipo de contraste inteiramente diferente da maioria das estrelas a que nos referimos - amarelo e vermelho. Alguns observadores dizem ter visto um toque persistente de violeta na estrela companheira, de sexta magnitude. O tom que você vê depende da percepção de cor de seus olhos.

A magnífica Albireo (Beta [] Cygni) tem a responsabilidade de ser "a estrela dupla favorita de todas as pessoas", não por acaso. Suas gloriosas cores alaranjada e azul são inconfundíveis mesmo em um telescópio de 5 cm, a 20x, e podem ser vistas por binóculos 10x50. E essas cores são definitivamente reais.

Se Albireo não for suficiente, Cygnus oferece outra dupla bastante colorida, que também é impressionante por telescópios pequenos - a Omicron (o) Cygni. As cores imitam as de sua vizinha famosa, mas os dois sóis estão muito mais distantes, de forma que o contraste não é tão forte. Também há uma estrela branca-azulada, a 331" de distância, fazendo dessa formação um sistema aparentemente triplo.

A amável dupla amarela e verde pálida Gama Delphini, com uma separação de 9", se distingue com um telescópio de 8 cm a 45x. Com telescópios de 15 cm ou mais, esta é uma das duplas mais refinadas. Também há uma dupla com aparência fantasmagórica escondendo-se no mesmo campo de visão. Chamada de Struve 2725, suas componentes têm magnitudes de 7,6 e 8,4 e se separam por apenas 6", o que contribui para a fascinação da cena.

Delta () Cephei é o protótipo das famosas variáveis cefeidas que os astrônomos usam para medir distâncias no céu. Desta forma, ela é muitas vezes subestimada como atraente estrela dupla. Suas componentes laranja-amarelada e azul são muito bem vistas por um telescópio de 10 cm em aumentos tão baixos quanto 16x.

Adeus Plutão-Mais tem Cientistas Norte Americanos que não Vão Aceitar



Vénus, Marte, Mercúrio e Plutão


Como sabemos, a União Astronômica Internacional (UAI) deu um pontapé em Plutão. O que me espanta é a quantidade de pessoas que se preocuparam com isso. Algumas ficaram deprimidas. Elas cresceram com Plutão e agora ele foi rebaixado a um anão como muitos outros personagens de Disney. Felizmente a UAI esperou até depois de 1997, quando Clyde Tombaugh faleceu. O descobridor do último planeta foi feliz para o túmulo, embora ainda estivesse por aqui quando começamos a entender como realmente era "Pateta" o nono mundo. Gostei da decisão da UAI. Convidado ao Late Show de David Letterman há alguns anos, reafirmei que Plutão não é realmente um planeta. A decisão inicial pró-planeta de uma comissão da UAI em agosto passado teria me derrubado.

A resolução da UAI produziu conseqüências adicionais. Ceres foi promovido de asteróide para planeta anão, só porque é arredondado. Mas a UAI não está enganando ninguém. Ceres continua um asteróide.

Caronte, principal lua de Plutão, foi também um planeta por cerca de uma semana, antes que os astrônomos ridicularizassem essa idéia. Agora ele retornou a apenas uma das 140 estranhas luas do Sistema Solar.

Os critérios iniciais da UAI para um corpo ser considerado planeta incluíam uma cláusula que, em sistemas de dois corpos, o objeto menor candidato a planeta orbitasse ao redor de um ponto fora da superfície do maior.

A rigor, nenhum objeto orbita ao redor de outro. Cada par de objetos executa uma dança em torno do centro de gravidade comum, ponto no espaço em que suas gravidades se equilibram. No par Plutão-Caronte esse ponto encontra-se um pouco fora da superfície de Plutão. À Lua, quatro vezes maior que Caronte, foi negado o status de planeta porque o ponto de equilíbrio entre ela e a Terra fica abaixo da superfície da Terra, 26% do seu raio.

Mas veja só: a Lua está se afastando à velocidade de 4 cm por ano. Assim, algum dia, esse ponto de equilíbrio se deslocará para fora da superfície da Terra. Nesse momento, de acordo com a primeira definição da UAI, ela se tornaria um planeta. Não é de espantar que tenham abandonado essa história. Estava tudo muito complicado.

Ninguém admitia, mas havia um ingrediente oculto nas deliberações. A palavra "planeta" tem um lugar especial em nossos corações porque vivemos num deles. Tacitamente queremos que o nosso mundo integre um clube especial, e isso tem sido verdade até agora. Até jovens estudantes conhecem os nomes dos planetas. Cada planeta é famoso. Assim, de certa forma, a UAI precisou de um critério de filiação que mantivesse os penetras afastados. Qualquer sociedade que inclua um Júpiter e um Saturno, não deveria conceder filiação a qualquer pedaço de lixo gelado menor que a Lua. Isso estragaria a vizinhança.

Houve então a questão da tradição. Plutão quase conseguiu o status de planeta porque tem nos acompanhado por toda vida. Mas o problema é que, se você deixa Plutão entrar, abre as portas para todos aqueles minúsculos e desprezíveis membros do Cinturão de Kuiper. Logo teríamos 15 planetas, depois 40, e eles teriam nomes estranhos, e ninguém se lembraria de todos eles e...

Bem, isso não aconteceu. Mas estou surpreso que a sede de sangue na batalha não tenha inspirado a UAI a atacar outros objetos celestes. Por que parou em Plutão? Por que não cortou todas as designações incomodativas em todo o Universo?

Como as constelações do Cancer (horrível), Virgo (provoca risadinhas) e Musca (uma mosca). Quem decidiria glorificar uma peste? Mantenha Musca e você poderá também vir com um "Virella, o Vírus". Golden Retriever - eis aí uma criatura que merece pertencer aos céus. Antlia, Scutum e outras dezenas de nomes deveriam ter sido abolidos séculos atrás. Enquanto você estiver a fim, renomeie todas as estrelas com seis ou mais sílabas: Zebeneschamali, por exemplo, que significa "garra" embora seja parte de Libra. Balanças não deveriam ter garras, exceto em pesadelos.

E batize mais galáxias. Atualmente só algumas dezenas têm nomes oficiais, enquanto bilhões de outras mais recebem indignas letras e números como de placas de veículos.

A UAI pode manter todo o resto. Todos aqueles termos envolvendo cor são bons. Buraco negro, anã-marrom, gigante-vermelha, flash verde, desvio espectral para o azul, anã-branca. Termos bonitos e cativantes. Os termos referentes a distâncias também são fabulosos: parsec, ano-luz e unidade astronômica. Soam bem.

Na verdade, se se pensa nisso, toda ciência tem uma nomenclatura bastante boa. A astronomia pode estar ao alcance da maioria das pessoas, mas a sua linguagem é maravilhosamente intrigante, e a maioria dos seus corpos celestes soa como deveria: exótica e deslumbrante.

Então - mantendo afastadas novas alterações por astrônomos planetários que odeiam tudo isso - simplesmente nos habituaremos a "planeta anão". Sinto muito, Plutão, mas você deveria ter percebido isso antes.

Antimatéria


Por Bob Berman

Se a antimatéria não existisse alguém teria de criá-la, pois ela é extremamente fascinante. Prevista pelo brilhante físico Paul Dirac em 1928 - e descoberta por Carl D. Anderson, da Caltech, em 1935 -, a antimatéria se parece com a matéria ordinária e atua exatamente como ela.

Mas deixe que ela toque em qualquer coisa: matéria e antimatéria desaparecem numa ex-plosão que libera a máxima energia possível.

É fácil entender, pois a antimatéria é como a matéria comum, exceto que todas as cargas elétricas são invertidas. É como se um demiurgo incompetente de uma outra dimensão acidentalmente tivesse trocado os cabos. No centro dos antiátomos se escondem antiprótons com carga negativa, em vez de positiva. Elétrons positivos - pósitrons - orbitam os antiprótons.

Quando o Universo surgiu, há 13,7 bilhões de anos, quantidades iguais de matéria e antimatéria devem ter sido criadas. Colisões aconteceram o tempo todo naquele ambiente congestionado e turbulento. Quando a poeira assentou, o resultado deveria ter sido um empate cósmico. No entanto, não foi isso que aconteceu.

Por alguma razão tudo terminou com um Universo em que a matéria acabou predominando. Os teóricos ainda se perguntam o que teria acontecido. Evidência recente sugere que a Natureza tem uma leve preferência pela criação da matéria em vez da antimatéria - e que os dois processos não são tão simétricos como se pensava.

Mesmo assim o Universo poderia ter estrelas feitas só de antimatéria. A luz emitida por tais anti-sóis seria idêntica à energia de estrelas comuns. Observando o céu noturno não teríamos meios de saber se uma estrela é feita de matéria ou antimatéria.

Poderia também haver planetas de antimatéria. Talvez haja uma anti-Terra com anti-restaurantes servindo "antipasto". Pode até ser que exista um anti-eu e um anti-você. Diferentemente de você, o anti-você deve dobrar cuidadosamente as suas roupas à noite em vez de jogá-las no chão.

A coisa mais dramática a respeito da antimatéria é o que acontece quando ela encontra a matéria comum. Lembra-se que E = mc2? Escreva o peso (em gramas) de certa porção de matéria e multiplique-o pelo quadrado da velocidade da luz expressa em cm/s: 30 bilhões ao quadrado = 900 quintilhões. Feitas as contas, eis a energia (em ergs) naquela porção de matéria. Cada toco de cigarro é uma superconcentração de energia latente armazenada naquela repugnante forma de matéria. Libere essa energia e você terá com que abastecer sua casa por mil anos.

As bombas H e o núcleo do Sol liberam energia com uma eficiência de apenas 0,7%. Mas quando matéria e antimatéria colidem, suas massas se convertem em energia com 100% de eficiência. E você pode usar qualquer coisa, até lixo.

Mas, como obter antimatéria? Ninguém a está vendendo, nem mesmo no eBay. Ela é produzida em aceleradores de partículas como o do Fermilab, mas não é nada barata. A atual produção global anual é de cerca de 10 bilionésimos de grama. As maiores porções consistem em antiátomos, criados pela primeira vez em 1995.

Também é difícil armazená-la. A antimatéria aniquilaria a parede de qualquer recipiente em que você a guardasse. Se ela fosse resfriada perto do zero absoluto, permaneceria praticamente imóvel. Então se você produzisse somente pósitrons ou antiprótons, a antimatéria poderia levitar num campo magnético.

Um campo magnético viajante, como aquele que faz o trem bala levitar, poderia guiar esse combustível para a câmara de combustão de um foguete onde a antimatéria encontraria a matéria comum.

O confinamento magnético seria o caminho a ser seguido. Mas é preciso certificar-se de que o campo jamais iria vacilar por uma falha no fornecimento de energia ou algum problema técnico. ("Estamos perdendo confinamento!", gritou Scotty. A tripulação sabia que esse não era um pequeno problema na lista de contratempos da Enterprise. "Confinamento perdido" significava que a nave e a tripulação se twransformariam em pura energia.)

Sabemos que a antimatéria existe, pois a aniquilação da matéria com a antimatéria produz fótons com a característica energia de 511 mil elétron-volts. Escombros positrônicos são ejetados violentamente do núcleo da Galáxia, perpendicularmente ao plano da Via Láctea. Embora essas fontes infernais de energia tenham sido descobertas há oito anos pelo observatório espacial Compton de raios gama, as causas ainda continuam um mistério. Explosões de estrelas massivas?
Buracos negros que fabricam antimatéria? Ninguém conhece a origem da antimatéria na Via Láctea.

Algum dia a antimatéria poderá nos propelir para o centro da Galáxia para podermos ver o que acontece por lá. Que a viagem não culmine num anticlímax.

Tapeçaria Cósmica em Órion


NASA/ESA/M.Roberto (STScI/ESA) e Equipe do Telescópio Espacial Hubble

Astrônomos têm assentos privilegiados para observar o nascimento de milhares de estrelas na Nebulosa do Órion (M42), a densa nuvem de gás e poeira a 1.500 anos-luz de distância do Sistema Solar. As mais quentes e massivas estrelas já emergiram de seu casulo celeste. Poderosos ventos estelares e intensa radiação ultravioleta emergem dessas luminárias cósmicas, moldando a intricada estrutura da nebulosa. Enquanto isso, um número incontável de estralas-bebês permanecem presas às suas delicadas estruturas de origem. Mosaico combina imagens feitas pelo Telescópio Hubble ao longo de 105 voltas em torno da Terra e dados coletados pelo telescópio de 2,2 metros de diâmetro do Observatório Austral Europeu, nos Andes Chilenos. O mosaico tem tamanho aparente ao da Lua Cheia.

MIT cria miniexploradores para Marte


Aglomerados de miniobservadores esféricos podem estar prontos para explorar o planeta na próxima década. Eles investigariam os dutos de lava e os vales demasiado íngremes para os jipes espaciais

Um dia, um enxame de miniobservadores poderá deslocar-se pela paisagem marciana- pelo menos se uma pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estiver no caminho correto.

Steven Dubowsky, diretor do Laboratório Espacial de Robótica do MIT imagina milhares de sondas movidas a pilha, do tamanho de bolas de beisebol, explorando o solo do planeta. Cada sonda pesaria cerca de 113 gramas, carregaria câmeras e outros sensores e poderia comunicar-se com as outras via rede local. As sondas cobririam aproximadamente 130 Km quadrados do terreno marciano em 30 dias.

Seriam necessárias perto de mil minissondas para igualar o peso do jipe Spirit ou Opportunity, da Nasa. Dubowsky diz que tudo está pronto para iniciar os testes terrestres dos protótipos e que em 10 anos os miniexploradores poderiam ser enviados a Marte.

Por Laura Layton

A juventude de Trífida


Trífida é iluminada por estrelas ainda em formação

A nebulosa Trífida, M20, em Sagitário, é uma das mais jovens já identificadas, a 7.600 anos-luz do Sistema Solar. Essa nebulosa de emissão recebeu este nome do astrônomo inglês John Herschel (1792-1871) devido aos seus três lóbulos que pareciam mais difusos nos telescópios da época. Uma nebulosa de emissão é uma estrutura formada por gases e poeira interestelares iluminada por estrelas em formação. A Nebulosa Trífida, ou NGC 6514, formou-se há apenas 100 mil anos.

Quando Chegou em Saturno-No ano de 2004


Titã, mais do que qualquer outro corpo do Sistema Solar, merece ser descrito como um mundo misterioso


A descida da sonda Huygens através da espessa atmosfera de Titã, a maior lua de Saturno, será um dos destaques da missão Cassini-Huygens.

Na manhã de 15 de outubro de 1997, na borda de um igarapé infestado de jacarés perto de cabo Canaveral, na Flórida, eu assistia, com milhares de outras pessoas, ao surgimento de uma pequena chama embaixo de um foguete, numa plataforma de lançamento localizada a quilômetros de distância. A mais sofisticada nave espacial não-tripulada de todos os tempos, composta pelo orbitador Cassini e pela sonda Huygens, estava posicionada no topo do veículo lançador, e sete anos de viagens interplanetárias vinham pela frente. Comecei a me envolver no projeto dessa missão quando ainda era aluno de pós-graduação e tive de esperar até a metade da minha carreira para ver seu ponto alto: a primeira exploração prolongada do sistema saturniano.

Espera-se que, neste mês, a nave Cassini-Huygens entre em órbita do segundo maior planeta do Sistema Solar. Os pesquisadores aguardam ansiosamente por esse dia desde que as missões Pioneer 11 e Voyager 1 e 2 aguçaram o seu interesse por Saturno há mais de 20 anos. Embora o planeta seja menor do que Júpiter e sua superfície tenha aparência muito menos violenta, Saturno pode conter pistas vitais para entender a evolução de longo prazo de todos os planetas gigantes gasosos. O séquito de luas de Saturno inclui 30 pequenos satélites gelados e uma lua do tamanho de um planeta, Titã, que possui atmosfera densa e fascina os cientistas, porque poderia revelar como a vida surgiu na Terra. Os pesquisadores também querem descobrir como se formaram os anéis de Saturno e como o intenso campo magnético do planeta afeta suas luas geladas e a atmosfera superior de Titã.

Os cientistas esperam que a Cassini-Huygens repita o sucesso da nave Galileo, que revolucionou nosso conhecimento sobre Júpiter e suas luas durante seus oito anos em órbita. Contudo, há diferenças fundamentais entre essas duas missões. Enquanto a Galileo lançou uma sonda para investigar a atmosfera de Júpiter, o orbitador Cassini vai lançar a sonda Huygens em Titã, e não em Saturno. Ao contrário da Galileo, a Cassini-Huygens é o resultado de um verdadeiro esforço internacional. Embora a Nasa tenha construído o orbitador Cassini e seja a gerenciadora da missão, a Agência Espacial Européia (ESA) desenvolveu a sonda Huygens, e as equipes responsáveis por todos os instrumentos da nave são formadas por europeus e americanos.

Pelo fato de Saturno estar quase duas vezes mais afastado do Sol do que Júpiter - 1,4 bilhão de km contra 780 milhões de km - ele sempre pareceu mais misterioso. Se o compararmos a Júpiter, Saturno tem menos cinturões visíveis e há menos zonas de turbulência de ventos na atmosfera. A magnetosfera de Saturno - a região dominada pelo campo magnético do planeta - é muito mais calma do que a de Júpiter, o que produz um ruído na faixa de rádio, facilmente detectado na Terra. Os astrônomos descobriram em 1943 uma atmosfera em torno de Titã, mas muito pouco se soube sobre ela ou sobre as outras luas de Saturno até a chegada da era espacial. Para os astrônomos presos à Terra, Saturno era um contraponto sereno e misterioso à violência de Júpiter, pairando num reino frígido e distante.

A primeira nave espacial a visitar Saturno, a Pioneer 11, era uma sonda relativamente simples que sobrevoou Júpiter em 1974 e passou correndo por Saturno em 1979. Os instrumentos da Pioneer 11 detectaram um anel de Saturno (o anel F) até então desconhecido, mediram remotamente as propriedades da atmosfera do gigante gasoso e verificaram a intensidade e a geometria do campo magnético do planeta. As Voyagers 1 e 2, que passaram perto do sistema saturniano em 1980 e 1981, possuíam sistemas de imageamento e espectrômetros mais sensíveis. A Voyager 2 descobriu estruturas inéditas nos anéis de Saturno - trilhas radiais escuras que atravessam os anéis como os raios de uma roda - que aparentemente resultavam da levitação eletromagnética da poeira acima do plano do anel. Este fenômeno e outras medições indicaram que os anéis eram compostos por objetos cujas dimensões variavam desde pedras até partículas de poeira.

As Voyagers também obtiveram imagens parciais da superfície de vários satélites gelados de Saturno, que mostravam diferentes graus de derretimento e recapeamento. Mas foi Titã, sem dúvida nenhuma, que forneceu as descobertas mais interessantes. A Voyager 1 passou a uma distância de aproximadamente 4 mil km de Titã, a segunda maior lua do Sistema Solar (depois de Ganimede, de Júpiter). A névoa espessa e alaranjada de Titã impediu que as câmeras da nave pudessem observar quaisquer características da sua superfície, mas outros instrumentos mediram a temperatura e a pressão atmosféricas e determinaram que o nitrogênio é o gás mais abundante, seguido pelo metano.

A dinâmica da atmosfera de Titã é estranhamente semelhante à da Terra. O nitrogênio domina nas duas atmosferas, mas em Titã o metano desempenha o papel meteorológico da água no nosso planeta. Também está presente nas reações químicas orgânicas que começam na atmosfera superior de Titã, com o rompimento de suas moléculas pela radiação ultravioleta do Sol. Os pesquisadores acreditam que esse ciclo atmosférico possa incluir uma chuva de hidrocarbonetos líquidos, que poderia se acumular em lagos ou oceanos. A temperatura da superfície - cerca de 94 kelvins, ou -179oC - é muito baixa para a ocorrência de água líquida, mas as condições são ideais para a formação de lagoas de hidrocarbonetos líquidos. A vida como a conhecemos provavelmente não poderia evoluir em Titã, mas uma análise dos ciclos químicos orgânicos nessa lua poderia fornecer pistas sobre como a vida surgiu no início da história da Terra.
Os resultados da Voyager encorajaram os pesquisadores a desenvolver um orbitador que pudesse fazer uma investigação completa do sistema saturniano. No início dos anos 1980, no entanto, os recursos para a exploração planetária eram limitados, por isso, membros da Nasa e da ESA começaram a pensar em se unir. Em 1982 e 1983, grupos de cientistas europeus e americanos começaram os planos de uma exploração cooperativa futura do Sistema Solar, e a missão ao sistema saturniano era a primeira da lista.

Uma Viagem Incrível

EMBORA ESTIVESSE CLARO QUE UM COMPONENTE da missão seria um orbitador projetado para investigar a atmosfera, os anéis, as luas e a magnetosfera de Saturno, o debate se concentrou na escolha do local para o lançamento da sonda atmosférica: Saturno ou Titã, ou ambos. Os cientistas que projetaram o orbitador finalmente escolheram Titã por causa das descobertas intrigantes feitas pela Voyager na sua atmosfera. Por volta de 1985, a ESA apareceu com novos projetos de uma sonda capaz de navegar através do ambiente atmosférico denso mas de baixa gravidade de Titã. Os representantes da ESA batizaram a sonda com o nome de Huygens em homenagem a Christiaan Huygens, astrônomo holandês do século 17 que descobriu Titã. O orbitador, construído pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, recebeu o nome do astrônomo franco-italiano do mesmo século, Jean Dominique Cassini, que descobriu quatro das luas de Saturno e uma grande divisão entre seus anéis. O custo total para o desenvolvimento da missão - cerca de US$ 3 bilhões, dos quais os europeus contribuíram com cerca de 25% - é alto se comparado com o custo da maioria das missões planetárias, mas comparável ao de outros grandes projetos, como o telescópio espacial Hubble.

O Cassini e a Huygens formam juntos uma das maiores e mais pesadas naves espaciais já construídas, com 12 instrumentos científicos no orbitador e seis na sonda (ver box da página 78). Com a carga completa de combustível, a Cassini-Huygens pesava quase 6 toneladas e tinha 6,8 metros de altura. Como a Cassini tinha de viajar quase duas vezes a distância percorrida pela Galileo, a nave precisava de sistemas de comunicação e de antenas muito maiores e mais robustas (fornecidas pela Agência Espacial Italiana), mais combustível para as manobras e mais energia elétrica. Como a Galileo, a Cassini é propelida pelo decaimento natural de plutônio radioativo, que gera calor, por sua vez convertido em eletricidade.

Embora a Cassini-Huygens tenha sido lançada pelo mais poderoso foguete não-tripulado disponível - o Titã 4 da Força Aérea Americana, com um estágio superior Centauro - a nave espacial era pesada demais para ser enviada diretamente a Saturno. Seguindo a mesma diretriz de missões anteriores, a Cassini atingiu a velocidade necessária através de uma seqüência de impulsos gravitacionais. Entre 1998 e 2000, ela passou perto de Vênus (duas vezes), da Terra e de Júpiter. Durante a sua passagem por Júpiter em dezembro de 2000, a nave examinou as fronteiras mais externas da magnetosfera do planeta gigante enquanto a Galileo fazia observações de seu ponto de aproveitamento orbital mais próximo - a primeira vez em que foram feitas observações simultâneas. A Cassini produziu um notável conjunto de imagens, mostrando a atmosfera turbulenta do planeta com um detalhamento extraordinário.

A magnetosfera de Júpiter é assimétrica, com uma abundância inesperada de íons e de elétrons que escapam de um de seus lados.Essa longa viagem interplanetária trouxe outro benefício: tempo para a Nasa e a ESA modificarem a missão caso houvesse algum imprevisto. Em 2000, os controladores detectaram uma falha no projeto ao testar o sistema de comunicação, que permitiria que a nave recebesse os dados científicos da sonda Huygens na sua descida à superfície de Titã. (Os dados teriam de ser reenviados para a Terra.) O receptor de rádio da Cassini não conseguiu recuperar os dados durante um teste realizado para simular o desvio Doppler na freqüência do sinal, que deveria ocorrer durante a descida. Depois de estudar o problema durante meses, as agências espaciais apresentaram uma solução: alterar a trajetória planejada para diminuir a velocidade relativa entre o orbitador e a sonda, o que reduziria ao mínimo o desvio Doppler.

O primeiro encontro próximo da Cassini com o sistema saturniano ocorreu no dia 11 do mês passado, durante o seu sobrevôo de Febe, um satélite de Saturno que percorre uma órbita elíptica irregular a cerca de 13 milhões de km do planeta. A Cassini passou a 2 mil km dessa lua de 220 km de diâmetro. Esse satélite intriga os cientistas porque pode ser um remanescente da matéria primordial que formou os núcleos rochosos dos planetas externos há mais de 4,5 bilhões de anos. Três semanas mais tarde, no dia 1o deste mês, a Cassini vai se aproximar de Saturno vindo da parte de baixo do plano dos anéis e atravessar o extenso vão entre os anéis F e G. Para diminuir a velocidade o suficiente para que entre em órbita, a Cassini vai acionar seus motores durante 97 minutos na direção oposta à sua trajetória. Enquanto os motores estiverem acionados, o orbitador vai fazer a sua aproximação máxima de Saturno, chegando a 18 mil km do gigante-gasoso. Se tudo correr como previsto, essa manobra colocará a Cassini em uma órbita bem elíptica, que depois será ajustada por meio de acionamentos dos motores.

Descendo na Lua

DURANTE OS PRÓXIMOS SEIS MESES, a Cassini vai sobrevoar Titã duas vezes, para estudar a atmosfera e a superfície da lua gigante e preparar a missão da Huygens. Em 25 de dezembro, a Cassini vai liberar a sonda, que deverá pousar em Titã em 22 dias. Em 14 de janeiro de 2005, a Huygens, alimentada por baterias, vai entrar na atmosfera de Titã, que se estende até 1 mil km acima de sua superfície, cerca de dez vezes maior do que a atmosfera da Terra. Uma blindagem em forma de pires protegerá a nave das altas temperaturas durante a entrada na atmosfera. A cerca de 170 km da superfície, a sonda acionará um pára-quedas para tornar a descida mais lenta e estável. Enquanto a Huygens estiver flutuando na névoa alaranjada que envolve Titã, o cromatógrafo de gás e espectrômetro de massa (GCMS) da sonda analisarão a composição da atmosfera de Titã. Outro instrumento vai coletar e vaporizar partículas sólidas de modo que elas também possam ser identificadas pelo GCMS. Ao mesmo tempo, o imageador de descida e radiômetro espectral (DISR) fotografará as nuvens de metano para determinar suas formas e tamanhos.

Quando a sonda estiver a uma altitude de aproximadamente 50 km, o DISR começará a tirar fotos panorâmicas da paisagem abaixo. Nas últimas centenas de metros da descida, um holofote de luz branca iluminará a superfície - que normalmente tem a cor avermelhada do barro, porque a atmosfera absorve as freqüências azuis da radiação solar - permitindo que o DISR faça uma análise espectral da composição dos elementos da superfície. Ao longo da descida, os desvios na freqüência dos sinais de rádio da sonda serão monitorados para determinar a intensidade dos ventos de Titã, e o Instrumento de Estrutura Atmosférica da Huygens (Hasi) medirá a temperatura, a pressão e os campos elétricos que poderão indicar a presença de relâmpagos. A descida completa deverá durar de duas horas e meia a três horas.

Embora a meta principal da sonda Huygens seja a investigação da atmosfera de Titã e nenhuma medida tenha sido tomada para garantir a sua sobrevivência no pouso (o que teria muitos custos adicionais), os cientistas estão muito interessados na natureza da superfície. Estaria coberta de hidrocarbonetos líquidos? Haveria evidências de evolução da atividade geológica ou da química orgânica? Ou Titã é simplesmente um satélite gelado, crivado de crateras? Para ajudar nas respostas, a carga útil da sonda inclui um pacote científico para a superfície (SSP) que vai emitir ondas sonoras no estágio final da descida para avaliar a rugosidade da superfície. O Hasi fará medições semelhantes usando sinais de radar.
Na hora do impacto, que deverá acontecer à velocidade relativamente suave de poucos metros por segundo, os acelerômetros da sonda vão transmitir dados a uma taxa bastante alta através do SSP, para determinar se a superfície é sólida, coberta de neve ou líquida. Se a sonda sobreviver ao pouso, poderão ser transmitidos de 3 a 30 minutos adicionais de dados para o orbitador antes que ele desapareça no horizonte da lua. Se a Huygens pousar em um lago ou em um oceano de hidrocarbonetos, o SSP poderá medir a temperatura, a densidade e outras propriedades do líquido. Os sensores também poderão medir a velocidade de som através do líquido e talvez determinar sua profundidade. Enquanto isso, o DISR captará imagens, e o GCMS tentará analisar os hidrocarbonetos. A sonda Huygens foi projetada para flutuar em hidrocarbonetos líquidos, embora esses compostos químicos sejam significativamente menos densos que a água.

Um Passeio de Quatro Anos

DEPOIS DA DESCIDA DA HUYGENS, a Cassini vai continuar a estudar Titã durante a sua jornada de quatro anos pelo sistema saturniano. Durante esse período, a nave orbitará Saturno 76 vezes, e na maioria das voltas deverão ocorrer outros sobrevôos de Titã. A cada encontro, a órbita da Cassini vai ser reformulada para permitir que a nave obtenha fotos próximas dos outros satélites de Saturno e de seus anéis e examine diferentes partes de sua magnetosfera. Ao contrário da Galileo ou da Voyager, a Cassini não possui plataformas móveis para direcionar seus instrumentos. Para reduzir os custos de desenvolvimento, eles foram fixados ao corpo cilíndrico da nave. Assim, os cientistas da missão precisam planejar cuidadosamente suas observações, porque os instrumentos podem não estar todos voltados para o mesmo alvo simultaneamente.

As pesquisas a serem feitas no sistema saturniano são tão vastas que só foi possível apresentar um resumo do seu potencial. Meus interesses estão centrados em Titã. Além de descobrir se houve evolução dos compostos químicos orgânicos complexos na superfície da lua, os pesquisadores têm uma batelada de perguntas sobre esse mundo. Na Terra, a água se encarrega de dar novas formas à superfície do planeta e das trocas de energia e massa entre a superfície e a atmosfera; em Titã, o metano exerce esse papel. Mas, como ele está sendo continuamente consumido por reações fotoquímicas produzidas pela radiação ultravioleta do Sol, deve ser reposto de alguma forma a partir da superfície ou do interior de Titã, ou talvez pelo impacto de cometas. A abundância atual de metano em Titã, de acordo com as medidas feitas pela Voyager, parece estar num ponto crítico - apenas o suficiente para permitir a formação de nuvens e de chuva de metano. Mas a concentração não é suficientemente alta para garantir a presença de metano líquido puro na superfície; as gotas de "chuva" evaporariam antes de atingir o solo. Se houver mares, provavelmente devem ser constituídos de etano líquido, um produto das reações fotoquímicas que ocorrem na atmosfera de Titã, combinado com metano dissolvido.

Entender de onde vem o metano e para onde vão os produtos de sua fotoquímica são duas das questões básicas que a missão Cassini-Huygens pode responder. Será que o metano e o etano estão misturados em lagos ou mares de hidrocarbonetos na superfície de Titã? Dados recentes obtidos com o radiotelescópio de Arecibo (Porto Rico) parecem indicar que sim. Se a nave não encontrar evidências de lagos ou mares, então talvez Titã tenha deixado de formar metano e etano ao longo de sua história. Se esse for o caso, a composição e a quantidade atual da atmosfera da lua de Saturno - mantida pelo aquecimento do efeito estufa do metano - podem ser o resultado do impacto recente de um cometa ou de uma grande perturbação ocorrida no interior de Titã. Finalmente, queremos saber onde o metano e o nitrogênio de Titã se originaram e porque essa é a única lua do Sistema Solar que possui atmosfera densa.

As câmeras, os espectrômetros e o radar do orbitador, que poderão "ver" através da atmosfera espessa de Titã, estão encarregados de procurar mares de hidrocarbonetos. Outros instrumentos examinarão as interações da atmosfera de Titã com as partículas carregadas da magnetosfera de Saturno. Os sinais de rádio que atravessam a atmosfera da lua deverão mostrar a variação da temperatura com a latitude e com a altitude. A combinação desses resultados com as imagens do orbitador Cassini e da sonda Huygens deverá ajudar a determinar a quantidade da precipitação de metano. A sonda fornecerá leituras diretas de temperatura e pressão junto com as imagens das nuvens de metano e nitrogênio de Titã. Além disso, as medidas de dois parâmetros-chave da atmosfera - a abundância de metano contendo deutério e a razão entre nitrogênio e os gases nobres argônio e criptônio - poderiam indicar as possíveis fontes de metano e nitrogênio da lua.

Assim como acontece com qualquer missão para um mundo novo e estranho - e Titã, mais do que qualquer outro corpo do Sistema Solar, merece ser descrito como um mundo misterioso -, uma única exploração não é suficiente para responder a todas as perguntas. Titã pode se mostrar tão interessante que os cientistas poderiam propor missões subseqüentes para enviar balões, aeronaves e veículos de pouso para o interior de sua atmosfera densa. A longa jornada de descobertas iniciada pela missão Cassini-Huygens não deve acabar tão cedo.